{"id":11401,"date":"2009-08-19T00:00:00","date_gmt":"2009-08-19T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:40:51","modified_gmt":"2017-09-15T19:40:51","slug":"fraseologia","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/fraseologia\/","title":{"rendered":"Fraseologia"},"content":{"rendered":"<p>Porto Alegre, 1973.<br \/>\nDo livro Caderno H, de M\u00e1rio Quintana:<\/p>\n<p>O QUE ACONTECE COM AS CRIAN\u00c7AS<\/p>\n<p>Aprendi a escrever lendo, da mesma forma que se aprende a falar ouvindo. Naturalmente, quase sem querer, numa esp\u00e9cie de m\u00e9todo subliminar. Em meus tempos de crian\u00e7a, era aquela encanta\u00e7\u00e3o. Lia continuamente e avidamente um mundar\u00e9u de hist\u00f3rias (e n\u00e3o est\u00f3rias) principalmente as do Tico-Tico. Mas, lia-se corrido, isto \u00e9, frase ap\u00f3s frase, do princ\u00edpio ao fim.<\/p>\n<p>Ora as crian\u00e7as de hoje n\u00e3o se acostumam a ler corretamente, porque apenas olham as figuras dessas hist\u00f3rias em quadrinhos, cujo \u201ctexto\u201d se limita a simples frases interjetivas e assim mesmo muita vez incorretas. No fundo uma fraseologia de guinchos e uivos, uma subliteratura de homem das cavernas.<\/p>\n<p>Exagerei? Bem feito! Mas se essas crian\u00e7as, coitadas, nunca adquiriram o h\u00e1bito da leitura, como saber\u00e3o um dia escrever?<\/p>\n<p>S\u00e3o Paulo, 2009.<br \/>\nManh\u00e3 de quarta, 20<\/p>\n<p>H\u00e1 semanas, enquanto esperava o recome\u00e7o das aulas, o blogueiro encontra o marcador de texto na p\u00e1gina 66 do livro supracitado, relan\u00e7ado h\u00e1 algum tempo pela Editora Globo. <\/p>\n<p>Pergunta-se:<\/p>\n<p>Algum motivo h\u00e1 para tal registro.<\/p>\n<p>Talvez seja para cit\u00e1-lo em sala de aula ou mesmo para coment\u00e1-lo em post futuro. Coisa que n\u00e3o se lembra de ter feito \u2013 mas, toma-se de coragem para agora faz\u00ea-lo.<\/p>\n<p>Por um motivo simples.<\/p>\n<p>O grande e saudoso Quintana se refere \u00e0s hist\u00f3rias em quadrinhos. Mas o que diria hoje num tempo das p\u00e1ginas de relacionamentos, da mobilidade das comunica\u00e7\u00f5es, da informa\u00e7\u00e3o em tempo real, dos emails, sites, blogs, twitters e cong\u00eaneres.<\/p>\n<p>Dizem que nunca se escreveu tanto no Planeta \u2013 e, por vezes, tenho del\u00edrios de imaginar o quanto se trombam as letras e as mensagens no tal ciberespa\u00e7o.<\/p>\n<p>N\u00e3o se espantem!<\/p>\n<p>\u00c9 uma alucina\u00e7\u00e3o, imagino, de qualquer internauta sempre que precisa \u201climpar\u201d a caixa de mensagens.<\/p>\n<p>No entanto, creio, chama a aten\u00e7\u00e3o um detalhe t\u00e3o pequeno de nosso dia-a-dia.<\/p>\n<p>Teclar \u00e9 escrever? <\/p>\n<p>Tenho l\u00e1 minhas d\u00favidas, tamanha a indig\u00eancia do vocabul\u00e1rio e da escrita. Escrever a palavra \u201cvoc\u00ea\u201d num email equivale \u00e0 excomunh\u00e3o do indiv\u00edduo do rol dos conectados. Sem falar das coisas que ficam por dizer, dos di\u00e1logos entrecortados e surreais.<\/p>\n<p>Desisti do MSN por isso.<\/p>\n<p>Boc\u00e3o Verde diz:<\/p>\n<p>&#8212; A\u00eaeee.<\/p>\n<p>E eu, do outro lado da tela:<\/p>\n<p>&#8212; Como assim, rapaz?<\/p>\n<p>Boc\u00e3o Verde diz:<\/p>\n<p>&#8212; Bel\u00ea?<\/p>\n<p>E eu a me defender como posso:<\/p>\n<p>&#8212; Claro, claro&#8230;<\/p>\n<p>Boc\u00e3o Verde diz:<\/p>\n<p>&#8212; Uahuahuahuahuahuah<\/p>\n<p>Tento ser moderninho e encerro o assunto:<\/p>\n<p>&#8212; Fui.<\/p>\n<p>Ou seja, resumo da \u00f3pera.<\/p>\n<p>Como bem anotou Quintana, \u201cuma fraseologia de guinchos e uivos, uma subliteratura de homem das cavernas\u201d.<\/p>\n<p>FOTO no Blog: Caio Kenji<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Porto Alegre, 1973.<br \/>\nDo livro Caderno H, de M\u00e1rio Quintana:<\/p>\n<p>O QUE ACONTECE COM AS CRIAN\u00c7AS<\/p>\n<p>Aprendi a escrever lendo, da mesma forma que se aprende a falar ouvindo.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-11401","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11401","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11401"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11401\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16559,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11401\/revisions\/16559"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11401"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11401"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11401"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}