{"id":12061,"date":"2011-11-06T00:00:00","date_gmt":"2011-11-06T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:27:58","modified_gmt":"2017-09-15T19:27:58","slug":"o-letreiro-da-rua","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/o-letreiro-da-rua\/","title":{"rendered":"O Letreiro da Rua"},"content":{"rendered":"<p>\u00c9 mais do que c\u00e9lebre a hist\u00f3ria de que Ant\u00f4nio Carlos Jobim morou por longos e longos anos na rua Nascimento Silva, no bairro de Ipanema. Tanto que Vinicius de Moraes e o parceiro Toquinho transformaram o endere\u00e7o do artista em verso da can\u00e7\u00e3o \u201cCarta Ao Tom\u201d, em 1974.<\/p>\n<p>\u201cRua Nascimento Silva 107<br \/>\nVoc\u00ea ensinando pra Elizeth<br \/>\nAs can\u00e7\u00f5es de Can\u00e7\u00e3o de Amor Demais\u201d<\/p>\n<p>O que poucos sabem \u00e9 que havia nas imedia\u00e7\u00f5es outro habitante ilustre, Carlinhos Lira, t\u00e3o compositor, t\u00e3o bossanovista e t\u00e3o parceiro de Vinicius quanto Tom.<\/p>\n<p>Naqueles fins dos anos 50, em que era costume a entrega do leite e do p\u00e3o nas portas da casa, o Poetinha inaugurou, no m\u00ednimo, outro curioso delivery: o de letras de can\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Por isso, era chamado pelos amigos como o Letreiro da Rua.<\/p>\n<p>N\u00e3o era cena rara v\u00ea-lo, terno e gravata, \u00f3culos de grossa arma\u00e7\u00e3o, tocando a campainha da casa de um e de outro para esvaziar os bolsos do palet\u00f3 e lhes entregar amarfanhadas folhas arrancadas de cadernos, com os versos que seriam musicados em obras primas como \u201cGarota de Ipanema\u201d e \u201cMinha Namorada\u201d, entre outros.<\/p>\n<p>A turma n\u00e3o dispunha de nenhum gravadorzinho port\u00e1til para facilitar a tarefa. Os compositores mal-e-mal passavam as harmonias para o amigo letrista que se viraria mais tarde, do jeito que desse e de mem\u00f3ria, na mesa de um bar em fim de noite ou mesmo na pr\u00f3pria casa n\u00e3o muito longe dali.<\/p>\n<p>Como todo sabemos, o Poetinha saiu-se extraordinariamente bem; salvo um ou outro engano.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, foi o que aconteceu no dia em que entrou, com pressa, na casa de Lira e lhe entregou a encomenda. Ainda precisava passar na casa de Tom, pois no outro bolso estava a letra de uma nova can\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mesmo assim, Lira pediu ao amigo que esperasse um minuto que fosse para ver se aqueles belos versos se encaixavam. <\/p>\n<p>Pegou o viol\u00e3o \u2013 e se p\u00f4s cantarolar:<\/p>\n<p>\u201cOlha&#8230; que coisa&#8230; mais linda&#8230; Mais&#8230; cheia&#8230; de gra\u00e7a&#8230;\u201d <\/p>\n<p>Parou de s\u00fabito, tomou coragem para dizer o que tinha a dizer:<\/p>\n<p>&#8212; Vinicius, tem algo errado aqui. Os versos s\u00e3o bonitos, sim. A ideia \u00e9 boa, mas n\u00e3o cabe na harmonia que eu lhe passei.<\/p>\n<p>O Poetinha fez cara de poquer. E s\u00f3 quebrou o sil\u00eancio depois de enfiar a m\u00e3o no outro bolso do palet\u00f3 e sacar outra folha de caderno e lhe entregar.<\/p>\n<p>&#8212; Desculpe, parceirinho, errei a encomenda&#8230; \u00c9 uma musiquinha que estou fazendo como Tonzinho.<\/p>\n<p>A \u201cmusiquinha\u201d, como voc\u00eas, meus caros e fi\u00e9is cinco ou seis leitores, j\u00e1 perceberam era \u201cGarota de Ipanema\u201d, a can\u00e7\u00e3o brasileira mais conhecida em todo o Planeta.<\/p>\n<p>Quando Vinicius saiu, Carlinhos Lira ficou maravilhado com a letra que acabara de receber \u2013 e que era perfeita para a melodia que fizera. Tinha em m\u00e3os os versos encantados de \u201cMinha Namorada\u201d, outro cl\u00e1ssico da m\u00fasica popular brasileira.<\/p>\n<p>O Letreiro da Rua estava inspirad\u00edssimo naquela semana.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 mais do que c\u00e9lebre a hist\u00f3ria de que Ant\u00f4nio Carlos Jobim morou por longos e longos anos na rua Nascimento Silva, no bairro de Ipanema. 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