{"id":11567,"date":"2010-03-11T00:00:00","date_gmt":"2010-03-11T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:37:55","modified_gmt":"2017-09-15T19:37:55","slug":"a-voz-do-dono-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/a-voz-do-dono-2\/","title":{"rendered":"A voz do dono"},"content":{"rendered":"<p>A Miriam deixou coment\u00e1rio no post \u201cPrimeiras Li\u00e7\u00f5es\u201d que escrevi dia 9:<\/p>\n<p>\u201cQuem dera se o jornalismo fosse isso mesmo, n\u00e9?\u201d<\/p>\n<p>Noto um tom de desalento e tristeza na breve linha.<\/p>\n<p>Eu o li ontem \u00e0 noite. Assim que cheguei em casa, vindo da cola\u00e7\u00e3o de grau das turmas de 2009.<\/p>\n<p>Conhe\u00e7o a Miriam.  <\/p>\n<p>Foi minha aluna no curso de jornalismo da Metodista \u2013 \u00e9 um desses talentos raros para a profiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Talvez o contraste entre a alegria dos meninos que ontem recebiam o canudo de jornalistas e o desabafo da jovem rep\u00f3rter \u2013 deve ter quatro ou cinco anos de carreira, se tanto \u2013 me fez perder o sono.<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Que a profiss\u00e3o n\u00e3o \u00e9 mais a mesma, sei bem.<\/p>\n<p>Perdeu o tom de aventura e liberdade (ainda que algo enganosa) que t\u00ednhamos at\u00e9, digamos, os anos 80 \u2013 e olhe que exagero na data.<\/p>\n<p>Para definir essa mudan\u00e7a, costumo citar aos meus alunos uma figura de linguagem que Chico Buarque consagrou em uma de suas mais s\u00e1bias can\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<p>\u201cVale mais a voz do dono<br \/>\n  Do que o dono da voz.\u201d<\/p>\n<p>Chico se refere \u00e1 rela\u00e7\u00e3o dele com as gravadoras, tamb\u00e9m nos anos 80. Eu aplico o verso ao dia-a-dia do jornalista com os propriet\u00e1rios dos grandes conglomerados de comunica\u00e7\u00e3o em que os mesmos trabalham e ralam pra caramba.<\/p>\n<p>Confesso que, na maioria das vezes, essa conviv\u00eancia \u00e9 arrasadora. <\/p>\n<p>Destr\u00f3i carreiras e qualquer ilus\u00e3o que se tenha sobre a tal fun\u00e7\u00e3o social do jornalista, como historiador do cotidiano e agente da mudan\u00e7a.<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Mas, vou lhes fazer outra confiss\u00e3o.<\/p>\n<p>L\u00e1 nos idos tempos tamb\u00e9m a realidade n\u00e3o era muito diferente.<\/p>\n<p>T\u00ednhamos l\u00e1 nossas pendengas com o editor, com a censura, com a linha editorial, com o comercial. N\u00e3o era f\u00e1cil. Havia dias que quer\u00edamos largar tudo para criar galinha, vender \u00e1gua de coco na praia, montar um boteco ou abrir uma pousada em alguma praia perdida nos confins deste Brasil.<\/p>\n<p>Diria at\u00e9 que este era o assunto preferido dos nossos encontros di\u00e1rios naquele boteco na esquina entre as ruas Bom Pastor e Greenfeld, onde o Sacom\u00e3 torce o rabo e que hoje deu lugar \u00e0 uma moderna Esta\u00e7\u00e3o de Metr\u00f4.<\/p>\n<p>Por vezes, sa\u00edamos de l\u00e1 tr\u00f4pegos, mas decididos. A ponto de nos despedirmos dos amigos com um \u201cat\u00e9 qualquer dia\u201d.<\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>Bobagem&#8230;<\/p>\n<p>No dia seguinte, est\u00e1vamos todos ali para recome\u00e7ar a labuta di\u00e1ria atr\u00e1s de uma boa not\u00edcia que virasse manchete na edi\u00e7\u00e3o seguinte.<\/p>\n<p>Recome\u00e7ar sempre e sempre. Eis a nossa sina, Miriam&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Miriam deixou coment\u00e1rio no post \u201cPrimeiras Li\u00e7\u00f5es\u201d que escrevi dia 9:<\/p>\n<p>\u201cQuem dera se o jornalismo fosse isso mesmo, n\u00e9?\u201d<\/p>\n<p>Noto um tom de desalento e tristeza na breve linha.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-11567","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11567","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11567"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11567\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16402,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11567\/revisions\/16402"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11567"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11567"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11567"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}