{"id":11693,"date":"2010-08-06T00:00:00","date_gmt":"2010-08-06T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:35:36","modified_gmt":"2017-09-15T19:35:36","slug":"saudoso-adoniran","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/saudoso-adoniran\/","title":{"rendered":"Saudoso Adoniran"},"content":{"rendered":"<p>Naquela noite, o pai chegou com uma surpresa para Tchinim, \u201co ca\u00e7ulinha da fam\u00edlia\u201d, como se dizia naqueles idos dos anos 50. <\/p>\n<p>Era um bolach\u00e3o preto, um 78 rota\u00e7\u00f5es, com uma can\u00e7\u00e3o de cada lado do disco.<\/p>\n<p>Tchinim gostava das duas. A que fez mais sucesso foi \u201cSaudosa Maloca\u201d \u2013 e o menino se punha a imaginar que talvez a tal cena  da demoli\u00e7\u00e3o pudesse ter acontecido por ali, naqueles antigos casar\u00f5es abandonados do Cambuci, bairro onde ele morava.<\/p>\n<p>A outra m\u00fasica tamb\u00e9m era divertida. Chamava-se \u201cSamba do Arnesto\u201d. <\/p>\n<p>Arnesto que, dizia a letra, morava no Br\u00e1s e n\u00e3o estava em casa quando os amigos chegaram. <\/p>\n<p>O menino ouvia aquela hist\u00f3ria e desconfiava que talvez seu Tio Nininho pudesse conhecer o tal Arnesto, pois ele sempre ia a cantinas italianas que ali existiam.<\/p>\n<p>Afinal, o Tio dizia que tinha muitos amigos l\u00e1.<\/p>\n<p>O tempo passou, como s\u00f3 e acontecer e passar.<\/p>\n<p>Tchinim deixou de ser Tchinim. <\/p>\n<p>Cresceu.<\/p>\n<p>Virou um rapazote que amava os Beatles e os Rollings Stones, al\u00e9m de balan\u00e7ar o esqueleto ao som do pessoal da Jovem Guarda. Foi por essa \u00e9poca que se deu conta: n\u00e3o se ouvia mais aquelas can\u00e7\u00f5es e outras tantas do g\u00eanero, que tanto o emocionara quando crian\u00e7a.<\/p>\n<p>Entendeu, ent\u00e3o, que os sambas macarr\u00f4nicos, com tem\u00e1ticas cotidianas e forte sotaque paulistano eram &#8211; e continuavam sendo &#8211; a trilha sonora da sua vida. Nesse universo m\u00e1gico, de gente simples e sincera, sentia-se mais \u00e0 vontade, entre os iguais \u2013 e que efetivamente encontrava consolo para eventuais dores e ais.<\/p>\n<p>Sentiu um baita vazio \u2013 e uma inexplic\u00e1vel saudade.<\/p>\n<p>Desconfio que n\u00e3o fosse s\u00f3 ele. Porque, anos depois, as can\u00e7\u00f5es e os int\u00e9rpretes (Os Dem\u00f4nios da Garoa) reapareceram, com for\u00e7a total.<\/p>\n<p>Uma delas (\u201cTrem das Onze\u201d, na voz de Gal Costa) chegou a ser a mais tocada em um carnaval do Rio Janeiro \u2013 galard\u00e3o dos galard\u00f5es para um sambista de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>O sambista de S\u00e3o Paulo \u2013 h\u00e1 quem diga que seja o \u00fanico autenticamente paulistano, embora fosse nascido em Valinhos \u2013 chamava-se Jo\u00e3o Rubinato. Mas, de resto, \u00e9 conhecido por todo o Brasil como Adoniran Barbosa que hoje, se vivo fosse, completaria 100 anos.<\/p>\n<p>100 anos de Adoniran!<\/p>\n<p>Tchinim, se bem me lembro, deve andar pela casa dos 60.<\/p>\n<p>\u00c9, meus caros: o tempo n\u00e3o p\u00e1ra no porto, n\u00e3o apita na curva, n\u00e3o espera ningu\u00e9m. <\/p>\n<p>** Pr\u00e9-lan\u00e7amento do livro<br \/>\nMEUS CAROS AMIGOS &#8211;<br \/>\nCr\u00f4nicas sobr jornalistas,<br \/>\nbo\u00eamios e paix\u00f5es (foto)<\/p>\n<p>http:\/\/www.lojadadireta.com.br\/produtos_descricao.asp?lang=pt_BR&#038;codigo_produto=529<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Naquela noite, o pai chegou com uma surpresa para Tchinim, \u201co ca\u00e7ulinha da fam\u00edlia\u201d, como se dizia naqueles idos dos anos 50. <\/p>\n<p>Era um bolach\u00e3o preto, um 78 rota\u00e7\u00f5es,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-11693","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11693","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11693"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11693\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16282,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11693\/revisions\/16282"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11693"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11693"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11693"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}