{"id":12336,"date":"2012-10-05T00:00:00","date_gmt":"2012-10-05T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:22:43","modified_gmt":"2017-09-15T19:22:43","slug":"escova-e-um-sentimental","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/escova-e-um-sentimental\/","title":{"rendered":"Escova \u00e9 um sentimental"},"content":{"rendered":"<p>Recebo a advert\u00eancia de uma querida internauta sobre o post de ontem.<\/p>\n<p>Ela \u00e9 um dos meus am\u00e1veis e fi\u00e9is leitores, e diz que n\u00e3o \u00e9 justo o que fiz com o Escova, um personagem de hist\u00f3rias sempre alegres.<\/p>\n<p>&#8212; Voc\u00ea o largou em um bar numa fossa de dar d\u00f3. N\u00e3o \u00e9 justo para ele, e para os leitores que esperavam um daqueles causos divertidos do conquistador trapalh\u00e3o que ele \u00e9.<\/p>\n<p>Confesso que fiquei um tantinho enciumado.<\/p>\n<p>A internauta sequer notou a minha presen\u00e7a naquela mesa de reminisc\u00eancia.<\/p>\n<p>Mas, nada a reclamar.<\/p>\n<p>Manda quem pode, obedece quem tem ju\u00edzo.<\/p>\n<p>O blogueiro \u00e9 ref\u00e9m das expectativas que ele pr\u00f3prio cria.<\/p>\n<p>N\u00e3o tenho outra alternativa se n\u00e3o lhes contar uma breve aventura do ent\u00e3o jovem Escova nos tempos da velha reda\u00e7\u00e3o de piso assoalhado e grandes janel\u00f5es para a rua Bom Pastor.<\/p>\n<p>Pois ent\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>Uma bela tarde chegou \u00e0quelas paragens uma Estagi\u00e1ria de fino trato e belas curvas.<\/p>\n<p>Natural que todos crescessem os olhos.<\/p>\n<p>N\u00e3o havia santo por ali.<\/p>\n<p>Escova era um dos nossos.<\/p>\n<p>Portanto&#8230;<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Vida que segue.<\/p>\n<p>Dia vai, dia vem&#8230; Todos de olho grande na mo\u00e7a \u2013 e ela na dela, diz que seu cora\u00e7\u00e3o tem dono, e que namora h\u00e1 anos, e \u00e9 a garota mais feliz do mundo ao lado do Pimp\u00e3o.<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Tudo certo, nada resolvido&#8230;<\/p>\n<p>Eis que numa noite de sexta-feira quente, como a de hoje, aparece, do nada, um jovem espumando de raiva, enfrentando os seguran\u00e7as, xingando a tudo e a todos; mas, como s\u00f3 e acontecer, procurando pelo dito Escova.<\/p>\n<p>Foi um perereco!<\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>Acrescento que o nosso her\u00f3i enfrentou galhardamente a situa\u00e7\u00e3o, fazendo-se de desentendido. E assumindo a maior cara de paisagem.<\/p>\n<p>Se bem me lembro, balbuciou algumas palavras de indigna\u00e7\u00e3o com o balacobaco que estava acontecendo. E, com ar solene, disse aos seguran\u00e7as:<\/p>\n<p>&#8212; Levem esse rapaz, pois aqui \u00e9 nosso sacrossanto lugar de trabalho.<\/p>\n<p>V.<\/p>\n<p>Logo apareceu a Estagi\u00e1ria, aos prantos, gritando para que o Pimp\u00e3o parasse com aquilo.<\/p>\n<p>&#8212; N\u00e3o tem cabimento o que voc\u00ea est\u00e1 fazendo. Vamos embora.<\/p>\n<p>VI.<\/p>\n<p>Serenados os \u00e2nimos, todos se voltaram para o Escova a pedir explica\u00e7\u00f5es. <\/p>\n<p>&#8212; Sou inocente, juro. Tudo o que fiz foi pedir a ela que apressasse o fechamento da coluna de teatro para podermos terminar a p\u00e1gina de Variedades. Ela estava h\u00e1 horas falando ao telefone e atrasando tudo.<\/p>\n<p>VII.<\/p>\n<p>Por incr\u00edvel que pare\u00e7a, o argumento de Escova era real. <\/p>\n<p>Ele era inocente \u2013 ao menos, nesta ocasi\u00e3o.<\/p>\n<p>VIII.<\/p>\n<p>Do outro lado da linha, o rapaz ouviu a cobran\u00e7a feita pelo jornalista.<\/p>\n<p>Ficou furioso \u2013 e voou de Pinheiros para o Ipiranga em minutos, para enfrentar o bruto que ousava falar assim com a sua lindinha.<\/p>\n<p>Mas, a hist\u00f3ria n\u00e3o acaba a\u00ed.<\/p>\n<p>IX.<\/p>\n<p>Ainda naquela noite, no finzinho da jornada, a Estagi\u00e1ria liga para mim, que coordenava o fechamento da edi\u00e7\u00e3o, a fim de explicar o malentendido. <\/p>\n<p>O Pimp\u00e3o andava muito ciumento.<\/p>\n<p>Em seguida, ela pediu que eu passasse o telefone para o Escova.<\/p>\n<p>Conversaram por instantes.<\/p>\n<p>Escova, com ares de preocupa\u00e7\u00e3o, dizia perdo\u00e1-la e que desse mais aten\u00e7\u00e3o ao namorado.<\/p>\n<p>\u00d3bvio que fingia&#8230;<\/p>\n<p>X. <\/p>\n<p>Para resumir a hist\u00f3ria, que j\u00e1 est\u00e1 longa para os padr\u00f5es blogueiros, Escova e a<br \/>\nEstagi\u00e1ria tiveram um romance tempestuoso por anos e anos. <\/p>\n<p>O Pimp\u00e3o dan\u00e7ou legal.<\/p>\n<p>XI.<\/p>\n<p>Tempos depois, naquele boteco de sempre, cobramos do Escova porque ele havia mentido para n\u00f3s naquele dia, dizendo que nada havia entre ele e a doce Estagi\u00e1ria.<\/p>\n<p>Escova sorriu \u2013 e confirmou:<\/p>\n<p>&#8212; N\u00e3o tinha mesmo. Mas, posso lhes garantir que come\u00e7ou ali.<\/p>\n<p>Como assim, perguntamos.<\/p>\n<p>&#8212; Simples. N\u00e3o requer pr\u00e1tica, nem t\u00e3o pouco habilidade. Se o cara ficou t\u00e3o puto da vida s\u00f3 porque dei uma cortada na conversa dos dois ao telefone, \u00e9 porque j\u00e1 estava invocado com alguma coisa, certo?<\/p>\n<p>Concordamos: <\/p>\n<p>&#8212; Certo.<\/p>\n<p>&#8212; Se ele chega procurando por mim que nunca havia sido apresentado a ele, \u00e9 porque algu\u00e9m havia falado de mim para ele, correto?<\/p>\n<p>Concordamos, outra vez.<\/p>\n<p>E ele continuou, c\u00ednico e gabola:<\/p>\n<p>&#8212; Quem poderia falar de mim para ele? Elazinha \u2013 e s\u00f3 ela. \u00c9 f\u00e1cil concluir: a mo\u00e7a estava na minha, s\u00f3 que no n\u00edvel da admira\u00e7\u00e3o e tal. O \u2018man\u00e9\u2019 deu bandeira e jogou a linda no colo do Degas aqui. Da\u00ed foi s\u00f3 correr para os abra\u00e7os, os beijos e viver uma linda hist\u00f3ria de amor.<\/p>\n<p>XII.<\/p>\n<p>No fundo, o Escova \u00e9 um sentimental.<\/p>\n<p>(\u2022Escrevi demais. Volto no domingo&#8230;)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recebo a advert\u00eancia de uma querida internauta sobre o post de ontem.<\/p>\n<p>Ela \u00e9 um dos meus am\u00e1veis e fi\u00e9is leitores, e diz que n\u00e3o \u00e9 justo o que fiz com o Escova,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-12336","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12336","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12336"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12336\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15662,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12336\/revisions\/15662"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12336"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12336"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12336"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}