{"id":11734,"date":"2010-09-21T00:00:00","date_gmt":"2010-09-21T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:35:32","modified_gmt":"2017-09-15T19:35:32","slug":"escova-em-garibaldi","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/escova-em-garibaldi\/","title":{"rendered":"Escova, em Garibaldi"},"content":{"rendered":"<p>A amiga Leila me escreve.<\/p>\n<p>Diz que riu muito com a hist\u00f3ria do Escova que ontem publiquei aqui.<\/p>\n<p>Leila trabalhou com a gente na velha reda\u00e7\u00e3o de piso assoalhado e grandes janel\u00f5es para a ruidosa avenida do tradicional bairro do Ipiranga.<\/p>\n<p>Deve conhecer o Escova.<\/p>\n<p>S\u00f3 n\u00e3o est\u00e1 associando o nome \u00e0 pessoa.<\/p>\n<p>Porque, como o pr\u00f3prio gostava de dizer, \u201cuma coisa n\u00e3o tem nada a ver com a outra\u201d.<\/p>\n<p>Escova namorador e sens\u00edvel a um romance em cada esquina era o do boteco que n\u00e3o mais existe no Sacom\u00e3, onde hoje est\u00e1 a portentosa Esta\u00e7\u00e3o do Metr\u00f4.<\/p>\n<p>A come\u00e7ar que, na reda\u00e7\u00e3o, o amigo atendia pelo nome de batismo \u2013 por motivos \u00f3bvios, n\u00e3o estou autorizado a divulg\u00e1-lo. Era outro homem. Um grande rep\u00f3rter, na acep\u00e7\u00e3o do termo. Avesso a sentimentalismos ou mesmo a qualquer manifesta\u00e7\u00e3o pessoal. Mostrava-se objetivo, claro e preciso em seus textos. Gostava de entrevistar as pessoas \u2013 qualquer pessoa. Fosse o candidato a prefeito, fosse o morador que reclamava do buraco na cal\u00e7ada, fosse quem fosse, era s\u00f3 aten\u00e7\u00e3o e cuidado para n\u00e3o alterar uma v\u00edrgula do que estava ouvindo e depois iria relatar aos leitores.<\/p>\n<p>Ele sabia dividir as coisas.<\/p>\n<p>Mostrou essa, digamos, estranha \u2018virtude\u2019 por ocasi\u00e3o de uma viagem que fez a Garibaldi, no Rio Grande Sul. O nosso rep\u00f3rter foi fazer uma reportagem sobre um espumante adocicado que faziam (fazem?) por l\u00e1 e era (\u00e9?) conhecido em todo o Brasil. <\/p>\n<p>Quando voltou, Escova trouxe impress\u00f5es distintas sobre a viagem. <\/p>\n<p>No trabalho, ele era monossil\u00e1bico. S\u00f3 quando era questionado por um de n\u00f3s se referia \u00e0 pequena cidade, sem qualquer entusiasmo. Houve quem dissesse que ele gostaria mesmo de percorrer a rota do vinho que corta toda a serra ga\u00facha. <\/p>\n<p>\u00c0 noite no Sujinho, falava maravilhas da cidade. Do por do sol que viu ao visitar uma ermida no alto de uma ladeira, das ruas pacatas e de um caf\u00e9\/livraria, onde jurou voltar um dia \u2013 e onde se sentiu a mais feliz das criaturas.<\/p>\n<p>Para desvendar o mist\u00e9rio, convocamos o parecer abalizado do Neblina, rep\u00f3rter-fotogr\u00e1fico que o acompanhou na reportagem:<\/p>\n<p>&#8212; Ah! Voc\u00eas n\u00e3o conhecem a fera?Est\u00e1vamos em uma cafeteria, esperando dar a hora de voltarmos para Porto Alegre, quando apareceu uma loura lind\u00edssima. Preciso falar mais alguma coisa&#8230; Ao v\u00ea-la, o Escova surtou e, de imediato, foi para a abordagem, sem pensar nas consequ\u00eancias. Por sorte, a mo\u00e7a estava sozinha, percebeu o bote e se mandou sem deixar rastros.<\/p>\n<p>Escova tentou ir atr\u00e1s, mas ela sumiu na poeira das ruas.<\/p>\n<p>&#8212; Ele ficou inconsol\u00e1vel. Jurou por todos os deuses que ela foi receptiva aos seus olhares \u2013 e que, tinha absoluta certeza, que aquela era a mulher da sua vida. E que iria reencontr\u00e1-la custasse o que custasse&#8230;<\/p>\n<p>Voc\u00eas podem n\u00e3o acreditar. Mas, o Neblina nos garantiu que de Garibaldi a Porto Alegre e, no avi\u00e3o, de Porto Alegre a S\u00e3o Paulo, o homem n\u00e3o falou de outra coisa \u2013 e com os olhos rasos d\u2019\u00e1gua.<\/p>\n<p>No aeroporto, de pronto, passou a crise rom\u00e2ntica. A esposa e as filhas o estavam esperando \u2013 e ele voltou a ser o pacato cidad\u00e3o, mas t\u00e3o pacato, t\u00e3o pacato que a Leila nem se lembra dele.<\/p>\n<p>FOTO NO BLOG: Seg\u00f3via\/Espanha<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A amiga Leila me escreve.<\/p>\n<p>Diz que riu muito com a hist\u00f3ria do Escova que ontem publiquei aqui.<\/p>\n<p>Leila trabalhou com a gente na velha reda\u00e7\u00e3o de piso assoalhado e grandes janel\u00f5es para a ruidosa avenida do tradicional bairro do Ipiranga.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-11734","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11734","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11734"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11734\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16243,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11734\/revisions\/16243"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11734"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11734"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11734"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}