{"id":12252,"date":"2012-06-18T00:00:00","date_gmt":"2012-06-18T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:23:55","modified_gmt":"2017-09-15T19:23:55","slug":"os-homens-de-gabriela","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/os-homens-de-gabriela\/","title":{"rendered":"Os homens de Gabriela"},"content":{"rendered":"<p>Tem me acontecido, com alguma frequ\u00eancia, preferir uma releitura aos t\u00edtulos novos ou a livros que ainda n\u00e3o li.<\/p>\n<p>Deve ser coisa da idade, me dizem \u2013 e at\u00e9 desconfio que sim.<\/p>\n<p>Velhos enredos revistos nos trazem de algum modo o encanto dos tempos idos.<\/p>\n<p>Certas hist\u00f3rias (pessoais ou p\u00fablicas) s\u00f3 existem se lembrarmos delas, confere?<\/p>\n<p>Pois ent\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>No embalo do centen\u00e1rio das comemora\u00e7\u00f5es de Jorge Amado e outro tanto pelas chamadas da nova vers\u00e3o para a TV da novela Gabriela (que estreia hoje), fiquei instado a mergulhar no universo de baianidades expl\u00edcitas do livro &quot;Gabriela Cravo e Canela&quot;.<\/p>\n<p>Li a obra como se esta me fosse in\u00e9dita.<\/p>\n<p>O curioso \u2013 e extraordin\u00e1rio \u2013 das tramas de Amado \u00e9 que sempre nos envolvem a ponto de nos imaginar no n\u00facleo da a\u00e7\u00e3o. Ora como se ouv\u00edssemos a hist\u00f3ria da boca do narrador, ao vivo e em cores. Ora nos identificamos com este ou aquele personagem.<\/p>\n<p>Lembro que, por ocasi\u00e3o da primeira leitura, o personagem de Mundinho Falc\u00e3o era o meu preferido. Nele, aboletavam-se sonhos e ideais dos jovens que \u00e9ramos ali pelos meados dos anos 60 quando o Pa\u00eds enfrentava uma s\u00f3rdida ditadura. Os desmandos dos coron\u00e9is de Ilh\u00e9us representavam as asperezas daqueles dias obscuros. <\/p>\n<p>Mundinho era o novo, o que estava por vir.<\/p>\n<p>Tornei a ler o livro ali pelos anos 80, n\u00e3o sei precisar.<\/p>\n<p>A redemocratiza\u00e7\u00e3o do Pa\u00eds j\u00e1 era uma realidade.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o pol\u00edtica, ent\u00e3o, ficou em plano secund\u00e1rio.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei se inspirado no desempenho memor\u00e1vel de F\u00falvio Stefanini na novela que teve S\u00f4nia Braga como protagonista, o personagem Tonico Bastos me conquistou de primeira. Divertia-me a valer o cotidiano do Bataclan e as idiossincrasias do Dom Juan daquelas quebradas. No fundo, Tonico era um sentimental,  inconsequente que n\u00e3o nascera para mandar prender e soltar como fazia seu pai, o poderoso Ramiro Bastos. <\/p>\n<p>A bem da verdade, Tonico representa a decrepitude do coronelismo.<\/p>\n<p>Agora, ao final da recente leitura, n\u00e3o \u00e9 que dei de me ensimesmar com a figura do rude comerciante Nacib, o brasileiro das Ar\u00e1bias, como o descreveu o autor no pre\u00e2mbulo do livro (lan\u00e7ado em 1958). \u00c9 em seu bar, o Ves\u00favio, e sob as suas vistas que a vida acontece e a sociedade local, envolvida pelo \u00e9poca \u00e1urea do cacau, se reinterpreta e reinventa.<\/p>\n<p>\u201cTurco \u00e9 a m\u00e3e\u201d, retruca o imigrante que nasceu na S\u00edria. Mas, \u00e9 t\u00e3o genuinamente baiano quanto qualquer outro personagem do romance.<\/p>\n<p>Seu amor pela mulata Gabriela \u00e9 tocante, \u00e9 o n\u00f3 que entrela\u00e7a toda a trama.<\/p>\n<p>O ator Humberto Martins vai dar vida a Nacib na nova vers\u00e3o de Gabriela. <\/p>\n<p>Baita responsabilidade. <\/p>\n<p>Na novela original, o papel era do saudoso Armando B\u00f3gus.  No cinema, ningu\u00e9m menos que Marcello Mastroianni topou o desafio \u2013 e n\u00e3o fez feio. <\/p>\n<p>Imaginem a mistureba: um turco que vive na Bahia com sotaque italiano!<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 nova Gabriela, Juliana Paes dispensa qualquer coment\u00e1rio, embora S\u00f4nia Braga seja indiscut\u00edvel como personagem das hist\u00f3rias do grande e agora centen\u00e1rio Jorge Amado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tem me acontecido, com alguma frequ\u00eancia, preferir uma releitura aos t\u00edtulos novos ou a livros que ainda n\u00e3o li.<\/p>\n<p>Deve ser coisa da idade, me dizem \u2013 e at\u00e9 desconfio que sim.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-12252","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12252","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12252"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12252\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15744,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12252\/revisions\/15744"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12252"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12252"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12252"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}