{"id":12110,"date":"2012-01-25T00:00:00","date_gmt":"2012-01-25T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:25:39","modified_gmt":"2017-09-15T19:25:39","slug":"o-alerta","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/o-alerta\/","title":{"rendered":"O alerta"},"content":{"rendered":"<p>O grito rompia o sil\u00eancio da madrugada:<\/p>\n<p>&#8211; Acudam! Que l\u00e1 vem \u00e1gua&#8230;<\/p>\n<p>Homens e mulheres conheciam o alerta.<\/p>\n<p>Saltavam da cama, resignados, e se punham a postos para enfrentar a iminente inunda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>M\u00f3veis empilhados uns sobre os outros, as crian\u00e7as em lugar seguro. Hora de ir pra rua.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que algum vizinho precisava de ajuda?<\/p>\n<p>Depois, quando o dia clareasse, ainda insones, todos se ajudavam em mutir\u00e3o.<\/p>\n<p>Lavavam as casas, as cal\u00e7adas&#8230;<\/p>\n<p>E se preparavam do jeito que dava, para o dia de batente.<\/p>\n<p>Numa das esquinas da rua, ficavam o barro e o entulho acumulados \u00e0 espera que o poder p\u00fablico cumprisse o seu papel.<\/p>\n<p>Era uma cena comum aos meses de janeiro e fevereiro ali, nos cafund\u00f3s do bairro do Ipiranga. Naquele peda\u00e7o de ch\u00e3o que &#8211; at\u00e9 pelas constantes enchentes \u2013 ficou conhecido tamb\u00e9m como Ilha do Sapo, \u00e0s margens nem t\u00e3o pl\u00e1cidas do Riacho do Ipiranga e do Rio Tamanduate\u00ed.<\/p>\n<p>\u00c0 \u00e9poca, S\u00e3o Paulo dava os primeiros passos no processo de industrializa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As f\u00e1bricas instalavam-se, ent\u00e3o, ao longo da estrada de ferro ou nos arredores dos rios, onde, por for\u00e7a das circunst\u00e2ncias, os terrenos eram mais em conta.<\/p>\n<p>Em decorr\u00eancia, as vilas oper\u00e1rias situavam-se nas \u00e1reas de v\u00e1rzea dos rios.<\/p>\n<p>Inevit\u00e1veis, as inunda\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Bastava chover.<\/p>\n<p>Ou nem isso&#8230;<\/p>\n<p>Muitas vezes, sequer ca\u00eda um pingo de \u00e1gua na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Se chovesse forte nas cidades do ABC, o volume das \u00e1guas fazia estrago por onde passasse, leito afora do rio, e acabava por alagar toda aquela \u00e1rea.<br \/>\nD\u00e9cadas e d\u00e9cadas depois, como rep\u00f3rter, estive a Ilha do Sapo para fazer mat\u00e9rias sobre enchentes que, desconfio, ainda persistem. Em meio \u00e0s reclama\u00e7\u00f5es do momento, os moradores mais antigos sempre se lembravam das primeiras cheias. <\/p>\n<p>N\u00e3o se lamentavam. <\/p>\n<p>N\u00e3o se queixavam das perdas.<\/p>\n<p>Enalteciam a amizade e o esp\u00edrito de coletividade a se sobrepor aos sofrimentos e aos eventuais contratempos.<\/p>\n<p>Nunca lhes perguntei. Mas, imagino hoje que soubessem que este denodo e esta atitude solid\u00e1ria foram fundamentais para a constru\u00e7\u00e3o da pujante metr\u00f3pole que hoje completa 458 anos.<\/p>\n<p>Parab\u00e9ns, gente paulistana!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O grito rompia o sil\u00eancio da madrugada:<\/p>\n<p>&#8211; Acudam! Que l\u00e1 vem \u00e1gua&#8230;<\/p>\n<p>Homens e mulheres conheciam o alerta.<\/p>\n<p>Saltavam da cama, resignados, e se punham a postos para enfrentar a iminente inunda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-12110","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12110","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12110"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12110\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15873,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12110\/revisions\/15873"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12110"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12110"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12110"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}