{"id":12196,"date":"2012-04-12T00:00:00","date_gmt":"2012-04-12T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:24:52","modified_gmt":"2017-09-15T19:24:52","slug":"tchinim-e-o-centenario-do-santos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/tchinim-e-o-centenario-do-santos\/","title":{"rendered":"Tchinim e o centen\u00e1rio do Santos"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o ser um \u201cvira-casaca\u201d era ponto de honra para Tchinim e sua turma.<\/p>\n<p>Ele era palmeirense.  O Claudinho Zeola, tamb\u00e9m. O Bet\u00e3o, o Nestor e o Raul eram s\u00e3opaulinos. Sime\u00e3o, Chita, Paulinho Daba\u00eda e o resto da turma eram corintianos.<\/p>\n<p>O pessoal era apaixonado por futebol.<\/p>\n<p>Jogavam bola de manh\u00e3, \u00e0 tarde e \u00e0 noite.<\/p>\n<p>No p\u00e1tio da escola, na cal\u00e7ada da rua Muniz de Souza, em campinhos improvisados, no barranc\u00e3o do Jardim da Aclima\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nos finais de semana, iam na carroceria de um caminh\u00e3o para desafios maiores nos campos de v\u00e1rzea da Capital.<\/p>\n<p>Formavam um time \u201cbala-mistura\u201d, comandados pelo Jo\u00e3o Bicudo, que nem nome tinha. Mas, que jogava com o as camisas antigas do Santos Futebol Clube do Cambuci.<\/p>\n<p>E era um baita orgulho para a meninada, imaginar-se, parte da maravilhosa equipe de Pel\u00e9, Coutinho, Pepe &amp; Cia.<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, jogo do Santos verdadeiro no Pacaembu era programa obrigat\u00f3rio para todos.<\/p>\n<p>N\u00e3o iam propriamente torcer; pois, como disse a voc\u00eas, era ponto de honra da rapaziada n\u00e3o ser um \u201cvira-casaca\u201d.<\/p>\n<p>Iam, sim, admirar o esquadr\u00e3o da Vila.<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Quando a partida era contra o Palmeiras, Tchinim n\u00e3o dormia a noite anterior. S\u00f3 de imaginar como Valdemar Carabina, Aldemar e o goleiro Valdir evitariam a goleada, mais do que prov\u00e1vel.<\/p>\n<p>Corintianos e s\u00e3opaulinos n\u00e3o viviam sina diferente. Talvez em um n\u00edvel ainda mais alarmante. Nos embates de ent\u00e3o, Santos e Palmeiras, acreditem, eram equilibrados. Houve ano que o Santos sapecou 7 a 4 em plena Vila, pelo primeiro turno do campeonato paulista. No jogo da volta, no Parque Ant\u00e1rtica (\u00f4 saudade!), o medo era de que o placar chegasse aos dois d\u00edgitos, Mas, nada disso, foi uma alegria s\u00f3. O Palmeiras venceu de 5&#215;1.<\/p>\n<p>\u201cDemos o troco neles, Tchinim. Com Pel\u00e9 e tudo\u201d, dizia o paI de Tchinim, ouvidos pregados ao velho r\u00e1dio de v\u00e1lvula.<\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>Legal mesmo era ver o Santos enfrentar os times cariocas pelo charmoso Rio-S\u00e3o Paulo de ent\u00e3o.<\/p>\n<p>A\u00ed a garotada divertia-se empolgada.<\/p>\n<p>\u201cSomos paulistas acima de tudo\u201d, diziam.<\/p>\n<p>Um bel\u00edssimo \u00e1libi para gritar \u201cgol de Pel\u00e9\u201d sem o menor constrangimento.<\/p>\n<p>V.<\/p>\n<p>Soube hoje que, neste s\u00e1bado, o Santos vai comemorar seu centen\u00e1rio promovendo uma partida da equipe principal contra um time de 100 garotos, todos apaixonados pelo Peixe. Um momento m\u00e1gico. \u00danico.<\/p>\n<p>Imagine o brilho nos olhos desses meninos diante de seus \u00eddolos!<\/p>\n<p>Que iniciativa bonita&#8230;<\/p>\n<p>Fiquei pensando se Tchinim e sua turma entrassem no t\u00fanel do tempo e voltassem a ser crian\u00e7as. Ser\u00e1 que estariam entre os 100 privilegiados?<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que trocariam serem garotos naquela \u00e9poca por esse momento m\u00e1gico?<\/p>\n<p>Desconfio que n\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cFoi o melhor time de futebol que vi jogar. Espetacular, incompar\u00e1vel\u201d, diz Tchinim, hoje um pacato senhor de mais de 60 anos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o ser um \u201cvira-casaca\u201d era ponto de honra para Tchinim e sua turma.<\/p>\n<p>Ele era palmeirense.  O Claudinho Zeola, tamb\u00e9m. 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