{"id":11588,"date":"2010-04-03T00:00:00","date_gmt":"2010-04-03T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:37:52","modified_gmt":"2017-09-15T19:37:52","slug":"elomar-e-a-menina","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/elomar-e-a-menina\/","title":{"rendered":"Elomar e a menina"},"content":{"rendered":"<p>Reencontro Elomar depois de anos e anos sem ouvir a voz do trovador das caatingas.<\/p>\n<p>Por onde andou todo esse tempo; quase 30 anos, sem bem me lembro.<\/p>\n<p>Agora, ou\u00e7o as belas cantigas enquanto dirijo pelas ruas da cidade, espontaneamente vazias pelo \u00eaxodo do feriad\u00e3o.<\/p>\n<p>Entendo, ent\u00e3o, que talvez fosse melhor perguntar a mim mesmo: por onde andei?<\/p>\n<p>Desde que me desfiz da cole\u00e7\u00e3o de vinis \u2013 e l\u00e1 se v\u00e3o anos \u2013 n\u00e3o ouvi mais a poesia atemporal e a incr\u00edvel sinuosidade de suas melodias. <\/p>\n<p>\u201cCerta veiz um certo prinspe<br \/>\n Paxon\u00f4-se prua donzela<br \/>\n Intiada de um rei<br \/>\n L\u00e1 do r\u00eano de Castela\u201d<\/p>\n<p>Por vezes, nos deixamos estar pelas circunst\u00e2ncias e preciosidades t\u00e3o belas e raras e deixamos que preciosidades t\u00e3o belas e raras, como a obra do habitante da Casa dos Carneiros, se afastem de n\u00f3s, por tudo e por nada.<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Reencontro Elomar justamente pelas m\u00e3os da menina que sequer era nascida em 1981 quando o cantador gravou este Cartas Caatingueiras, com ela me presenteia.<\/p>\n<p>Percebi logo que os olhos azuis da mo\u00e7a estavam assim inquietos quando a chamaram ao palco para receber o diploma pela conclus\u00e3o do curso de jornalismo. Acompanhei atento o seu caminhar at\u00e9 a mesa que presidia a cola\u00e7\u00e3o de grau. Menos pelo contraste entre o all star verde que cal\u00e7ava com a sisudez da beca que a cerim\u00f4nia impunha, e mais pela alegria de v\u00ea-la se achegar. Afinal foram quatro anos de conviv\u00eancia em sala de aula \u2013 e, reconhe\u00e7a-se, ela n\u00e3o era das ass\u00edduas \u00e0s aulas.<\/p>\n<p>Vi quando, ao meu lado, o paraninfo lhe entregou o canudo e, no instante seguinte, era eu quem deveria lhe presentear uma caneta metalizada, lembran\u00e7a da Universidade. Antes, por\u00e9m, ela tirou de uma das enormes mangas da t\u00fanica o CD do Elomar \u2013 e me entregou sem dizer palavra.<\/p>\n<p>Na contracapa, a dedicat\u00f3ria, escrita com um desses canet\u00f5es hidrogr\u00e1ficos:<\/p>\n<p>\u201cObrigado por tudo!<br \/>\n  Espero que goste&#8230;\u201d<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Olhem que perdi a conta das vezes que participei dessas solenidades. Uma ou duas vezes como paraninfo. Outras, como professor homenageado e dezenas como coordenador de curso.<\/p>\n<p>Posso dizer que fiquei tocado \u2013 e meus pares da mesa, desconfio, morreram de inveja.<\/p>\n<p>Adorei a surpresa.<\/p>\n<p>Por tudo e por nada, entendo que a vida tamb\u00e9m \u2013 e felizmente \u2013 \u00e9 assim.<\/p>\n<p>Feita de preciosidades t\u00e3o belas e t\u00e3o raras, como as can\u00e7\u00f5es de Elomar e a menina que se foi  e hoje traz \u201ca m\u00e3o nevada e fria da saudade\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reencontro Elomar depois de anos e anos sem ouvir a voz do trovador das caatingas.<\/p>\n<p>Por onde andou todo esse tempo; quase 30 anos, sem bem me lembro.<\/p>\n<p>Agora,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-11588","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11588","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11588"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11588\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16382,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11588\/revisions\/16382"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11588"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11588"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11588"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}