{"id":12200,"date":"2012-04-16T00:00:00","date_gmt":"2012-04-16T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:24:52","modified_gmt":"2017-09-15T19:24:52","slug":"eu-nao-confio-mais-na-gente","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/eu-nao-confio-mais-na-gente\/","title":{"rendered":"&quot;Eu n\u00e3o confio mais na gente&quot;"},"content":{"rendered":"<p>Nunca imaginou que, um dia, lhe diria o que acabara de dizer.<\/p>\n<p>Curta, e objetiva na introdu\u00e7\u00e3o [que, diga-se, n\u00e3o permitia d\u00favidas sobre o que viria depois]:<\/p>\n<p>&#8212; Eu n\u00e3o confio mais na gente!<\/p>\n<p>Como todo homem que se julga vivido e cousa e lousa, ele fingiu n\u00e3o ouvir.<\/p>\n<p>Tentou mudar de assunto.<\/p>\n<p>&#8212; Ent\u00e3o, almo\u00e7amos? Escolhe o restaurante?<\/p>\n<p>Ela o conhecia o suficiente para n\u00e3o cair naquela esparrela.<\/p>\n<p>&#8212; Eu n\u00e3o acredito mais na gente.<\/p>\n<p>Repetiu em tom determinado, de quem havia pensado e repensado a situa\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>N\u00e3o lhe interessava o passado, nem o futuro. Queria dar um fim \u00e0quele amor acabado, esgar\u00e7ado por promessas e desilus\u00f5es. N\u00e3o poderia precisar quando tomou consci\u00eancia do que estava ocorrendo. Mas, era fato. Acabar com aquela indecis\u00e3o virou objetivo de vida. <\/p>\n<p>Queria viver o presente. S\u00f3 isso&#8230; Seria pedir muito? <\/p>\n<p>Ele continuou em sil\u00eancio. Que era arma e escudo, naquele momento. No \u00edntimo, por\u00e9m, admirava-se. Era verdade absoluta o que acabara de ouvir. J\u00e1 n\u00e3o eram mais os mesmos. N\u00e3o se divertiam como nos primeiros tempos. Em boa parte por culpa pr\u00f3pria, reconhecia. <\/p>\n<p>At\u00e9 j\u00e1 se esquecera de como \u00e9 a espontaneidade de um sorriso. <\/p>\n<p>Pudera, tantas e tantas a resolver&#8230; <\/p>\n<p>Vacil\u00e3o.<\/p>\n<p>Respirou fundo. <\/p>\n<p>Encarou friamente a doce beleza da mo\u00e7a. <\/p>\n<p>Ela desandara a falar sobre coisas que ele n\u00e3o gostaria de estar ouvindo. E falava num tom absolutamente s\u00e9rio, convicto. <\/p>\n<p>Tentou contra-argumentar e invocar o quanto foram felizes, os momentos \u00fanicos que viveram, o quanto ainda era plena a entrega. <\/p>\n<p>N\u00e3o recebeu qualquer resposta favor\u00e1vel, qualquer rea\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Outro suspiro.<\/p>\n<p>Passou a considerar a hip\u00f3tese de que estava mesmo tudo acabado. Mesmo assim jogou os \u00faltimos trunfos. Disse tudo o que um homem pode dizer \u00e0 mulher amada &#8212; e foi embora. <\/p>\n<p>O truque j\u00e1 dera certo em outras ocasi\u00f5es. <\/p>\n<p>Entrou no carro sozinho.<\/p>\n<p>Esperou alguns minutos antes de dar a partida naquela trapitonga que lhe trouxera de t\u00e3o longe. Olhos arregalados, cora\u00e7\u00e3o batia r\u00e1pido, descompassado. <\/p>\n<p>Sil\u00eancio absoluto. Nem sombra dela. <\/p>\n<p>Girou a chave na igni\u00e7\u00e3o. Pisou no acelerador e lentamente foi deixando para tr\u00e1s os sonhos e a frustra\u00e7\u00e3o de ter cavado o pr\u00f3prio destino. Ser s\u00f3.<\/p>\n<p>** Foto: J\u00f4 Rabelo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nunca imaginou que, um dia, lhe diria o que acabara de dizer.<\/p>\n<p>Curta, e objetiva na introdu\u00e7\u00e3o [que, diga-se, n\u00e3o permitia d\u00favidas sobre o que viria depois]:<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-12200","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12200","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12200"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12200\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15790,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12200\/revisions\/15790"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12200"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12200"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12200"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}