{"id":11437,"date":"2009-09-29T00:00:00","date_gmt":"2009-09-29T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:39:51","modified_gmt":"2017-09-15T19:39:51","slug":"o-nunca-e-o-talvez","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/o-nunca-e-o-talvez\/","title":{"rendered":"O nunca e o talvez"},"content":{"rendered":"<p>\u00c9 uma mo\u00e7a bonita, de ares fugidios, que ontem me procurou.<\/p>\n<p>Veio me falar do talvez e do nunca, amea\u00e7as que involuntariamente podem ou n\u00e3o amarrar a vida de todos n\u00f3s.<\/p>\n<p>Eu lhe disse: depende.<\/p>\n<p>E ela me falou de um filme que assistiu. E a impressionou.<\/p>\n<p>Tratava da loucura que h\u00e1 em uma noite escura. Havia uma can\u00e7\u00e3o que ela cantarolou baixinho, e brevemente.<\/p>\n<p>Tem pinta de fil\u00f3sofa, de cabelos escorridos at\u00e9 os ombros. Mas \u00e9 s\u00f3 uma menina que, por vezes, reluta em voltar para casa.<\/p>\n<p>N\u00e3o soube o que lhe dizer.<\/p>\n<p>Filmes e can\u00e7\u00f5es sempre me impressionam. Lembram coisas, deixam marcas, dizem o que ficou por dizer. Ou n\u00e3o tive oportunidade e\/ou coragem de falar.<\/p>\n<p>Enfim&#8230;<\/p>\n<p>Para n\u00e3o morrer o papo lhe contei que, por certo tempo, l\u00e1 no mais antigo dos anos, trabalhei em uma revista que se chamava Afinal. Tinha a pretens\u00e3o de enfrentar a Veja e, para tanto, contratou os melhores jornalistas do mercado. <\/p>\n<p>Como as coisas n\u00e3o sa\u00edram como o desejado, os sal\u00e1rios come\u00e7aram a atrasar &#8211; e boa parcela desse pessoal saiu. Foi nessa hora que eu cheguei &#8211; ou seja, n\u00e3o estava entre os melhores, mas corria atr\u00e1s. <\/p>\n<p>Queria escrever. E foi uma porta que se abriu. <\/p>\n<p>Certa tarde, cheguei \u00e0 reda\u00e7\u00e3o ali, na rua Maria Ant\u00f4nia, e o editor de Cultura me passou a seguinte pauta: <\/p>\n<p>&#8211; Voc\u00ea (eu) tem duas p\u00e1ginas para falar da obra do escritor argentino Jorge Luis Borges, que acaba de morrer. <\/p>\n<p>N\u00e3o havia o Google.<\/p>\n<p>Ele, ent\u00e3o, me entregou duas pastas enormes com recortes sobre o autor. Liguei para dois ou tr\u00eas cr\u00edticos de literatura &#8212; e de madrugada comecei a fazer o texto que ficou legal, est\u00e1 no meu primeiro livro. <\/p>\n<p>Descobri que Borges era genial. Um frasista, de primeira. Por meio de seus pensamentos escritos, definia a vida e o viver. <\/p>\n<p>Um deles me \u00e9 inesquec\u00edvel:<\/p>\n<p>&quot;A gente pode tudo nessa vida. S\u00f3 n\u00e3o pode \u00e9 se fazer infeliz.&quot;<\/p>\n<p>N\u00e3o sei o porqu\u00ea fui lembrar dessa hist\u00f3ria naquele momento. Suponho que gostaria que a mo\u00e7a entendesse essa verdade em meio a tantas divaga\u00e7\u00f5es. De t\u00e3o simples, \u00e9 uma verdade dif\u00edcil de ser entendida, e vivida. Quando nos fazemos felizes o nunca e o talvez desaparecem, mesmo que por instantes que se fazem eternos. <\/p>\n<p>E isso \u00e9 o que vale.<\/p>\n<p>Como diz aquela velha can\u00e7\u00e3o que o r\u00e1dio esqueceu-se de tocar:<\/p>\n<p>\u201cSer feliz \u00e9 tudo o que se quer.\u201d<\/p>\n<p>FOTO NO BLOG: Camila Bevilacqua<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 uma mo\u00e7a bonita, de ares fugidios, que ontem me procurou.<\/p>\n<p>Veio me falar do talvez e do nunca, amea\u00e7as que involuntariamente podem ou n\u00e3o amarrar a vida de todos n\u00f3s.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-11437","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11437","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11437"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11437\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16523,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11437\/revisions\/16523"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11437"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11437"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11437"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}