{"id":11951,"date":"2011-06-24T00:00:00","date_gmt":"2011-06-24T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:29:39","modified_gmt":"2017-09-15T19:29:39","slug":"noites-de-sao-joao","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/noites-de-sao-joao\/","title":{"rendered":"Noites de S\u00e3o Jo\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Talvez pelo nome que lhe deram na pia batismal, Jo\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>Talvez porque sempre fora quieto, na sua; meio diferent\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>Talvez por outro motivo qualquer que nunca soube explicar&#8230;<\/p>\n<p>Talvez&#8230;<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Fato \u00e9 que esperava pela noite de S\u00e3o Jo\u00e3o assim como a maioria dos mortais aguarda ansiosamente a noite do reveillon.<\/p>\n<p>Era mesmo uma maneira inusitada de contar o tempo, vestir roupa nova e renovar promessas, sonhos. E algumas fantasias tamb\u00e9m; o olhar de Ligia, por exemplo.<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>N\u00e3o tinha l\u00e1 boas recorda\u00e7\u00f5es das viradas de ano. Achava tudo aquilo artificial, a festa, as pessoas sorrindo e confraternizando-se; b\u00eabadas, generosas e obrigatoriamente felizes.<\/p>\n<p>Felizes, expansiva e ruidosamente felizes, como ele, Jo\u00e3o, nunca soube ser.<\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>As melhores recorda\u00e7\u00f5es vinham mesmo das noites de 24 de junho que vivera na inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p>A fogueira que a vizinhan\u00e7a armava em frente \u00e0s casas, junto ao meio fio &#8211; quase n\u00e3o havia carros nas ruas. <\/p>\n<p>A mesa de quitutes \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de todos, junto a parede de uma das resid\u00eancias. <\/p>\n<p>Os adultos a formar grandes rodas nas cal\u00e7adas, sentados em cadeiras que traziam da pr\u00f3pria resid\u00eancia. <\/p>\n<p>A correria das crian\u00e7as em meio a brincadeiras que se inventava na hora \u2013 pega-pega, como-est\u00e1-fica, passa-anel, entre outras. <\/p>\n<p>O cen\u00e1rio se completava com o c\u00e9u pipocado pelas luzes das estrelas e das tochas dos bal\u00f5es.<\/p>\n<p>T\u00e3o lindo e inesquec\u00edvel quanto os olhos extasiados de Ligia, diante das labaredas da fogueira.<\/p>\n<p>V.<\/p>\n<p>Ligia Maria, a menina mais bonita da rua.<\/p>\n<p>Era filha do doutor dentista, fazia aulas de piano e ballet.<\/p>\n<p>Para aquela vila de oper\u00e1rios e suburbanos, uma leg\u00edtima princesa.<\/p>\n<p>Todos os garotos queriam namor\u00e1-la. <\/p>\n<p>Jo\u00e3o, inclusive.<\/p>\n<p>VI.<\/p>\n<p>Numa daquelas noites de S\u00e3o Jo\u00e3o, os adultos insistiram para que se formassem os pares para a dan\u00e7a da quadrilha. <\/p>\n<p>Jo\u00e3o hesitou \u2013 era t\u00edmido, mas n\u00e3o teve como escapar. <\/p>\n<p>O acaso se fez generoso. <\/p>\n<p>Foi o noivo. <\/p>\n<p>Adivinhem quem foi a noiva? <\/p>\n<p>Exatamente. Ligia.<\/p>\n<p>VII.<\/p>\n<p>Foi a vez que estiveram mais pr\u00f3ximos.<\/p>\n<p>Foi a vez de Jo\u00e3o sentir-se o mais feliz dos garotos da face da terra.<\/p>\n<p>S\u00f3 as crian\u00e7as t\u00eam esse dom de maravilhar-se, e domar o ef\u00eamero.<\/p>\n<p>Eternizar o momento.<\/p>\n<p>VIII.<\/p>\n<p>Talvez seja o que ele ainda procure nessas noites de junho.<\/p>\n<p>Com seu jeit\u00e3o tristonho, preserva o menino sonhador que um dia foi \u2013 e sempre ser\u00e1.<\/p>\n<p>Ao seu modo, ainda espera ser feliz, como cada um de n\u00f3s; meninos crescidos e sonhadores. <\/p>\n<p>Que S\u00e3o Jo\u00e3o acenda a fogueira dos nossos cora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Talvez pelo nome que lhe deram na pia batismal, Jo\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>Talvez porque sempre fora quieto, na sua; meio diferent\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>Talvez por outro motivo qualquer que nunca soube explicar&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-11951","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11951","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11951"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11951\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16030,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11951\/revisions\/16030"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11951"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11951"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11951"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}