{"id":11812,"date":"2010-12-22T00:00:00","date_gmt":"2010-12-22T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:33:26","modified_gmt":"2017-09-15T19:33:26","slug":"parte-2-escova-e-a-policial","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/parte-2-escova-e-a-policial\/","title":{"rendered":"Parte 2 &#8211; Escova e a policial"},"content":{"rendered":"<p>VII.<\/p>\n<p>Acreditem se quiserem&#8230;<\/p>\n<p>A Doutora Delegada n\u00e3o tinha mais do que 30 anos, nem isso.<\/p>\n<p>Era linda.<\/p>\n<p>Mais do que linda.<\/p>\n<p>Era tudo o que ele sempre sonhou em seus mais enlevados devaneios.<\/p>\n<p>Com o que Escova era assim. <\/p>\n<p>Todo dia era dia de encontrar a mulher da sua vida \u2013 tantas quantas por ele passassem e ele se engra\u00e7asse.<\/p>\n<p>Por que n\u00e3o em um Distrito Policial?<\/p>\n<p>VIII.<\/p>\n<p>&#8212; O que temos hoje para come\u00e7ar o plant\u00e3o? \u2013 disse a delega, com certo fastio.<\/p>\n<p>O jornalista ficou ainda mais embevecido.<\/p>\n<p>Nunca imaginou que a voz de uma autoridade tornar-se-ia m\u00fasica para seus ouvidos.<\/p>\n<p>Temeu pelo pior, no entanto.<\/p>\n<p>Que o seu caso fosse o primeiro a ser chamado.<\/p>\n<p>E foi.<\/p>\n<p>IX.<\/p>\n<p>Ao se ajeitar na cadeira em frente a ela, teve \u2013 o que chamou depois para n\u00f3s, na reda\u00e7\u00e3o de \u2013 a antevis\u00e3o do para\u00edso. A Doutora virara para guardar a arma que tirou da bolsa em um arm\u00e1rio, a blusa subiu um tantinho eduas pequenas estrelas surgiram, l\u00fadicas e inspiradoras, tatuadas logo acima do c\u00f3s da cal\u00e7a. <\/p>\n<p>Fechou os olhos para melhor memorizar a cena. <\/p>\n<p>Sorriu ao lembrar que os xerif\u00f5es do Velho Oeste usavam uma estrela espetada no colete \u00e0 altura do peito para identific\u00e1-los como agentes da Lei.<\/p>\n<p>Humilde e resignado, sentindo-se um privilegiado, agradeceu a mudan\u00e7a dos tempos e dos h\u00e1bitos.<\/p>\n<p>\u201cBendita nota de cinquenta\u201d, murmurou baixinho.<\/p>\n<p>X.<\/p>\n<p>&#8212; O que o senhor disse?<\/p>\n<p>Odiou que ela o tenha chamado de \u201csenhor\u201d. Mas, desconsiderou. Resolveu enfrentar a bela que parecia ser tamb\u00e9m uma fera.<\/p>\n<p>&#8212; Eu sou inocente. Foi apenas um descuido, eu esqueci que&#8230;<\/p>\n<p>O policial, causador da encrenca, nem deixou que ele conclu\u00edsse e passou a narrar a sua vers\u00e3o do ocorrido.<\/p>\n<p>Enquanto ouvia o depoimento do figura, Escova pensou que seria o pr\u00f3ximo a ser chamado para dar o outro lado da hist\u00f3ria. Poderia contar a ela como foi cansativo o dia, o quanto trabalhara pesado. N\u00e3o, n\u00e3o. Seria legal deixar claro que era apenas um homem s\u00f3. Que gostava de cinema, teatro, viajar de quando em quando. Adorava m\u00fasica. Um rom\u00e2ntico inveterado. Inclusive estava ouvindo um CD do J\u00falio Iglesias quando o amigo policial fez com que parasse o carro \u2013 um carro novo, diga-se \u2013 para verificar os documentos e&#8230;<\/p>\n<p>XI.<\/p>\n<p>&#8212; O senhor pode ir. Tiramos sua ficha, verificamos os documentos. Vou acreditar que foi mesmo apenas um descuido. <\/p>\n<p>(Ela tinha um tom firme e despachado, mas doce, doce&#8230;)<\/p>\n<p>&#8212; \u00c9 que eu&#8230;<\/p>\n<p>(V\u00e3 e in\u00fatil tentativa do homem com o cora\u00e7\u00e3o dilacerado pela s\u00fabita paix\u00e3o.)<\/p>\n<p>&#8212; Como disse, o senhor est\u00e1 dispensado. Mas que tal fato n\u00e3o se repita novamente.<\/p>\n<p>Falou a instigante voz da Lei, era melhor obedecer.<\/p>\n<p>Mas, jurou para si mesmo:<\/p>\n<p>\u201cUm dia eu volto!\u201d<\/p>\n<p>S\u00f3 lhe aborrecia o fato de ela insistir em cham\u00e1-lo de senhor:<\/p>\n<p>&#8212;  O \u201cSenhor\u201d est\u00e1 no c\u00e9u, dona&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VII.<\/p>\n<p>Acreditem se quiserem&#8230;<\/p>\n<p>A Doutora Delegada n\u00e3o tinha mais do que 30 anos, nem isso.<\/p>\n<p>Era linda.<\/p>\n<p>Mais do que linda.<\/p>\n<p>Era tudo o que ele sempre sonhou em seus mais enlevados devaneios.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-11812","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11812","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11812"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11812\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16165,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11812\/revisions\/16165"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11812"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11812"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11812"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}