{"id":11570,"date":"2010-03-13T00:00:00","date_gmt":"2010-03-13T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:37:54","modified_gmt":"2017-09-15T19:37:54","slug":"o-bar-do-borga","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/o-bar-do-borga\/","title":{"rendered":"O Bar do Borga"},"content":{"rendered":"<p>O Borga e alguns amigos juntaram o \u00fatil ao agrad\u00e1vel. Eles curtem MPB e a vida noturna. <\/p>\n<p>Mais MPB do que a vida noturna, \u00e9 bom que se diga.<\/p>\n<p>Resultado?<\/p>\n<p>Compraram um bar onde se apresentam todos os fins de semana, no Bixiga.<\/p>\n<p>Chama-se Lua Nova (acho que \u00e9 esse o nome) e fica na Treze de Maio.<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>N\u00e3o conhe\u00e7o os amigos do Borga.<\/p>\n<p>Mas, o conhe\u00e7o o Bixiga, tradicional bairro da boemia paulistana. Dos teatros, dos restaurantes e cantinas, dos bares, das festas de rua (a Nossa Senhora de Achiropita), dos Arcos, dos corti\u00e7os, do samba da Vai-Vai, do sotaque italianado, sempre a lembrar Adoniran Barbosa.<\/p>\n<p>\u00c9, meus caros! N\u00e3o \u00e9 de hoje que conhe\u00e7o aqueles becos e ruas.<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Andei muito por ali, noites e lembran\u00e7as memor\u00e1veis:<\/p>\n<p>A encena\u00e7\u00e3o de Hair (com Armandos B\u00f3gus, Altair Lima e S\u00f4nia Braga aos 18 anos), no Teatro Aquarius (que depois virou Teatro Z\u00e1ccaro), palco tamb\u00e9m de outros pontos altos da dramaturgia brasileira. De pronto, lembro de dois: Dom Quixote de La Mancha (com Paulo Autran e Bibi Ferreira, m\u00fasica com letra de Chico Buarque) e Brasileiro Profiss\u00e3o Esperan\u00e7a (com Paulo Gracindo e Clara Nunes).<\/p>\n<p>Inesquec\u00edveis.<\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>Inesquec\u00edvel tamb\u00e9m o show Alucina\u00e7\u00e3o, no mesmo teatro, que lan\u00e7ou Belchior como grande int\u00e9rprete daquele per\u00edodo turbulento, de censura e contesta\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>\u201cEu quero que o meu canto novo,<br \/>\nFeito faca, corte<br \/>\nA carne de voc\u00eas\u201d<\/p>\n<p>(A Palo Seco)<\/p>\n<p>V.<\/p>\n<p>Os restaurantes, posso list\u00e1-los assim; aleatoriamente: o Roperto, o C Q\u2019Sabe, o Posilippo (n\u00e3o existe mais, era dso tempo do meu pai), o Bassi, o Mexilh\u00e3o, a pizzaria Esperanza, a Cantina D\u2019Angelo, o Caf\u00e9 Piu Piu e tem um ali na rua Santo Ant\u00f4nio que esqueci o nome, onde invariavelmente termin\u00e1vamos as noitadas, tr\u00f4pegos e felizes.<\/p>\n<p>N\u00e3o vou nem citar os da regi\u00e3o da Avanhadava: Orvieto, Piolin, Giggetto, Fam\u00edlia Mancini, Giovvano Brunno&#8230;<\/p>\n<p>A\u00ed \u00e9 covardia&#8230;<\/p>\n<p>Tantas e tamanhas foram as hist\u00f3rias, os amigos, os amores.<\/p>\n<p>VI.<\/p>\n<p>Acho que por isso mesmo ainda devo essa visita ao bar do Borga e seus amigos.<\/p>\n<p>Vai que, a perambular por ali, eu encontre aquele rapaz cabeludo, de sonhos diversos e improv\u00e1veis que um dia eu fui.<\/p>\n<p>Do alto dos meus quase 60 \u2013 eu disse, quase 60 \u2013 o que poderia lhe dizer?<\/p>\n<p>&#8212; Valeu, bicho!<\/p>\n<p>VII.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que ele me entenderia?<\/p>\n<p>Turr\u00e3o do jeito que sempre foi, desconfio que n\u00e3o.<\/p>\n<p>Faria tudo do jeitinho que sempre fez.<\/p>\n<p>VIII.<\/p>\n<p>N\u00e3o seria esse o perigo.<\/p>\n<p>O perigo seria ele olhar para o meu rosto, marcado pelo tempo, pelos altos e baixos da vida, e tristemente n\u00e3o se reconhecer em mim.<\/p>\n<p>&#8212; Ta devagar, hein!, coroa.<\/p>\n<p>* FOTO NO BLOG: J\u00f4 Rabelo<\/p>\n<p>** Volto segunda&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Borga e alguns amigos juntaram o \u00fatil ao agrad\u00e1vel. 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