{"id":11518,"date":"2009-12-23T00:00:00","date_gmt":"2009-12-23T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:38:00","modified_gmt":"2017-09-15T19:38:00","slug":"tchinim-e-o-natal-inesquecivel","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/tchinim-e-o-natal-inesquecivel\/","title":{"rendered":"Tchinim e o Natal inesquec\u00edvel"},"content":{"rendered":"<p>Ao menos, no meu tempo, era assim: momento \u00fanico na vida de qualquer crian\u00e7a.<\/p>\n<p>Descobrir que Papai Noel n\u00e3o existe significou o fim do encanto daquele Natal antes mesmo que eu pudesse degust\u00e1-lo em toda sua pompa e circunst\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Esperava o ano todo por aquele momento mais do que especial.<\/p>\n<p>Havia toda uma ansiedade, um mist\u00e9rio&#8230;<\/p>\n<p>Acord\u00e1vamos no dia 25 e l\u00e1 estava o almejado sonho em forma de brinquedo a tornar-se realidade ao lado das nossas camas \u2013 a minha e as das minhas irm\u00e3s.<\/p>\n<p>II.<br \/>\nNaquele ano, foi diferente.<\/p>\n<p>A mais velha n\u00e3o segurou a l\u00edngua e a peraltice.<\/p>\n<p>&#8212; N\u00e3o acredita?<\/p>\n<p>Eu resistia \u00e0 sua m\u00e1 fala\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8212; Ent\u00e3o, vamos l\u00e1 ao quarto da mam\u00e3e. O trenzinho que voc\u00ea pediu est\u00e1 dentro do guarda-roupa, coberto por uma pilha de len\u00e7\u00f3is.<\/p>\n<p>Estava mesmo.<\/p>\n<p>Foi a primeira vez que pensei em fazer voltar o tempo.<\/p>\n<p>III.<br \/>\nPreferia n\u00e3o ter descoberto a verdade.<\/p>\n<p>O pai, quando soube, amea\u00e7ou bater na tagarela. <\/p>\n<p>A m\u00e3e, como de costume, invocou todos os santos e s\u00f3 faltou chorar.<\/p>\n<p>Minutos depois, os atropelos para a ceia de Natal em casa \u2013 uma tradi\u00e7\u00e3o da qual o pai tanto se orgulhava \u2013 fizeram com que todos se conformassem com a revela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8212; Um dia, a gente ia ter que contar para ele, disse a m\u00e3e adepta dos \u201cpanos quentes\u201d.<\/p>\n<p>&#8212; Ano que vem voc\u00ea vai para a escola. J\u00e1 \u00e9 um homenzinho. N\u00e3o ficaria bem acreditar numa lenda, acrescentou o homem de poucas e s\u00e1bias palavras.<\/p>\n<p>IV.<br \/>\nN\u00e3o concordei.<\/p>\n<p>Mas, fiquei na minha.<\/p>\n<p>Tinha meus motivos.<\/p>\n<p>Uma coisa eram os presentes do pai. <\/p>\n<p>Para ganh\u00e1-los, havia o anivers\u00e1rio e todos os outros dias do ano. <\/p>\n<p>Outra coisa era fazer por merecer e ter o desejo atendido por um ser extraordin\u00e1rio, generoso, que vinha de t\u00e3o longe.<\/p>\n<p>V.<br \/>\nEra como se eu fizesse parte da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>N\u00e3o me constava que Papai Noel fosse santo.<\/p>\n<p>Mas, eu o via como uma divindade.<\/p>\n<p>Uma esp\u00e9cie de mensageiro traquina a cortar os c\u00e9us.<\/p>\n<p>Com o regalo, imaginava vir tamb\u00e9m as b\u00ean\u00e7\u00e3os do Deus que se fez Menino para nos salvar.<\/p>\n<p>VI.<br \/>\nVoc\u00eas sabem.<\/p>\n<p>Tenho uma tend\u00eancia a ficar imaginando coisas.<\/p>\n<p>Desde pequenino \u2013 quando ainda me chamavam de Tchinim \u2013 sou assim.<\/p>\n<p>Mas, tantos e tantos anos depois, n\u00e3o h\u00e1 o que reclamar.<\/p>\n<p>VII.<br \/>\nDizem que trago no olhar o desalento dos que n\u00e3o mais se encantam.<\/p>\n<p>Pode ser resqu\u00edcio daquele Natal que se perdeu no tempo.<\/p>\n<p>Ou de tristes verdades que se revelaram ao longo do longo e sinuoso caminho.<\/p>\n<p>Pode ser um jeito meu de tocar a vida e seguir adiante.<\/p>\n<p>Pode ser&#8230;<\/p>\n<p>Mas, aviso aos navegantes.<\/p>\n<p>N\u00e3o abro m\u00e3o do meu naco de sonhos e esperan\u00e7a&#8230;<\/p>\n<p>IX.<br \/>\nQue o Menino Deus nos guarde e ilumine em 2010.<\/p>\n<p>Ele \u00e9 o caminho, a verdade, a vida&#8230;<\/p>\n<p>* FOTO NO BLOG: arquivo pessoal &#8211; Paris<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao menos, no meu tempo, era assim: momento \u00fanico na vida de qualquer crian\u00e7a.<\/p>\n<p>Descobrir que Papai Noel n\u00e3o existe significou o fim do encanto daquele Natal antes mesmo que eu pudesse degust\u00e1-lo em toda sua pompa e circunst\u00e2ncia.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-11518","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11518","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11518"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11518\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16450,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11518\/revisions\/16450"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11518"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11518"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11518"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}