{"id":11712,"date":"2010-08-26T00:00:00","date_gmt":"2010-08-26T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:35:34","modified_gmt":"2017-09-15T19:35:34","slug":"isca-de-policia","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/isca-de-policia\/","title":{"rendered":"Isca de Pol\u00edcia"},"content":{"rendered":"<p>\u00c9 poss\u00edvel que meus vizinhos me achem assim, como vou dizer, um bocadinho desmiolado das id\u00e9ias. N\u00e3o, n\u00e3o, nunca disseram nada mais diretamente, mas deduzo o estranhamento pelos olhares de soslaio que me dirigem e pelo sil\u00eancio sepulcral das idas-e-vindas no elevador.<\/p>\n<p>Pois \u00e9, meus caros cinco ou seis am\u00e1veis leitores, como s\u00e3o terr\u00edveis o sil\u00eancio dos elevadores! O quanto dizem sem nada dizer aqueles momentos em que olhamos o teto ou a ponta do nosso sapato, s\u00f3 esperando que a porta se abra \u2013 e a vida, gra\u00e7a bendita, volte ao normal.<\/p>\n<p>Hoje, ali\u00e1s, lhe dei um bom motivo para que esse estranhamento ganhasse contornos mais reais. \u00c9 que larguei o carro ligado bem \u00e0 sa\u00edda do pr\u00e9dio, provocando um in\u00e9dito congestionamento na garagem. <\/p>\n<p>Foi um buzina\u00e7o, meus caros.<\/p>\n<p>Mas, compreendam, por favor, tive l\u00e1 meus motivos.<\/p>\n<p>Na verdade, apenas um \u2013 um belo motivo e, diria, belas lembran\u00e7as.<\/p>\n<p>\u00c9 que, mal embiquei a frente do Possante na cal\u00e7ada em frente ao pr\u00e9dio, dei de cara com uma baita faixa que anunciava as apresenta\u00e7\u00f5es do Isca de Pol\u00edcia neste fim de semana.<\/p>\n<p>Os meus preclaros leitores devem saber que o Isca foi o grupo musical que acompanhou, durante anos e anos, o saudoso Itamar Assun\u00e7\u00e3o, cantor\/compositor que fez parte da chamada Vanguarda Paulistana no in\u00edcio dos anos 80. <\/p>\n<p>Ao lado de nomes como Arrigo Barnab\u00e9, Prem\u00ea, Pa\u00e7oca, V\u00e2nia Bastos, entre outros, Itamar deu uma bela agitada no choror\u00f4 da MPB p\u00f3s anos 70.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei exatamente como lhes definir Itamar, que morreu em 2003, aos 52 anos. <\/p>\n<p>Diria que ele foi o precursor do baticum do Seo Jorge, com um tanto mais de vigor e contund\u00eancia. Afinal, Itamar projetou-se nos estertores do per\u00edodo ditatorial \u2013 a pegada era outra. E, por convic\u00e7\u00e3o, sempre se postou contra a chamada ind\u00fastria fonogr\u00e1fica que, \u00e0quela \u00e9poca, dava as cartas, fazia e desfazia, no mundo da m\u00fasica.<\/p>\n<p>Ainda em tom de analogia, e dentro do que se convencionou chamar de linha evolutiva da m\u00fasica popular brasileira, suponho ser poss\u00edvel afirmar que Itamar est\u00e1 para os anos 80 assim como a alquimia musical de Benjor esteve para os anos 60 e o suingue p\u00f3s moderno de Luiz Melodia nos anos 70.<\/p>\n<p>Todos s\u00e3o geniais \u2013 e Itamar, o inesquec\u00edvel Nego Dito Belel\u00e9u, faz uma falta danada&#8230; <\/p>\n<p>* O grupo Isca de Pol\u00edcia, refor\u00e7ado por uma das filhas de Itamar, prossegue carreira e se apresenta neste s\u00e1bado e domingo, em S\u00e3o Bernardo.<\/p>\n<p>* Quantos aos meus vizinhos, s\u00e3o boas pessoas \u2013 e logo perdoaram minha distra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 poss\u00edvel que meus vizinhos me achem assim, como vou dizer, um bocadinho desmiolado das id\u00e9ias. 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