{"id":11807,"date":"2010-12-17T00:00:00","date_gmt":"2010-12-17T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:33:27","modified_gmt":"2017-09-15T19:33:27","slug":"o-reencontro","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/o-reencontro\/","title":{"rendered":"O reencontro"},"content":{"rendered":"<p>Encontraram-se depois de tantos anos. <\/p>\n<p>N\u00e3o muitos; quatro ou cinco. O suficiente para entenderem-se diferentes de quando se separaram; por iniciativa dela, para desespero dele.<\/p>\n<p>O reencontro agora, marcado por um formalismo mais do que \u00f3bvio (um \u201col\u00e1\u201d pra c\u00e1, um \u201ctudo bem\u201d pra l\u00e1), aconteceu porque ela tomou a iniciativa de ligar \u2013 e insistir. <\/p>\n<p>Deve ser o clima de fim de ano, tantas celebra\u00e7\u00f5es, tantos congra\u00e7amentos, ele pensou \u2013 e resolveu topar sem muita convic\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Ela, n\u00e3o. Sabia bem o que queria: ouvi-lo.<\/p>\n<p>Como de costume, ela estava cheia de d\u00favidas sobre o que fazer da vida. <\/p>\n<p>Como de costume, estava em d\u00edvida com ela mesma. <\/p>\n<p>N\u00e3o foi \u00e0 toa que se livrou da cantilena de certo e errado, com a qual ele sempre procurou orienta-la enquanto estavam juntos. Queria mais e melhor. No entanto, tanto tempo depois (n\u00e3o eram tantos, insisto; embora para ela quatro ou cinco anos fossem uma eternidade) e a mo\u00e7a se sentia no mesmo lugar, imbricada em medos e desejos profissionais \u2013 e, como lhe explicar, absolutamente s\u00f3. <\/p>\n<p>Nem sempre ter um mont\u00e3o de gente ao lado significa escapar \u00e0 solid\u00e3o, ao inexor\u00e1vel vazio de estar avulso neste mund\u00e3o de Meu Deus.<\/p>\n<p>Mas, quando procurou na velha agenda de papel o n\u00famero que por anos e anos soube de cor, a id\u00e9ia era mesmo ouvi-lo e lhe pedir um norte para a carreira e a vida.<\/p>\n<p>Agora, estavam ali, frente a frente, naquela mesa de restaurante simples, para um almo\u00e7o, como disse acima, formal entre dois bons amigos. <\/p>\n<p>Curioso! <\/p>\n<p>Quando ela dizia que n\u00e3o deviam se levar t\u00e3o a s\u00e9rio, ele surtava.<\/p>\n<p>&#8212; Podemos ser amigos casuais, topa?<\/p>\n<p>Ele nem respondia, de tanta indigna\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Agora, repito, estavam ali, como bons amigos. Ele falava sem parar, vislumbrando rumos e prumos para o seu futuro na empresa ou mesmo em um neg\u00f3cio pr\u00f3prio.<br \/>\nEla ouvia, a princ\u00edpio, interessada. Mas,m logo veio uma  incontrol\u00e1vel vontade de cortar aquele discurso com uma pergunta nada a ver.<\/p>\n<p>Foi o que fez: <\/p>\n<p>&#8212; Se eu n\u00e3o tivesse bancado a louca e fugido pra longe, ser\u00e1 que voc\u00ea toparia largar tudo por mim?<\/p>\n<p>Surpreso, ele interrompeu o que dizia, sem terminar a frase. <\/p>\n<p>Fez-se um brev\u00edssimo instante de sil\u00eancio. Pareceu que todo o restaurante vivia aquele momento de defini\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o lhe respondeu sinceramente, mas dentro do formalismo que pautou aquele reencontro: <\/p>\n<p>&#8212; Provavelmente, sim. <\/p>\n<p>Mas, ressaltou, n\u00e3o podia assegurar nada. Porque nem ele, nem ela tinham certeza de nada. S\u00f3 da intensidade de tudo o que viveram, e da dor da separa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8212; N\u00e3o tenho como lhe responder hoje a uma pergunta que deveria ter sido feita quatro ou cinco anos antes. <\/p>\n<p>Talvez n\u00e3o fosse essa a resposta que ela gostaria de ouvir. <\/p>\n<p>Mas, entendeu que era a \u00fanica que ele poderia lhe dar naquele preciso instante.<\/p>\n<p>No amor, como na vida, tudo tem seu tempo certo. At\u00e9 para continuar indefinido&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Encontraram-se depois de tantos anos. <\/p>\n<p>N\u00e3o muitos; quatro ou cinco. 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