{"id":11865,"date":"2011-03-13T00:00:00","date_gmt":"2011-03-13T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:32:42","modified_gmt":"2017-09-15T19:32:42","slug":"tchinim-a-caminha-da-vila-da-alegria","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/tchinim-a-caminha-da-vila-da-alegria\/","title":{"rendered":"Tchinim, a caminha da Vila da Alegria"},"content":{"rendered":"<p>Tchinim gostava de acompanhar a av\u00f3 Ign\u00eas em suas idas \u00e0 Vila da Alegria.<\/p>\n<p>Ao menos em uma das noites da semana, ela visitava \u00e0 comadre, dona Pimeta, que era casada com o seo Giusepe, e tinha uma filha que se chamava Pia Rosa.<\/p>\n<p>No caminho, entre a rua Lavap\u00e9s (onde moravam os av\u00f3s de Tchinim) e a Vila, era obrigat\u00f3ria uma parada na vendinha de Giusepe, na avenida Lins de Vasconcelos. L\u00e1, enquanto aguardavam a comadre livrar-se dos afazeres do balc\u00e3o para ir embora, o garoto quedava-se fascinado com o olhar fixo na gaveta repleta de bolinhas de gudes que estavam \u00e0 venda. De beleza faiscante, Tchinim sonhava ser o feliz propriet\u00e1rio de todas elas \u2013 e, de posse de tamanha e invej\u00e1vel riqueza, considerava-se o homem mais feliz e poderoso do mundo.<\/p>\n<p>Vez ou outra, o bom italiano o presenteava com uma ou duas daquelas inebriantes preciosidades, feitas em vidro e sonhos.<\/p>\n<p>Generosidade que valia a noite \u2013 e o fazia delirar.<\/p>\n<p>O garoto \u2013 como todos os garotos, creio; e inclusive alguns adultos \u2013 tinha uma tend\u00eancia em imaginar coisas.<\/p>\n<p>Da\u00ed que n\u00e3o ser raro ver-se como uma esp\u00e9cie de Ali Bab\u00e1. Sem os quarenta ladr\u00f5es, l\u00f3gico. <\/p>\n<p>Via-se, na calada da noite, entrando no emp\u00f3rio pelo al\u00e7ap\u00e3o e o facho de sua lanterna a carv\u00e3o a iluminar a gaveta encantada. Em r\u00e1pidos gestos, todas aquelas p\u00e9rolas multicoloridas passavam para a sacola que o salteador carregava. De quebra, ainda tomaria um guaran\u00e1 ca\u00e7ula e partiria sem deixar vest\u00edgios.<\/p>\n<p>Esconderia o tesouro na caverna m\u00e1gica que existia em seus devaneios, e que se abriria assim que dissesse a palavra m\u00e1gica, que s\u00f3 ele, Tchim, conhecia:<\/p>\n<p>&#8212; Abra-te, S\u00e9samo!<\/p>\n<p>Ou seria:<\/p>\n<p>&#8212; Abracadabra!<\/p>\n<p>Ou ainda:<\/p>\n<p>&#8212; Piririplimplim!<\/p>\n<p>Bem, que a m\u00e3e lhe dizia para ter mais aten\u00e7\u00e3o ao ler os livros que o pai lhe dera.<\/p>\n<p>E agora, o que faria?<\/p>\n<p>Estava ali \u2013 em pleno sonho \u2013 com aquele peda\u00e7o saco de bolinhas de gude, pesado pra caramba, sem ter onde colocar.<\/p>\n<p>Desistiu do sonho numa boa. Voltou a realidade! Ademais, era ruim demais jogando \u2018ca\u00e7apava\u2019 pra valer. Seu tesouro &#8211; se \u00e9 que um dia chagasse a ser seu \u2013 seria dizimado pelas b\u00e1rbaras \u2018estecas\u2019 dos garotos da rua. <\/p>\n<p>De verdade mesmo, ele gostava de jogar futebol.<\/p>\n<p>Seria igual ao Mazzola, centro avante do Palmeiras, a quem o pai chamava de \u201co maior jogador do mundo\u201d, naqueles fugidios e l\u00fadicos anos 50, (A.P.). Ou seja, antes da Era Pel\u00e9.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tchinim gostava de acompanhar a av\u00f3 Ign\u00eas em suas idas \u00e0 Vila da Alegria.<\/p>\n<p>Ao menos em uma das noites da semana, ela visitava \u00e0 comadre, dona Pimeta, que era casada com o seo Giusepe,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-11865","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11865","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11865"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11865\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16116,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11865\/revisions\/16116"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11865"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11865"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11865"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}