{"id":11684,"date":"2010-07-28T00:00:00","date_gmt":"2010-07-28T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:35:36","modified_gmt":"2017-09-15T19:35:36","slug":"um-cara-muito-especial","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/um-cara-muito-especial\/","title":{"rendered":"Um cara muito especial"},"content":{"rendered":"<p>Ela entrou no velho pr\u00e9dio como se nunca houvesse partido para novas aventuras. <\/p>\n<p>Aventuras profissionais, diga-se.<\/p>\n<p>Mesmo \u00e0 dist\u00e2ncia, dava para se notar. Estava mais sofisticada no vestir, no caminhar e at\u00e9 no falar:<\/p>\n<p>&#8212; Boa noite, queridos. Algu\u00e9m a\u00ed ainda se lembra de mim?<\/p>\n<p>Apostaria que, por aquelas baias, entre mesas, computadores e arm\u00e1rios, ningu\u00e9m nunca ousou esquec\u00ea-la. E agora, ao menos a rapaziada, percebia que a estagi\u00e1ria se transformara numa mulher como nunca se viu igual por aquelas baias, entre mesas, computadores etc etc.<\/p>\n<p>&#8212; Estava passando por aqui a trabalho e resolvi dar um pulinho aqui para rever voc\u00eas.<\/p>\n<p>N\u00e3o precisava explicar. Seria sempre bem-vinda por ali.<\/p>\n<p>A constata\u00e7\u00e3o foi a movimenta\u00e7\u00e3o natural que causou a passagem da bela. As mulheres, que antes j\u00e1 lhe invejavam a jovialidade, at\u00e9 que seguraram a onda. Preferiram saud\u00e1-la discretamente, mas os marmanjos atropelavam-se para os tradicionais beijinhos no rosto e os sorrisos e as inevit\u00e1veis paparica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A menina virara mulher e a deslumbrante mulher virava e revirava a Reda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Almeidinha foi o \u00fanico que n\u00e3o saiu de seu espa\u00e7o de trabalho. Claro que percebera o alegre tumulto e, principalmente, quem o causou. <\/p>\n<p>Ali\u00e1s, aquela estagi\u00e1ria deixara marcas indel\u00e9veis em seu cora\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Mas, nunca se atreveu. <\/p>\n<p>N\u00e3o seria de bom tom, era o editor. <\/p>\n<p>J\u00e1 vivera coisas semelhantes em tempos idos. Mas, daquela vez, n\u00e3o sentiu firmeza. <\/p>\n<p>Naqueles tempos que andou por ali, ela o chamava de \u201cprofessor\u201d, \u201cmestre\u201d, \u201cum cara muito especial\u201d \u2013 o que ele entendeu ser uma esp\u00e9cie de chega pra l\u00e1.<\/p>\n<p>Ademais, Almeidinha era do tempo em que se dizia \u201cademais\u201d e que uma paix\u00e3o n\u00e3o correspondida deixava \u201cmarcas indel\u00e9veis\u201d.<\/p>\n<p>Sabia tamb\u00e9m que, mais cedo ou mais tarde, ela seguiria outros rumos \u2013 e ele ficaria por ali, onde sempre esteve \u2013 uma esp\u00e9cie de m\u00f3veis e utens\u00edlios da Velha Reda\u00e7\u00e3o de piso assoalhado e janel\u00f5es. <\/p>\n<p>Mesmo assim, ficou feliz pra caramba quando ela deixou a turba falando sozinha e se aboletou toda-toda na cadeira em frente \u00e0 sua mesa de editor.<\/p>\n<p>&#8212; Atrapalho?<\/p>\n<p>* Amanh\u00e3 continua&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ela entrou no velho pr\u00e9dio como se nunca houvesse partido para novas aventuras. <\/p>\n<p>Aventuras profissionais, diga-se.<\/p>\n<p>Mesmo \u00e0 dist\u00e2ncia, dava para se notar. Estava mais sofisticada no vestir,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-11684","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11684","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11684"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11684\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16291,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11684\/revisions\/16291"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11684"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11684"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11684"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}