{"id":11932,"date":"2011-06-05T00:00:00","date_gmt":"2011-06-05T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2018-08-17T19:23:10","modified_gmt":"2018-08-17T19:23:10","slug":"historias-de-adoniran-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/historias-de-adoniran-2\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3rias de Adoniran (2)"},"content":{"rendered":"<p>Cumpro hoje a promessa que lhes fiz.<\/p>\n<p>De contar a hist\u00f3ria de Adoniran que ontem me escapou.<\/p>\n<p>Seguinte:<\/p>\n<p>No in\u00edcio de carreira, Adoniran costumava frequentar os chamados \u201cdancings\u201d.<\/p>\n<p>Dancings eram lugares onde a rapaziada literalmente pagava para dan\u00e7ar.<\/p>\n<p>Explico aos mais jovens.<\/p>\n<p>Era um sal\u00e3o com uma portentosa orquestra e um cast de dan\u00e7arinas que ficavam \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o dos cavalheiros, mediante \u00e0 apresenta\u00e7\u00e3o de t\u00edquete que o pimp\u00e3o comprava assim que chegava ao local.<\/p>\n<p>De acordo com as posses e o interesse, l\u00e1 ia o rapaz para uma, duas, tr\u00eas contradan\u00e7as com a deusa da pista que mais lhe aprouvesse.<\/p>\n<p>Antes de qualquer coisa, conv\u00e9m registrar que a coisa parava por a\u00ed mesmo; digamos, no aspecto l\u00fadico e glamouroso da dan\u00e7a.<\/p>\n<p>Se mais houvesse entre o casal, n\u00e3o era de responsabilidade da casa.<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que o jovem Adoniran divertia-se a valer nesses volteios de aluguel.<\/p>\n<p>S\u00f3 que na base do dois pra l\u00e1, dois pra c\u00e1 foi inevit\u00e1vel a s\u00fabita paix\u00e3o por uma das dan\u00e7arinas.<\/p>\n<p>Para n\u00e3o perder o fregu\u00eas ou apenas e t\u00e3o enigmaticamente por ser mulher, ela n\u00e3o dizia que sim, mas tamb\u00e9m n\u00e3o afirmava que n\u00e3o.<\/p>\n<p>Talvez, quem sabe, pode ser, vou pensar&#8230;<\/p>\n<p>Qual marmanjo n\u00e3o se perdeu nesse lusco-fusco de promessas v\u00e3s?<\/p>\n<p>Para incrementar o poss\u00edvel romance, Adoniran usou sua arma mais decisiva.<\/p>\n<p>Em meio a um bolero, devidamente picotado, ele n\u00e3o deixou por menos:<\/p>\n<p>&#8211;Vou fazer uma can\u00e7\u00e3o para voc\u00ea.<\/p>\n<p>A mo\u00e7a sorriu. Mas, nem por isso, mudou de comportamento.<\/p>\n<p>Continuou nas noites seguintes t\u00e3o indiferente quanto antes.<\/p>\n<p>Mesmo assim, o compositor dentro dele falou mais alto \u2013 e cumpriu a promessa.<\/p>\n<p>Em uma noite, surpreendeu a dan\u00e7arina lhe entregando, em m\u00e3os, os versos do samba que fizera em sua homenagem. Em breve estaria nas vozes de Os Dem\u00f4nios da Garoa, e ela poderia derreter-se toda ao ouvi-lo.<\/p>\n<p>Era assim que gostaria de eterniza-la.<\/p>\n<p>O samba chama-se \u201cIracema\u201d, aquele que a amada morre atropelada (\u201cveio um carro, te pega, e te pincha no ch\u00e3o\u201d) e ainda toma uma carraspana:<\/p>\n<p>\u201cEu falava, mas voc\u00ea n\u00e3o me escutava n\u00e3o.<br \/>\nIracema voc\u00ea travessou contram\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>(Convenhamos. Foi uma ing\u00eanua, mas deliciosa vingan\u00e7a.)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cumpro hoje a promessa que lhes fiz.<\/p>\n<p>De contar a hist\u00f3ria de Adoniran que ontem me escapou.<\/p>\n<p>Seguinte:<\/p>\n<p>No in\u00edcio de carreira, Adoniran costumava frequentar os chamados \u201cdancings\u201d.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-11932","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11932","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11932"}],"version-history":[{"count":3,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11932\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19257,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11932\/revisions\/19257"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11932"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11932"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11932"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}