{"id":12251,"date":"2012-06-17T00:00:00","date_gmt":"2012-06-17T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:23:55","modified_gmt":"2017-09-15T19:23:55","slug":"cenas-de-um-bicampeonato","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/cenas-de-um-bicampeonato\/","title":{"rendered":"Cenas de um bicampeonato"},"content":{"rendered":"<p>17 de junho de 1962.<\/p>\n<p>Eu era garoto.<\/p>\n<p>Tinha onze anos. <\/p>\n<p>Alguns ainda me chamavam de Tchinim, o apelido da primeira inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p>N\u00e3o havia, creio, essa dimens\u00e3o midi\u00e1tica e global que hoje tem uma Copa do Mundo.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o acalent\u00e1vamos o trauma da Copa de 50.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei se exagero&#8230;<\/p>\n<p>Mas, para n\u00f3s, garotos remediados e suburbanos do Cambuci, era mais importante que o nosso clube de cora\u00e7\u00e3o vencesse o Campeonato Paulista. <\/p>\n<p>Viv\u00edamos mais intensamente as coisas da nossa aldeia.<\/p>\n<p>Por exemplo, um \u2018pega\u2019 entre o Santos Futebol Clube do Cambuci (dos indom\u00e1veis atacantes Queiroz e Espanhol)contra o Rep\u00fablica (do inexpugn\u00e1vel goleiro Manolo) era assunto de todas as rodas, todos os dias; antes e depois do jogo.<\/p>\n<p>Mesmo assim, n\u00e3o \u00e9ramos indiferente \u00e0 sele\u00e7\u00e3o brasileira que acompanh\u00e1vamos pelas transmiss\u00f5es radiof\u00f4nicas na Copa do Chile.<\/p>\n<p>N\u00e3o havia essa paradeira generalizada que acontece de uns tempos para c\u00e1 sempre que h\u00e1 jogos da sele\u00e7\u00e3o na Copa.<\/p>\n<p>Diria que torc\u00edamos moderada e harmoniosamente para o escrete.<\/p>\n<p>No dia seguinte, um ou outro assistia ao videotape da partida \u2013 e comentava os lances para que tent\u00e1ssemos entender a genialidade de um Garrincha, o destemor de Amarildo, o oportunismo de Vav\u00e1.<\/p>\n<p>Vale lembrar que nem todos tinham TV em casa. O tape das partidas eram transmitidos depois das 22 horas , hor\u00e1rio mais do que inc\u00f4modo \u00e0s fam\u00edlias de ent\u00e3o.<\/p>\n<p>Por maior que fosse o caradurismo do televizinho, aquela era uma \u00e9poca em quehavia limites para tudo. <\/p>\n<p>Ainda mais param quem pegava cedo no batente.<\/p>\n<p>Comemora\u00e7\u00e3o, comemora\u00e7\u00e3o mesmo s\u00f3 mesmo ap\u00f3s a vit\u00f3ria sobre a Tchecoslov\u00e1quia (3&#215;1) e a conquista do bicampeonato mundial.<\/p>\n<p>Os amigos se abra\u00e7aram. Ouviu-se o espocar de fogos de artif\u00edcio, soaram as buzinas dos autom\u00f3veis, os bares ficaram cheios de senhores que abriram m\u00e3o do formalismo di\u00e1rio para regozijarem-se por novamente sagrarem-se os maiores do mundo.<\/p>\n<p>N\u00f3s, os meninos de ent\u00e3o, corr\u00edamos de um lado para outro. Tent\u00e1vamos lucrar algum com o t\u00edtulo brasileiro. Apost\u00e1vamos no bom humor e na generosidade dos adultos. Nada transcendental, por\u00e9m.  Podia ser um punhado de bala Toffe, um Guaran\u00e1 Ca\u00e7ula ou mesmo um generoso p\u00e3o doce&#8230;<\/p>\n<p>Quanta ingenuidade!<\/p>\n<p>E l\u00e1 se v\u00e3o 50 anos&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>17 de junho de 1962.<\/p>\n<p>Eu era garoto.<\/p>\n<p>Tinha onze anos. <\/p>\n<p>Alguns ainda me chamavam de Tchinim, o apelido da primeira inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p>N\u00e3o havia,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-12251","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12251","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12251"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12251\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15745,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12251\/revisions\/15745"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12251"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12251"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12251"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}