{"id":11529,"date":"2010-02-02T00:00:00","date_gmt":"2010-02-02T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:37:59","modified_gmt":"2017-09-15T19:37:59","slug":"parque-shangai","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/parque-shangai\/","title":{"rendered":"Parque Shangai"},"content":{"rendered":"<p>Carla Mariana me escreve.<\/p>\n<p>Pergunta como fui de f\u00e9rias&#8230;<\/p>\n<p>(Bem, obrigado. Pena que passaram r\u00e1pido demais.)<\/p>\n<p>&#8230; e me pede \u201cuma ajuda cultural\u201d. <\/p>\n<p>Ela precisa encontrar relatos sobre o Parque Shangai que existiu ali na regi\u00e3o do Glic\u00e9rio, onde hoje fica \u201caquela imensa igreja Deus \u00c9 Amor.<\/p>\n<p>Diz que \u00e9 para um trabalho acad\u00eamico.<\/p>\n<p>&#8212; Professor, voc\u00ea conhece algu\u00e9m ou algum lugar que poderia ter material sobre o assunto?<\/p>\n<p>Conhecer, conhecer, eu n\u00e3o conhe\u00e7o.<\/p>\n<p>Mas, convido voc\u00ea e os meus cinco ou seis am\u00e1veis leitores para uma brev\u00edssima viagem no t\u00fanel do tempo.<\/p>\n<p>Tenho uma vaga lembran\u00e7a do que foi o Shangai.<\/p>\n<p>Era menino de tudo. Cinco ou seis anos, se tanto.<\/p>\n<p>O pai me levou ali, ao menos uma vez.<\/p>\n<p>Eu e minhas irm\u00e3s.<\/p>\n<p>Era um parque nos moldes dos parques daquela \u00e9poca.<\/p>\n<p>Como ainda hoje \u00e9 poss\u00edvel ver em algumas pequenas cidades do interior.<\/p>\n<p>S\u00f3 que agora t\u00eam forma itinerante.<\/p>\n<p>Ficam um fim de semana em cada cidade \u2013 e vida que segue.<\/p>\n<p>O Shangai ficava ali na v\u00e1rzea do Glic\u00e9rio, limite do Reino Unido do Cambuci, onde nasci e me criei, e o Centro da cidade. Em frente, ainda existe &#8211; em escombros, diga-se \u2013 o quartel do Ex\u00e9rcito do Parque D. Pedro. Tamb\u00e9m eram vizinhos do Parque os pr\u00e9dios do IAPI, o quartel do Corpo de Bombeiros, o cine Itapura, a F\u00e1brica de Cigarros Sudam e os campos de futebol de times famosos como Huracan, Mocidade, Estrela do IAPI, Internacional, Bangu e Estudantes. <\/p>\n<p>Um pouquinho mais afastado \u2013 mas, pr\u00f3ximos ainda \u2013 ficavam os edif\u00edcios da regi\u00e3o chamada de Treme-Treme, de fama pra l\u00e1 de duvidosa.<\/p>\n<p>Dentro do Parque as atra\u00e7\u00f5es tradicionais: o carrossel de cavalinhos, a barraca de tiro ao alvo (com espingardinhas chinfrins e pr\u00eamios idem), a de derruba-latas, a roda gigante (que n\u00e3o era t\u00e3o gigante assim), entre outros brinquedos das antigas.<br \/>\nUm jeit\u00e3o de quermesse, de festa junina dominava o lugar. Com as guloseimas da \u00e9poca: pipoca, algod\u00e3o doce e raspadinha.<\/p>\n<p>Miam, miam, miam, miam&#8230; Que del\u00edcia!<\/p>\n<p>Fic\u00e1vamos zanzando por ali, entre o encantamento e p\u00e2nico.<\/p>\n<p>Explico o p\u00e2nico.<\/p>\n<p>Logo ali no fundo do terreno havia dois galp\u00f5es que guardavam as grandes sensa\u00e7\u00f5es do parque: o assustador Trem-Fantasma, onde me arrisquei ir uma \u00fanica vez (e por um bom tempo precisei dormi de luz acesa) e a jaula da vers\u00e3o brasileira do King Kong que, me disseram, arrebentava correntes e cadeados e num acesso de f\u00faria punha os espectadores para correr.<\/p>\n<p> Por mais que o pai insistisse, preferi n\u00e3o conhecer a fera \u2013 e viver tamanha emo\u00e7\u00e3o.Optei por uma segunda rodada de pipoca, algod\u00e3o doce e raspadinha. <\/p>\n<p>&#8212; Miam, miam, miam, miam&#8230;<\/p>\n<p>** Foto no blog: J\u00f4 Rabelo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carla Mariana me escreve.<\/p>\n<p>Pergunta como fui de f\u00e9rias&#8230;<\/p>\n<p>(Bem, obrigado. 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