{"id":12280,"date":"2012-07-31T00:00:00","date_gmt":"2012-07-31T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:23:51","modified_gmt":"2017-09-15T19:23:51","slug":"o-calabres","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/o-calabres\/","title":{"rendered":"O Calabr\u00eas"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o conheci meu av\u00f4 paterno.<\/p>\n<p>Morreu meses antes de eu nascer.<\/p>\n<p>Herdei seu primeiro nome, Rodolfo, at\u00e9 como forma de homenage\u00e1-lo e tamb\u00e9m o jeit\u00e3o estourado de, por vezes, tentar resolver as pendengas que a vida se nos apresenta.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e0 toa que o apelido do v\u00f4 Rodolfo era \u201co Calabr\u00eas\u201d.<\/p>\n<p>Ele era alfaiate e chegou ao Brasil no in\u00edcio do s\u00e9culo 20, com 16 anos.<\/p>\n<p>Veio junto com os irm\u00e3os \u201cfazer a Am\u00e9rica\u201d \u2013 e por aqui ficou.<\/p>\n<p>Constituiu fam\u00edlia ao lado de outra oriundi, Rosina Leone, e teve uma penca de filhos.<\/p>\n<p>Ald\u00e3o, meu pai, era o mais velho deles.<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>A fam\u00edlia sempre tratou a hist\u00f3ria do v\u00f4 Rodolfo como um tabu.<\/p>\n<p>Falavam superficialmente dele. Do jeit\u00e3o ensimesmado, do copo do bom vinho a acompanhar o dia a dia entre tesouras, agulhas e tecidos. E da imensa saudade que sentia da terra natal para onde retornou uma \u00fanica vez.<\/p>\n<p>Certa vez, ainda jovem, ouvi de algum familiar \u2013 n\u00e3o me lembro qual \u2013 que v\u00f4 enlouquecera de tanta melancolia.<\/p>\n<p>Estranhei o sil\u00eancio c\u00famplice da parentada ao redor \u2013 o pai n\u00e3o estava presente \u2013, mas n\u00e3o dei import\u00e2ncia \u00e0 fala\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando se \u00e9 mais novo, imagina-se que o momento que vivemos e suas prem\u00eancias \u2013 por mais tolas que sejam \u2013 s\u00e3o eternas, e o qu\u00ea efetivamente valem.<\/p>\n<p>N\u00e3o existe a hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Nem os passos que fazem o caminho.<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>H\u00e1 alguns anos, passei alguns dias em N\u00e1poles e visitei o porto de onde partiam os navios que trouxeram os italianos para o Brasil.<\/p>\n<p>Fiquei tocado com as hist\u00f3rias que l\u00e1 ouvi.<\/p>\n<p>Nenhuma novidade. Hist\u00f3rias que os livros oficiais nos ensinam ainda que superficialmente. A crise econ\u00f4mica e social, o desemprego, a fome e, sobretudo, a perspectiva de \u201cfazer a Am\u00e9rica\u201d.<\/p>\n<p>A maior parte dos imigrantes sonhava em voltar \u00e0 terra natal, enfatizou o guia que nos falava. <\/p>\n<p>Sorte que raros tiveram&#8230;<\/p>\n<p>&#8212; Imaginem o que era para aqueles homens e mulheres rudes viver longe das pessoas que amavam e da terra onde nasceram?<\/p>\n<p>N\u00e3o precisei nem dos versos pungentes de \u201cO Sole Mio\u201d para ter uma vaga no\u00e7\u00e3o e entender \u201ca melancolia\u201d do v\u00f4 Rodolfo.<\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>Passei o fim do ano passado em Torino, na It\u00e1lia.<\/p>\n<p>Na pra\u00e7a central, o reveillon reuniu uma multid\u00e3o na pra\u00e7a central para um inesquec\u00edvel show.<\/p>\n<p>Logo ap\u00f3s as badaladas da meia-noite, os fogos e a confraterniza\u00e7\u00e3o, o grupo musical entoou o hino nacional da It\u00e1lia.<\/p>\n<p>Experi\u00eancia \u00fanica. De emo\u00e7\u00e3o e alumbramento.<\/p>\n<p>Desconfio que o v\u00f4 Rodolfo estava entre n\u00f3s. <\/p>\n<p>N\u00e3o me perguntem como, mas deu para entender o porqu\u00ea&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o conheci meu av\u00f4 paterno.<\/p>\n<p>Morreu meses antes de eu nascer.<\/p>\n<p>Herdei seu primeiro nome, Rodolfo, at\u00e9 como forma de homenage\u00e1-lo e tamb\u00e9m o jeit\u00e3o estourado de,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-12280","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12280","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12280"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12280\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15716,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12280\/revisions\/15716"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12280"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12280"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12280"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}