{"id":11736,"date":"2010-09-23T00:00:00","date_gmt":"2010-09-23T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:35:31","modified_gmt":"2017-09-15T19:35:31","slug":"a-demissao","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/a-demissao\/","title":{"rendered":"A demiss\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Nem bem cheguei \u00e0 Reda\u00e7\u00e3o quando recebi o recado de que o big boss queria falar comigo.<\/p>\n<p>Papo cavernoso, anunciaram os arautos da desgra\u00e7a alheia.<\/p>\n<p>E me prepararam para a \u00e1rdua miss\u00e3o:<\/p>\n<p>&#8212; O homem n\u00e3o gostou nada da coluna do Fulano. N\u00e3o concorda como o que ele escreveu \u2013 e quer demiti-lo a qualquer pre\u00e7o.<\/p>\n<p>Eu era diretor de Jornalismo da casa \u2013 e ele queria me dar ci\u00eancia da decis\u00e3o.<\/p>\n<p>Senti o tamanho da encrenca, mas n\u00e3o havia alternativa.<\/p>\n<p>L\u00e1 fui eu encarar o diretor presidente, mais conhecido como dono de tudo.<\/p>\n<p>Ao entrar na sala, lembrei a m\u00e1xima que o grande Nasci sempre nos ensinou:<\/p>\n<p>&#8212; Seja qual for o embate, nunca se precipite. Deixe a ansiedade para o outro, ele que diga a que veio.<\/p>\n<p>Foi o que eu fiz.<\/p>\n<p>Disse bom-dia, me aboletei na poltrona de coro \u2013 e esperei a bronca. Que era mais um desabafo, e n\u00e3o tardou:<\/p>\n<p>&#8212; N\u00e3o gosto da coluna do Fulano etc etc etc&#8230;<\/p>\n<p>E concluiu, com o importante veredicto: <\/p>\n<p>&#8212; Vamos demiti-lo.<\/p>\n<p>Era uma pendenga mais pessoal do que propriamente jornal\u00edstica. Fulano era um bom jornalista, tinha um texto \u00e1gil, conseguia informa\u00e7\u00f5es de primeira e, via a coluna do jornal, alcan\u00e7ara um belo prest\u00edgio nos diversos segmentos em que atuava. Prest\u00edgio que o preclaro diretor presidente perseguia, mas estava longe de alcan\u00e7ar.<\/p>\n<p>Foi o que disse a ele, excetuando-se, l\u00f3gico, a primeira e a \u00faltima frase.<\/p>\n<p>Ele repetiu que n\u00e3o gostava da coluna, o jornal era dele \u2013 e ponto.<\/p>\n<p>De minha parte, tamb\u00e9m repeti os argumentos, floreei um tantinho mais, acrescentei que o jornal perderia com a demiss\u00e3o e poder\u00edamos dar muni\u00e7\u00e3o aos concorrentes e cousa e lousa e maripo(u)as, como diria o saudoso Pl\u00ednio Marcos.<\/p>\n<p>Acho que o boss se encheu do meu papo \u2013 e resolveu encerrar o assunto.<\/p>\n<p>&#8212; Fa\u00e7a o que quiser. Mas, lembre-se, eu n\u00e3o gosto dessa coluna, menos ainda do colunista.<\/p>\n<p>Na sexta-feira, a nova edi\u00e7\u00e3o estava nas ruas e, mal cheguei \u00e0 Reda\u00e7\u00e3o, recebo outro recado do chef\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8212; Quer falar comigo?, perguntei.<\/p>\n<p>E ele com o jornal na m\u00e3o, aberto na p\u00e1gina da coluna do Fulano:<\/p>\n<p>&#8212; N\u00e3o falei para dispensar esse cidad\u00e3o?<\/p>\n<p>E eu, na minha:<\/p>\n<p>&#8212; Disse para que eu fizesse o que quisesse&#8230;<\/p>\n<p>O homem come\u00e7ou a cantilena que n\u00e3o gostava da coluna, do colunista e&#8230; At\u00e9 que caiu em si, come\u00e7ou a rir e p\u00f4s fim \u00e0 quest\u00e3o:<\/p>\n<p>&#8212; Voc\u00ea \u00e9 teimoso mesmo. Vai l\u00e1, vai&#8230; Vai trabalhar que a gente ganha mais. Depois a gente volta a conversar.<\/p>\n<p>E nunca mais tocamos no assunto. <\/p>\n<p>Lembrei-me dessa hist\u00f3ria ao ouvir as explica\u00e7\u00f5es de Dorival J\u00fanior sobre o epis\u00f3dio que marcou sua lament\u00e1vel sa\u00edda da dire\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica do Santos. Respirei aliviado que, naquela long\u00ednqua manh\u00e3, est\u00e1vamos a s\u00f3s na sala da presid\u00eancia. Se houvesse outros diretores a palpitarem de acordo com o interesse de cada um dos departamentos, talvez Fulano fosse mesmo demitido \u2013 ele e eu.<\/p>\n<p>** FOTO NO BLOG: Camila Bevilacqua<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nem bem cheguei \u00e0 Reda\u00e7\u00e3o quando recebi o recado de que o big boss queria falar comigo.<\/p>\n<p>Papo cavernoso, anunciaram os arautos da desgra\u00e7a alheia.<\/p>\n<p>E me prepararam para a \u00e1rdua miss\u00e3o:<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-11736","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11736","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11736"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11736\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16241,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11736\/revisions\/16241"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11736"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11736"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11736"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}