{"id":12144,"date":"2012-02-28T00:00:00","date_gmt":"2012-02-28T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:25:34","modified_gmt":"2017-09-15T19:25:34","slug":"sobre-o-habito-de-barbear-se-diariamente","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/sobre-o-habito-de-barbear-se-diariamente\/","title":{"rendered":"Sobre o h\u00e1bito de barbear-se diariamente"},"content":{"rendered":"<p>Ele foi logo se desculpando:<\/p>\n<p>&#8212; Sabe o que \u00e9? Dei um descanso para o rosto durante o Carnaval \u2013 e deixei a barba crescer.<\/p>\n<p>Rimos da explica\u00e7\u00e3o desnecess\u00e1ria do amigo Professor \u2013 e entendemos logo que ele espertamente emendou a semana fora da metr\u00f3pole. <\/p>\n<p>Houve quem, ainda que timidamente, extravasasse uma pontinha de inveja. Menos pela barba por fazer, mais pelos dias de estio.<\/p>\n<p>\u201cTive aula na quinta pela manh\u00e3. Quebrou meu esquema\u2019, algu\u00e9m lamentou.<\/p>\n<p>Como minha jornada era mais prolongada &#8211; aula na quinta pela manh\u00e3, aula na noite de sexta, com uma cola\u00e7\u00e3o de grau pelo meio -, n\u00e3o lamentei o que poderia ser \u2013 e n\u00e3o foi. Chamou minha aten\u00e7\u00e3o, no entanto, o h\u00e1bito que certas pessoas ainda t\u00eam de escanhoar o rosto diariamente.<\/p>\n<p>Escrevi \u201cainda t\u00eam\u201d porque, se bem me lembro, o costume \u00e9 do tempo do velho Aldo, meu saudoso pai.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, nesse tempo, barbear-se se compunha de todo um ritual, al\u00e9m de uma parafern\u00e1lia digna de registro: pincel, creme de barbear-se, lo\u00e7\u00e3o ap\u00f3s barba e o equipamento de corte personalizado que, diga-se, variava conforme o estilo de cada marmanjo. O do pai era de alum\u00ednio \u2013 e exigia toda uma ci\u00eancia para enroscar uma pe\u00e7a na outra e depois no cabo de apoio. No meio da jabirosca, o Ald\u00e3o encaixava, com todo esmero, a l\u00e2mina que era Gillette Azul \u2013 e n\u00e3o se admitia outra.<\/p>\n<p>J\u00e1 o Seo  Nivaldo, pai do amigo Astro, nos impressionava com a destreza que manipulava uma navalha, t\u00edpica dos barbeiros da \u00e9poca; um tantinho mais sofisticada, com cabo de madrep\u00e9rola. Pod\u00edamos assistir ao ritual, mas Seo Nivaldo exigia sil\u00eancio absoluto. Qualquer vacilo \u2013 e um naco de sangue escorria pelo rosto.<\/p>\n<p>\u00c9ramos garotos \u2013 e eu, particularmente, achava tudo aquilo muito chato.  Imaginava, quando adulto, como escapar daquela sina. Os barbeadores el\u00e9tricos (que j\u00e1 existiam, acreditem!) poderiam ser a solu\u00e7\u00e3o, mas tanto o pai como Seo Nivaldo falavam horrores deles.<\/p>\n<p>Para minha sorte (e sorte do pessoal da minha gera\u00e7\u00e3o) l\u00e1 pelos idos de 90, um filme assanhado povoou mentes e cora\u00e7\u00e3o da mo\u00e7ada. Chamava-se Nove Semanas e Meia de Amor. O gal\u00e3 Mike Rourke fazia par e outras muitas coisinhas mais com a bela Kim Bassinger \u2013 e usava o que se convencionou chamar \u00e0 \u00e9poca de \u201cuma barba de tr\u00eas dias\u201d.  <\/p>\n<p>Adotamos, sem cerim\u00f4nia, a modinha.<\/p>\n<p>Eu, particularmente, fui al\u00e9m. <\/p>\n<p>Logo assumi a barba de cinco dias. <\/p>\n<p>Prolonguei para uma semana, dez dias, quinze&#8230; Ou quando me d\u00e1 na telha.<\/p>\n<p>Vivemos tempos mais largados, mais soltos.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, s\u00f3 me ligo mesmo que preciso visitar o barbeiro quando algum gaiato come\u00e7a a fazer alus\u00e3o \u00e0s festas de fim de ano e solta a simp\u00e1tica piadinha:<\/p>\n<p>&#8212; Est\u00e1 se preparando para fazer um bico de Papai Noel, Rodolf\u00e3o?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ele foi logo se desculpando:<\/p>\n<p>&#8212; Sabe o que \u00e9? Dei um descanso para o rosto durante o Carnaval \u2013 e deixei a barba crescer.<\/p>\n<p>Rimos da explica\u00e7\u00e3o desnecess\u00e1ria do amigo Professor \u2013 e entendemos logo que ele espertamente emendou a semana fora da metr\u00f3pole.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-12144","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12144","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12144"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12144\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15839,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12144\/revisions\/15839"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12144"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12144"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12144"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}