{"id":12256,"date":"2012-06-22T00:00:00","date_gmt":"2012-06-22T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:23:54","modified_gmt":"2017-09-15T19:23:54","slug":"um-coracao-corintiano","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/um-coracao-corintiano\/","title":{"rendered":"Um cora\u00e7\u00e3o corintiano"},"content":{"rendered":"<p>Valtinho Cazuza devia andar a\u00ed pela casa dos trinta, trinta e poucos anos.<\/p>\n<p>Era zagueiro do \u2018cascudo\u2019 do Santos Futebol Clube do Cambuci, e integrante da ala da realeza da Escola de Samba (ou ainda era cord\u00e3o que se dizia? Imp\u00e9rio do Cambuci.<\/p>\n<p>Mas, n\u00e3o eram os chut\u00f5es para o mato com os quais o Cazuza limpava a \u00e1rea, nem o porte e a fantasia de conde (com cabeleira e tudo) que ele exibia no Carnaval que nos impressionavam.<\/p>\n<p>\u00c9ramos moleques de rua, jog\u00e1vamos bola na cal\u00e7ada da Muniz de Souza, e ador\u00e1vamos ouvir as express\u00f5es que o Cazuza inventava ou repetia como se fossem suas.<\/p>\n<p>\u201cAi, minha Santa Catarina!\u201d era a mais famosa delas. <\/p>\n<p>Ele \u2013 e n\u00f3s, que o copi\u00e1vamos \u2013 a usava para fins diversos.<\/p>\n<p>Podia ser de espanto, com o enorme bal\u00e3o que ca\u00eda sobre a rede el\u00e9trica.<\/p>\n<p>\u201cAi, minha Santa Catarina!\u201d<\/p>\n<p>Podia ser de puro deleite ao ver passar a mulata Constan\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201cAi, minha Santa Catarina!\u201d<\/p>\n<p>Outra do Cazuza:<\/p>\n<p>\u201cMas \u00e9 o c\u00e3o&#8230;\u201d<\/p>\n<p>E a\u00ed significava dizer que a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o andava l\u00e1 muito bem.<\/p>\n<p>Anos 60, o Corinthians n\u00e3o ganhava do Santos de jeito algum. N\u00e3o era campe\u00e3o nem de jogo de palitinho. E o nosso \u00eddolo com o radinho Speak no ouvido, e o narrador a anunciar fim de jogo. Algu\u00e9m sempre lhe perguntava:<\/p>\n<p>&#8212; E a\u00ed, Valtinho, e o Corinthians?<\/p>\n<p>A resposta era a de sempre.<\/p>\n<p>&#8212; Mas \u00e9 o c\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>Significava dizer: perdeu de novo.<\/p>\n<p>Lembrei do Valtinho Cazuza na noite de quarta-feira, quando vi o painel que a torcida do Tim\u00e3o fez em forma de eletrocardiograma.<\/p>\n<p>\u00c9 que, al\u00e9m de corintiano, ele tinha outra express\u00e3o que s\u00f3 usava em casos especial\u00edssimos. Quando ouvia um samba dolente de Ata\u00falfo Alves ou quando ouvia a filha pequena lhe chamar de \u201cpapai\u201d.<\/p>\n<p>&#8212; Ai, meu cora\u00e7\u00e3o, meu cora\u00e7\u00e3o, meu cora\u00e7\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>Nunca mais tive not\u00edcias do amigo, quase \u00eddolo. <\/p>\n<p>Mas, pelo que vi nas arquibancadas do Pacaembu, as finais da Libertadores, frente ao Boca, far\u00e1 com que os corintianos re\u00fanam todas as express\u00f5es do Cazuza \u2013  Ai, minha Santa Catarina. Mas, \u00e9 o c\u00e3o&#8230; ai, meu cora\u00e7\u00e3o, meu cora\u00e7\u00e3o, meu cora\u00e7\u00e3o&#8230; \u2013 em outras mais.<\/p>\n<p>E ainda ser\u00e3o poucas, e v\u00e1lidas.<\/p>\n<p>Foto: J\u00f4 Rabelo<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Valtinho Cazuza devia andar a\u00ed pela casa dos trinta, trinta e poucos anos.<\/p>\n<p>Era zagueiro do \u2018cascudo\u2019 do Santos Futebol Clube do Cambuci, e integrante da ala da realeza da Escola de Samba (ou ainda era cord\u00e3o que se dizia?<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-12256","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12256","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12256"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12256\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15740,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12256\/revisions\/15740"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12256"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12256"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12256"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}