{"id":11783,"date":"2010-11-21T00:00:00","date_gmt":"2010-11-21T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:33:30","modified_gmt":"2017-09-15T19:33:30","slug":"suburbanos-sonhadores","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/suburbanos-sonhadores\/","title":{"rendered":"Suburbanos sonhadores"},"content":{"rendered":"<p>Foi h\u00e1 coisa de dois tr\u00eas anos.<\/p>\n<p>Dona Yolanda resolveu visitar a filha Rosa que mora em Vit\u00f3ria.<\/p>\n<p>Passou uns dias por l\u00e1 \u2013 e na volta, no alto de seus oitenta e tralal\u00e1, convocou os servi\u00e7os do filho para busca-la no aeroporto de Congonhas.<\/p>\n<p>Caros, vou lhes dizer.<\/p>\n<p>Tomei um baita susto quando adentrei (gostaram do adentrei? \u2013 sempre me invoco com pessoas que preferem adentrar a simplesmente entrar; hoje por\u00e9m n\u00e3o resisti  &#8212; a ala de desembarque.<\/p>\n<p>Pensei que estivesse adentrado (pronto, chega; gastei minha cota!) no t\u00fanel do tempo.<\/p>\n<p>Verdade verdadeira.<\/p>\n<p>Era manh\u00e3 de s\u00e1bado, clara; como ontem foi.<\/p>\n<p>Havia uma penca de pr\u00e9-adolescentes, euf\u00f3ricas, entre gritinhos e a expectativa de que alguma celebridade estava preste a chegar.<\/p>\n<p>Sei da popularidade da dona Yolanda no quarteir\u00e3o onde mora, na Vila Planalto, mas n\u00e3o chegaria a tanto.<\/p>\n<p>Olhei ao redor e descobri, logo atr\u00e1s a multid\u00e3o, um circunspeto senhor, ares de motorista profissional, segurando uma enorme placa que dizia, simplesmente:<\/p>\n<p>RENATO E SEUS BLUES CAPS<\/p>\n<p>Antes que aquela cena ganhasse contornos de del\u00edrios, por sorte identifiquei o grupo de jovens (para os padr\u00f5es dos anos 60) senhores atravessar intacto a multid\u00e3o, dirigir-se ao senhor do cartaz e, com ele, desaparecer pelo sagu\u00e3o do aeroporto.<\/p>\n<p>N\u00e3o preciso dizer, mas digo: aquele cidad\u00e3o que passou, de bolsa de couro \u00e0 moda e cabelos em cima da orelha e acaju, era o pr\u00f3prio Renato. Os demais deveriam ser novos e antigos \u201cblues caps\u201d que n\u00e3o fui capaz de distinguir.<\/p>\n<p>Lembrei da cena hoje pela manh\u00e3 a prop\u00f3sito do badalado show de logo mais de Paul McCartney em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Dizem que ele vai cantar alguns cl\u00e1ssicos dos Beatles.<\/p>\n<p>Da\u00ed me veio a ideia que os organizadores do megashow deveriam ter convidado o grupo carioca para fazer o \u2018esquenta\u2019.<\/p>\n<p>Pode parecer maluca a ideia, concordo. <\/p>\n<p>Mas, seria bem divertido, especialmente para quem tem mais de 50. <\/p>\n<p>Explico: <\/p>\n<p>Renato e Seus Blues Caps foi o grupo que mais emplacou vers\u00f5es para as m\u00fasicas dos Beatles nos tempos da Jovem Guarda. <\/p>\n<p>Querem ver?<\/p>\n<p>\u201cMenina Linda\u201d, \u201cFeche os Olhos\u201d, \u201cVoc\u00ea N\u00e3o Soube Amar\u201d, \u201cAt\u00e9 o Fim\u201d, \u201cAna\u201d, \u201cA Irm\u00e3 do Meu Melhor Amigo\u201d, \u201cA Dona do Meu Cora\u00e7\u00e3o\u201d, entre outros sucessos, eram todos da matriz de Liverpool.<\/p>\n<p>Entre n\u00f3s, a turma dos suburbanos sonhadores, eram eles verdadeiros reis do i\u00ea-i\u00eai-i\u00ea.<\/p>\n<p>Ador\u00e1vamos os Beatles e os Rollings Stones, mas cant\u00e1vamos mesmo na p\u00e1tria l\u00edngua, sem qualquer pudor:<\/p>\n<p>\u201cFeche os olhos e sinta<br \/>\nUm beijinho agora<br \/>\nDe algu\u00e9m<br \/>\nQue n\u00e3o vive sem voc\u00ea&#8230;\u201d<\/p>\n<p>* Em tempo e a prop\u00f3sito: Poucos minutos depois, vi um pessoal com camisetas da MTV fazer um cord\u00e3o de isolamento para abrir passagem a tr\u00eas ou quatro garotos imberbes, de roupas coloridas. A\u00ed, sim, as tietes entraram em del\u00edrio, mas sem resultados pr\u00e1ticos. Todos entraram ilesos na van que os levou dali. As mocinhas tamb\u00e9m se foram, deixando a ala vazia para que, enfim, a dona Yolanda pudesse chegar sem quaisquer transtornos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foi h\u00e1 coisa de dois tr\u00eas anos.<\/p>\n<p>Dona Yolanda resolveu visitar a filha Rosa que mora em Vit\u00f3ria.<\/p>\n<p>Passou uns dias por l\u00e1 \u2013 e na volta,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-11783","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11783","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11783"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11783\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16194,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11783\/revisions\/16194"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11783"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11783"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11783"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}