{"id":11835,"date":"2011-02-07T00:00:00","date_gmt":"2011-02-07T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:32:45","modified_gmt":"2017-09-15T19:32:45","slug":"ultimo-tango","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/ultimo-tango\/","title":{"rendered":"\u00daltimo Tango"},"content":{"rendered":"<p>Lembrava-me pouco, quase nada, do filme O \u00daltimo Tango em Paris que revi neste fim de semana em um dos canais da TV por assinatura.<\/p>\n<p>\u00c9 compreens\u00edvel este lapso de mem\u00f3ria, creio.<\/p>\n<p>Um tanto pela minha idade, outro tanto porque vi o filme de Bernardo Bertolucci em 1979 \u2013 h\u00e1 32 anos, portanto &#8212; quando foi exibido no Brasil. Mais de olho em Maria Schneider, ent\u00e3o com 19 anos, do que no intrincado enredo.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, vale dizer, foi preciso mudar o Pa\u00eds (que ent\u00e3o j\u00e1 respirava ares de redemocratiza\u00e7\u00e3o) para que a censura o liberasse, oito anos ap\u00f3s a sua realiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Causaram pol\u00eamica \u2013 e o consequente veto &#8211; as cenas de sexo entre a jovem parisiense (Schneider, falecida semana passada, aos 58 anos) e o vi\u00favo americano de meia-idade (Marlon Brando) que se conhecem por acaso e partem para um relacionamento intenso, ca\u00f3tico, sem futuro, sem passado.<\/p>\n<p>\u00c0 \u00e9poca, sempre que me perguntavam se havia gostado ou n\u00e3o do filme, esgueirava-me da resposta com uma brincadeira:<\/p>\n<p>&quot;S\u00f3 os dois se divertem, p\u00f4!&quot;, tantas e tamanhas eram os \u2018pegas\u2019 que acontecem na mais de duas horas de proje\u00e7\u00e3o &#8211; entre as quais, a mais famosa delas que consagrou um naco de manteiga como terceira protagonista do filme.<\/p>\n<p>Hoje, por\u00e9m, reconhe\u00e7o: a obra do italiano Bertolucci \u00e9 bem mais do que a tal cena e a beleza juvenil de Schneider.<\/p>\n<p>Explora a est\u00e9tica existencialista em voga nos anos 60\/70 quando uma infinidade de conceitos e valores comportamentais rolaram ladeira abaixo \u2013 e nunca mais foram os mesmos.<\/p>\n<p>\u00c9 um filme datado, sem d\u00favida.  <\/p>\n<p>Antes da AIDS e antes da depila\u00e7\u00e3o feminina (o nu frontal de atriz foi outra das causas da proibi\u00e7\u00e3o pelas autoridades).<\/p>\n<p>Se rodado em tempos atuais, seria considerado uma \u201cbobagem\u201d politicamente incorreta at\u00e9 pelo baixo astral que domina grande parte do roteiro. <\/p>\n<p>No entanto, mesmo com toda a catarse emocional que o envolve, \u00e9 de se notar a poesia exasperada e libert\u00e1ria no encontro entre os dois malucos-belezas.<\/p>\n<p>Para uma madrugada vazia de s\u00e1bado para domingo, diria que ficou de bom tamanho a reprise.<\/p>\n<p>Mas, sinceramente continuo sem uma opini\u00e3o formada sobre&#8230;<\/p>\n<p>Acho mesmo que este foi o dilema da gera\u00e7\u00e3o setentista: ansi\u00e1vamos pela liberdade absoluta, inconsequente, visceral; mas nos acomod\u00e1vamos feitos luvas ao lado mais convencional da vida.<\/p>\n<p>A bem da verdade, quem melhor definiu essa ang\u00fastia foi o cantor\/compositor Belchior nos versos de uma velha can\u00e7\u00e3o que a voz de Elis imortalizou:<\/p>\n<p>&quot;Minha dor \u00e9 perceber<\/p>\n<p> Que apesar de tudo, <\/p>\n<p> Tudo o que fizemos<\/p>\n<p> Ainda somos os mesmos<\/p>\n<p> E vivemos<\/p>\n<p> Como os nossos pais&quot;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lembrava-me pouco, quase nada, do filme O \u00daltimo Tango em Paris que revi neste fim de semana em um dos canais da TV por assinatura.<\/p>\n<p>\u00c9 compreens\u00edvel este lapso de mem\u00f3ria,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-11835","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11835","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11835"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11835\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16145,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11835\/revisions\/16145"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11835"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11835"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11835"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}