{"id":12231,"date":"2012-05-30T00:00:00","date_gmt":"2012-05-30T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:24:49","modified_gmt":"2017-09-15T19:24:49","slug":"dr-nicola-responde","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/dr-nicola-responde\/","title":{"rendered":"Dr. Nicola responde&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>Amigo Escova.<\/p>\n<p>Lamento n\u00e3o estar por perto.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei se poderia socorr\u00ea-lo.<\/p>\n<p>Tomei conhecimento de suas afli\u00e7\u00f5es pelo blog de nosso amigo comum.<\/p>\n<p>Afli\u00e7\u00f5es que, registro, s\u00e3o naturais \u00e0 personagem Dom Juan que voc\u00ea tanto gosta de interpretar \u2013 e assim o fez vida afora.<\/p>\n<p>(Leia o livro, assista \u00e0 pe\u00e7a em cartaz com Rodrigo Lombardi, emocione-se com a \u00f3pera Dom Giovanni.)<\/p>\n<p> No mais, o qu\u00ea lhe dizer?<\/p>\n<p>As mudan\u00e7as v\u00eam &#8211; e s\u00e3o incontrol\u00e1veis. F\u00edsicas, ps\u00edquicas, afetivas&#8230;<\/p>\n<p>Nada ser\u00e1 como antes, meu caro. <\/p>\n<p>As quest\u00f5es existenciais s\u00e3o o sal da vida. <\/p>\n<p>V\u00e3o e v\u00eam com uma const\u00e2ncia quase regular. <\/p>\n<p>S\u00e3o o que o vulgo chama de ciclos de vida. <\/p>\n<p>Os magos e esot\u00e9ricos falam que se alternam de sete em sete anos. <\/p>\n<p>Pela minha experi\u00eancia em consult\u00f3rio e dirigindo t\u00e1xi (que \u00e9 o melhor laborat\u00f3rio para se conhecer e estudar o comportamento humano), dou de barato que, para a maioria, cinco ou seis, est\u00e3o de bom tamanho.<\/p>\n<p>\u00c9 sempre dif\u00edcil reconhecermos o exato momento que vivemos.<\/p>\n<p>De um jeito muito nosso, nunca estamos satisfeitos &#8211; ou plenamente satisfeitos &#8211; com a vida que temos.<\/p>\n<p>Sempre queremos mais.<\/p>\n<p>Gosto de observar as pessoas.<\/p>\n<p>H\u00e1 um novo tipo de sociedade se consolidando. A dos sentimentos l\u00edquidos.<\/p>\n<p>O neg\u00f3cio do &quot;ficar&quot; \u00e9 bem paradigm\u00e1tico desse modelo. Algu\u00e9m j\u00e1 escreveu que vivemos os tempos de sentimentos liquefeitos, de amores v\u00e3os. O \u201ceterno enquanto dure\u201d do Poetinha nunca durou t\u00e3o pouco.<\/p>\n<p>Tudo \u00e9 muito r\u00e1pido, instant\u00e2neo. Sem significado.<\/p>\n<p>At\u00e9 para nos informar \u00e9 assim. A leitura \u00e9 cada vez mais fragmentada, superficial, et\u00e9rea.<\/p>\n<p>A web e as redes sociais consagram essa toada.<\/p>\n<p>A linguagem que predomina \u00e9 a da imagem &#8211; o v\u00eddeo, as fotos. <\/p>\n<p>Veja o boom das m\u00e1quinas digitais, e a moda de se autofotografar. No celular (que eu considero uma praga), n\u00e3o se deixa mais recado sonoro, se manda um torpedo. <\/p>\n<p>Todo mundo est\u00e1 conectado, mas s\u00f3. E em d\u00favida e d\u00edvida consigo mesmo.<\/p>\n<p>Bom, creio que o assunto renderia um livro ou, no m\u00ednimo, um artigo cient\u00edfico.<\/p>\n<p>Mas, a verdade \u00e9 que estou em outra.<\/p>\n<p>Descobri que meu s\u00e9culo \u2013 est\u00e9tica, social e filosoficamente \u2013 acabou quando o grande Frank Sinatra morreu. <\/p>\n<p>Desisti da minha tese de doutorado sobre Mulheres Que Amam Demais, pois descobri que as tais j\u00e1 n\u00e3o amam tanto assim&#8230;<\/p>\n<p>Aqui onde estou, cultivo incerta solid\u00e3o.<\/p>\n<p>H\u00e1 um risco de perder o contato com o mundo exterior, com a tal sociabilidade.<\/p>\n<p>Mas, estou convicto que nem o mundo exterior, nem a sociedade perderam algo de relevante com a minha deser\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 isso, companheiro.<\/p>\n<p>Fique com meu abra\u00e7o, e a minha solidariedade.<\/p>\n<p>Nicola<br \/>\nDe algum ponto do Caribe<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Amigo Escova.<\/p>\n<p>Lamento n\u00e3o estar por perto.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei se poderia socorr\u00ea-lo.<\/p>\n<p>Tomei conhecimento de suas afli\u00e7\u00f5es pelo blog de nosso amigo comum.<\/p>\n<p>Afli\u00e7\u00f5es que,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-12231","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12231","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12231"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12231\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15763,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12231\/revisions\/15763"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12231"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12231"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12231"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}