{"id":11866,"date":"2011-03-14T00:00:00","date_gmt":"2011-03-14T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:32:42","modified_gmt":"2017-09-15T19:32:42","slug":"tchinim-e-o-motociclista-na-vila-alegria","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/tchinim-e-o-motociclista-na-vila-alegria\/","title":{"rendered":"Tchinim e o motociclista, na Vila Alegria"},"content":{"rendered":"<p>Naqueles idos dos anos 50, S\u00e3o Paulo j\u00e1 dava ind\u00edcios da metr\u00f3pole em que se transformaria. <\/p>\n<p>N\u00e3o conhecia motoboys, nem motoqueiros.<\/p>\n<p>As lambretas ainda n\u00e3o haviam virado a coqueluche \u2013 o que aconteceria anos depois.<\/p>\n<p>Eram raras as motocicletas que circulavam pelas ruas cal\u00e7adas de paralelep\u00edpedos da cidade.<\/p>\n<p>Chamava-se de motociclista quem possu\u00eda uma delas.<\/p>\n<p>Pois n\u00e3o \u00e9 que havia um motociclista que morava na Vila da Alegria.<\/p>\n<p>Ele alugava um quarto na casa de um casal de idoso.<\/p>\n<p>A moto dormia na cal\u00e7ada em frente \u00e0 janela que dava para a rua e o quarto do rapaz.  Ele a cobria com uma lona, dessas que os caminhoneiros usam para resguardar a carga.<\/p>\n<p>Para a garotada da Vila, era um verdadeiro ritual v\u00ea-lo tirar a prote\u00e7\u00e3o da moto e faz\u00ea-la pegar, com fortes pedaladas. <\/p>\n<p>O \u00e9bano da lataria ressurgia faiscante, e fazia surgir o monstro abissal que logo se punha a rugir.<\/p>\n<p>Carros n\u00e3o entravam na Vila.<\/p>\n<p>Da\u00ed que as chegadas e sa\u00eddas do motociclista eram a principal preocupa\u00e7\u00e3o dos pais.<\/p>\n<p>V\u00e1rios deles pediram prud\u00eancia ao rapaz, pois os filhos e os amigos dos filhos viviam de brincadeiras pela Vila \u2013 e n\u00e3o seria justo poup\u00e1-los dessa alegria em fun\u00e7\u00e3o dos eventuais riscos pela passagem do ve\u00edculo.<\/p>\n<p>De olho nos encantos de Pia Rosa, a filha da dona Pimeta e do seo Giusepe, o motociclistas jurou todos os cuidados poss\u00edveis e imagin\u00e1veis.<\/p>\n<p>Era um bom mo\u00e7o, diziam todos.<\/p>\n<p>N\u00e3o raras vezes o viram subindo e descendo a Vila empurrando a \u2018bichinha\u2019.<\/p>\n<p>S\u00f3 que, mesmo assim, certa noite aconteceu o que todos temiam.<\/p>\n<p>Foi num \u00e1timo de segundo.<\/p>\n<p>O mo\u00e7o conversava com Pia Rosa na beira da cal\u00e7ada. Ainda inebriado pelo olhar da amada, acelerou a moto no exato instante em que Tchinim saiu do esconderijo e corria em dire\u00e7\u00e3o ao pique.  <\/p>\n<p>O choque foi inevit\u00e1vel \u2013 assim como os gritos de socorro que vieram a seguir.<\/p>\n<p>A Vila inteira saiu \u00e0 rua para inteirar-se da quase trag\u00e9dia.<\/p>\n<p>Tudo n\u00e3o passou de um susto.<\/p>\n<p>Quando o garoto voltou a si, estava na farm\u00e1cia do Sr. J\u00falio. <\/p>\n<p>Ostentava um pequeno corte no rosto \u2013 e um sorriso maroto.<\/p>\n<p>Do atropelamento nada lembrava \u2013 para alguns, foi Tchinim que atropelou a moto. Mas, ainda sentia a maciez do colo de Pia Rosa, a primeira a lhe socorrer.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Naqueles idos dos anos 50, S\u00e3o Paulo j\u00e1 dava ind\u00edcios da metr\u00f3pole em que se transformaria. <\/p>\n<p>N\u00e3o conhecia motoboys, nem motoqueiros.<\/p>\n<p>As lambretas ainda n\u00e3o haviam virado a coqueluche \u2013 o que aconteceria anos depois.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-11866","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11866","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11866"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11866\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16115,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11866\/revisions\/16115"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11866"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11866"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11866"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}