{"id":12146,"date":"2012-03-01T00:00:00","date_gmt":"2012-03-01T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:25:33","modified_gmt":"2017-09-15T19:25:33","slug":"escova-nao-e-mais-o-mesmo-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/escova-nao-e-mais-o-mesmo-2\/","title":{"rendered":"Escova n\u00e3o \u00e9 mais o mesmo&#8230; (2)"},"content":{"rendered":"<p>Dias depois, j\u00e1 refeito do epis\u00f3dio \u2013 que Escova \u00e9 otimista por natureza \u2013, surgiu outra \u201cparadinha\u201d maneira.<\/p>\n<p>\u201cOutra saia-justa, just\u00edssima\u201d, me confidencia Cebola, amigo comum, que a tudo presenciou esfolando os cotovelos na f\u00f3rmica do balc\u00e3o do boteco chinfrim.<\/p>\n<p>T\u00e3o justa a saia e t\u00e3o bem taludamente servida a dona que n\u00e3o houve, em todos aqueles arredores, quem n\u00e3o olhasse quando a mo\u00e7a de corpo escultural entrou no bar, pisando macio, \u00e0 procura de quem, de quem, de quem? <\/p>\n<p>O mago, o guru, o Dom Juan das Quebradas do Sacom\u00e3. <\/p>\n<p>S\u00f3 podia ser o Escova, l\u00f3gico. Que n\u00e3o estava, pois o tal n\u00e3o \u00e9 figura f\u00e1cil de encontrar.<\/p>\n<p>Ao portuga de plant\u00e3o, a bela informou que voltaria no dia seguinte. Justificou: tinha interesse especial\u00edssimo em ouvir homens vividos como o nosso amigo.<\/p>\n<p>Foi o que ela fez para g\u00e1udio da rapaziada \u2013 e do dito-cujo, que no dia e hora aprazados estava ali de plant\u00e3o para conferir se a mo\u00e7a era tudo o que lhe disseram. <\/p>\n<p>Papo r\u00e1pido:<\/p>\n<p>&#8212; Escova, ao seu inteiro dispor.<\/p>\n<p>&#8212; Que bom encontr\u00e1-lo. Temos muito em comum, sabia?<\/p>\n<p>Saber, saber, o Escova n\u00e3o sabia, mas n\u00e3o foi dif\u00edcil imaginar as \u00e1rea afins. <\/p>\n<p>&#8212; Voc\u00ea \u00e9 jornalista, n\u00e3o \u00e9? Me dia uma coisas: os jornalistas n\u00e3o s\u00e3o preconceituosos. S\u00e3o?<\/p>\n<p>Escova avaliou positivamente o material \u00e0 sua frente. E divagou sobre aonde a mo\u00e7a poderia chegar com aquele princ\u00edpio de interrogat\u00f3rio. Era bem mais jovem, talvez estivesse confusa. Confusa, e apaixonada. Talvez ela se achasse menina demais para qualquer relacionamento com algu\u00e9m, como ele, de renomada fama de conquistador. <\/p>\n<p> Saberia tranquiliz\u00e1-la. Por isso, foi quase-po\u00e9tico na resposta:<\/p>\n<p>&#8212; Assim como o amor, o jornalismo n\u00e3o tem hora nem idade para acontecer, minha cara. Quem ama ou quem trabalha em jornal precisa ter a mente aberta para o que der e vier. <\/p>\n<p>E concluiu, j\u00e1 saboreando o abate que se faria pr\u00f3ximo:<\/p>\n<p>&#8212; Estamos abertos a todas as experi\u00eancias.<\/p>\n<p>Foi bem na resposta, percebeu. A mo\u00e7a sorriu \u2013 ele sentiu que havia encaminhado o abate. Notou uma express\u00e3o de al\u00edvio no rosto bonito da interlocutora.<\/p>\n<p>&#8212; Pois ent\u00e3o, Escova&#8230; Posso lhe tratar por voc\u00ea, n\u00e9? Ent\u00e3o, quero muito ser jornalista, sabe? Estava com medo de entrar para um universo preconceituoso, retr\u00f3grado. Sabe, eu sou&#8230;quer dizer,  eu tenho uma namorada. Eu gosto&#8230;de meninas. O que o senhor, quer dizer, voc\u00ea, acha?<\/p>\n<p>&#8212; N\u00e3o acho nada, minha filha. Na fase em que estou, eu s\u00f3 perco&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dias depois, j\u00e1 refeito do epis\u00f3dio \u2013 que Escova \u00e9 otimista por natureza \u2013, surgiu outra \u201cparadinha\u201d maneira.<\/p>\n<p>\u201cOutra saia-justa, just\u00edssima\u201d, me confidencia Cebola, amigo comum, que a tudo presenciou esfolando os cotovelos na f\u00f3rmica do balc\u00e3o do boteco chinfrim.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-12146","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12146","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12146"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12146\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15837,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12146\/revisions\/15837"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12146"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12146"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12146"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}