{"id":12206,"date":"2012-04-22T00:00:00","date_gmt":"2012-04-22T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:24:51","modified_gmt":"2017-09-15T19:24:51","slug":"escova-e-alicinha-iii","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/escova-e-alicinha-iii\/","title":{"rendered":"Escova e Alicinha (III)"},"content":{"rendered":"<p>Diz a can\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>\u201cA gente nunca sabe bem o que \u00e9 que quer uma mulher\u201d.<\/p>\n<p>H\u00e1 homens tolos que ainda duvidam da corre\u00e7\u00e3o dos versos de Caetano Veloso em \u201cPecado Original\u201d.<\/p>\n<p>As mulheres, no entanto&#8230;<\/p>\n<p>Bem, as mulheres, minimamente normais, t\u00eam plena convic\u00e7\u00e3o de que, em determinados momentos, n\u00e3o sabem o que fazem, o porqu\u00ea fazem e quais as conseq\u00fc\u00eancias do que fazem.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, este \u00e9 o grande barato de ser mulher.<\/p>\n<p>Na manh\u00e3 do dito-cujo encontro com Escova, ela acordou assim.<\/p>\n<p>Despediu-se do marido no caf\u00e9 da manh\u00e3 com um sorriso, um longo beijo e a certeza de que aquela \u2018brincadeira\u2019 de almo\u00e7o j\u00e1 havia ido longe demais.<\/p>\n<p>Inventaria uma desculpa \u2013 e n\u00e3o iria.<\/p>\n<p>Minutos depois, ao deixar a filha com a tia da van que a levaria para a escola, deixou recomenda\u00e7\u00f5es claras para traz\u00ea-la no hor\u00e1rio e certificar-se se a bab\u00e1 a levaria para dentro. Estava \u201centupida\u201d de trabalho \u2013 e talvez n\u00e3o viesse para casa antes do anoitecer.<\/p>\n<p>Estranhou a mentira que acabara de inventar, mas aplaudiu, interiormente, a naturalidade com que \u2018fechou\u2019 o assunto.<\/p>\n<p>No trabalho, por mais de uma vez, surpreendeu-se conferindo o visor do celular  para saber se havia alguma mensagem.<\/p>\n<p>Do Escova, claro.<\/p>\n<p>Nesse joguinho de vou-n\u00e3o-vou, sequer notou a manh\u00e3 passar.<\/p>\n<p>Quando deu por si, j\u00e1 estava dividindo uma mesa de canto no restaurante, com aquele pilantra que mal conhecia, mas bem sabia das suas inten\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O lugar era sem charme. Seguro, no entanto.<\/p>\n<p>Por certo n\u00e3o haveria nenhum conhecido de ambos nas redondezas.<\/p>\n<p>Incr\u00edvel reconhecer. Sentia-se segura, levemente inconsequente, e com a convic\u00e7\u00e3o de que tudo n\u00e3o passaria de almo\u00e7o, sem maiores consequ\u00eancias. <\/p>\n<p>&#8212; Um dedinho mais de vinho, por favor. Mas s\u00f3 um pouquinho.<\/p>\n<p>Nunca saberemos se foi o tal \u201cdedinho de vinho\u201d ou outro fator qualquer. O fato \u00e9 que Alicinha foi gostando do jogo jogado. Quanto mais Escova, o predador, aproximava sua cadeira da dela e esticava o bra\u00e7o para ro\u00e7ar seu ombro como se fosse \u00edntimo, mais a mo\u00e7a ia perdendo a no\u00e7\u00e3o do perigo.<\/p>\n<p>Tanto que resolveu ati\u00e7ar os humores e desejos do velho Dom Juan das Quebradas dos mundar\u00e9us.<\/p>\n<p>Sutil como um elefante em uma loja de lou\u00e7a, ela provocou:<\/p>\n<p>&#8212; Pensei que fossemos a um lugar mais tranquilo, um cantinho onde pud\u00e9ssemos ficar mais \u00e0 vontade.<\/p>\n<p>Queria v\u00ea-lo sem jeito.<\/p>\n<p>Escova era experiente no assunto:<\/p>\n<p>&#8212; Por isso, n\u00e3o. A duas quadras daqui existe um flat \u00f3timo. Deixei para tomarmos l\u00e1 o licor. Eu nunca deixou de satisfazer as vontades de uma mulher, ainda mais linda como voc\u00ea.<\/p>\n<p>Ele continuou o xaveco. Ela nada mais escutava, envolta na afli\u00e7\u00e3o de embarcara numa canoa furada e lhe pareceu ali \u2013 n\u00e3o tinha volta.<\/p>\n<p>E agora?<\/p>\n<p>Olha o tamanho da enrascada que entrara.<\/p>\n<p>* Continua amanh\u00e3&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diz a can\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>\u201cA gente nunca sabe bem o que \u00e9 que quer uma mulher\u201d.<\/p>\n<p>H\u00e1 homens tolos que ainda duvidam da corre\u00e7\u00e3o dos versos de Caetano Veloso em \u201cPecado Original\u201d.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-12206","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12206","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12206"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12206\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15784,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12206\/revisions\/15784"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12206"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12206"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12206"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}