{"id":11906,"date":"2011-04-23T00:00:00","date_gmt":"2011-04-23T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:32:37","modified_gmt":"2017-09-15T19:32:37","slug":"brasiljapao","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/brasiljapao\/","title":{"rendered":"Brasil\/Jap\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Passei esses dias envolvido com a finaliza\u00e7\u00e3o de um texto sobre a vida do empres\u00e1rio Katsumi Hirota, um dos pioneiros da imigra\u00e7\u00e3o japonesa no Brasil. Trata-se de um livro que pretendemos \u2013 eu e o idealizador, seu filho Francisco &#8212;  seja lan\u00e7ado ainda em junho deste ano, quando se completa um ano do falecimento de Katsumi \u2013 no Brasil, chamado de Mathias.<\/p>\n<p>Em recente artigo para o jornal Folha de S. Paulo, o  a empres\u00e1ria, escritora e deputada federal, Keiko Ota, comentou a trag\u00e9dia que se abateu sobre o Jap\u00e3o semanas atr\u00e1s. Depois de real\u00e7ar a capacidade do homem japon\u00eas em recuperar-se ap\u00f3s cat\u00e1strofes naturais ou n\u00e3o, ela concluiu:<\/p>\n<p>\u201cEste ano, o sakura-zensen, isto \u00e9, o desabrochar das cerejeiras, ao anunciar a primavera, se revestir\u00e1 de um significado especial: ser\u00e1 o aflorar de um novo Jap\u00e3o, que se reerguer\u00e1 pelo trabalho obstinado de seu povo, e pela solidariedade de povos irm\u00e3os.\u201d<\/p>\n<p>Esses dois momentos me fizeram lembrar uma de minhas tarefas de rep\u00f3rter.<\/p>\n<p>Durante uma semana perambulei, como rep\u00f3rter, pelos corredores e salas do Consulado do Jap\u00e3o em S\u00e3o Paulo, na avenida Paulista. Foi em 1988 a prop\u00f3sito das comemora\u00e7\u00f5es dos 80 anos da imigra\u00e7\u00e3o japonesa para o Brasil. Prestava servi\u00e7os a um jornal que, na ocasi\u00e3o, planejou om lan\u00e7amento de um suplemento especial sobre a efem\u00e9ride.<\/p>\n<p>Conversei com muita gente \u2013 japoneses e descendentes. Por vezes, precisei da ajuda de uma int\u00e9rprete, sempre solicita, que ao fim da minha jornada de trabalho, fez duas observa\u00e7\u00f5es que ainda hoje me s\u00e3o inesquec\u00edveis.<\/p>\n<p>\u201cSeria muito  bom se os japoneses assimilassem do brasileiro esse jeito mais leve de encarar a vida\u201d, disse-me ela em tom coloquial. \u201cVoc\u00eas est\u00e3o sempre pronto para ser feliz\u201d, completou.<\/p>\n<p> De outro modo, fiz quest\u00e3o de ressaltar, seria \u00f3timo se o brasileiro olhasse, com mais seriedade e determina\u00e7\u00e3o, para o lado mais s\u00e9rio da vida. <\/p>\n<p>&#8212; O Carnaval n\u00e3o dura o ano todo, acrescentei.<\/p>\n<p>Reservada, como s\u00f3 e acontecer com os orientais, ela nada disse. Esbo\u00e7ou um riso t\u00edmido e ficamos, em sil\u00eancio, a refletir sobre o teor daquela conversa. Minutos depois ela quebrou o sil\u00eancio para a segunda observa\u00e7\u00e3o que achei perfeita:<\/p>\n<p>\u201cApesar de todas as diferen\u00e7as entre os dois povos, Brasil e Jap\u00e3o, mesmo distante geogr\u00e1fica e culturalmente, est\u00e3o cada vez mais integrados e pr\u00f3ximos. Hoje s\u00e3o na\u00e7\u00f5es que muito podem contribuir para um mundo melhor .\u201d<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 exagero dizer que foi o suor dos imigrantes, vindos de todas as partes de mundo \u2013 entre os quais, inclusive e principalmente, os japoneses \u2013 ajudaram a vencer condignamente essas etapas e, irmanados, forjaram o Brasil de hoje.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Passei esses dias envolvido com a finaliza\u00e7\u00e3o de um texto sobre a vida do empres\u00e1rio Katsumi Hirota, um dos pioneiros da imigra\u00e7\u00e3o japonesa no Brasil. 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