{"id":12341,"date":"2012-10-25T00:00:00","date_gmt":"2012-10-25T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:22:42","modified_gmt":"2017-09-15T19:22:42","slug":"o-do-borogodo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/o-do-borogodo\/","title":{"rendered":"\u00d3 do borogod\u00f3&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>A express\u00e3o \u201c\u00f3 do borogod\u00f3\u201d desapareceu das nossas conversas di\u00e1rias.<\/p>\n<p>Quando comecei no jornalismo, era uma das favoritas do meu primeiro editor, Tonico Marques, para manifestar seu espanto diante de um fato ou de algu\u00e9m, cuja a\u00e7\u00e3o nos remetia a algo pr\u00f3ximo ao absurdo, ao fim de linha.<\/p>\n<p>Hoje, desconfio, a mo\u00e7ada prefere dizer \u201csem no\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Pois ent\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>\u00d3 do borogod\u00f3 ou sem no\u00e7\u00e3o, tanto faz. <\/p>\n<p>Chame como quiser essa hist\u00f3ria da escolha dos vencedores do pr\u00eamio liter\u00e1rio Jabuti, talvez o mais importante do segmento em plagas nativas.<\/p>\n<p>Leio nos jornais que, na edi\u00e7\u00e3o deste ano, um dos jurados fez avalia\u00e7\u00f5es severas, com notas baix\u00edssimas a v\u00e1rios livros participantes, para supostamente privilegiar a obra que, por fim, acabou saindo vitoriosa, \u201cNihonjin\u201d, do estreante Oscar Nakasato.<\/p>\n<p>H\u00e1 certo malestar nas lides liter\u00e1rias com a situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Outro parceiro da velha reda\u00e7\u00e3o de piso assoalhado, o amigo Escova, diz que o expediente n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o novo assim. Lembra-me, inclusive, que ele pr\u00f3prio j\u00e1 aprontou algo parecido em tempos idos. <\/p>\n<p>Era rep\u00f3rter e foi designado para a cobertura de uma Festa do Hava\u00ed, tradicional evento anual do Clube Atl\u00e9tico Ypiranga.<\/p>\n<p>Na empolga\u00e7\u00e3o de ver a reportagem ganhar destaque, os organizadores \u2013 a dupla Dida e Haroldo \u2013 resolveram fazer um agrado ao jornalista e convid\u00e1-lo para ser jurado na escolha da Garota do Hava\u00ed.  <\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>Escova, codinome dom Juan das Quebradas do Sacom\u00e3, gostou da ideia.<\/p>\n<p>Aceitou a doce incumb\u00eancia. <\/p>\n<p>Arquitetou um plano, por\u00e9m.<\/p>\n<p>Escolheu uma das mo\u00e7oilas para o abate. E jogou o cascatol.<\/p>\n<p>\u201cVoc\u00ea ser\u00e1 a rainha noite, a mais bela da festa, a garota do Hava\u00ed, a mulher da minha vida, o que voc\u00ea quiser.\u201d<\/p>\n<p>A simp\u00e1tica se fez de t\u00edmida. <\/p>\n<p>&#8212; Quem sou eu. S\u00f3 estou participando por participar.<\/p>\n<p>V.<\/p>\n<p>Na hora do desfile, ciente das suas mais lascivas inten\u00e7\u00f5es, fez a trapa\u00e7a.<\/p>\n<p>Deu notas baix\u00edssimas as candidatas de maior potencial \u2013 e dez para a escolhida em todos os itens.<\/p>\n<p>VI.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a apura\u00e7\u00e3o dos votos, o resultado foi o esperado por Escova.<\/p>\n<p>Ao receber a faixa e a coroa, a mo\u00e7a sorriu toda-toda para o rep\u00f3rter. Que, \u00f3bvio, n\u00e3o se fez rogado&#8230; <\/p>\n<p>Foi para o abate.<\/p>\n<p>VII.<\/p>\n<p>Perguntei se teve sucesso na investida?<\/p>\n<p>Escova fez a  cara do Tuf\u00e3on da novela que se foi e mudou o rumo da conversa:<\/p>\n<p>&#8212; Que saudades do Marques, da rotina do jornal, do saudoso Dida, do Haroldo que n\u00e3o sei onde anda, das festas do Ypiranga&#8230; \u00c9, meu caro, tem vez que a vida n\u00e3o vai al\u00e9m do \u00f3 do borogod\u00f3, seja l\u00e1 o que isso quer dizer&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A express\u00e3o \u201c\u00f3 do borogod\u00f3\u201d desapareceu das nossas conversas di\u00e1rias.<\/p>\n<p>Quando comecei no jornalismo, era uma das favoritas do meu primeiro editor, Tonico Marques, para manifestar seu espanto diante de um fato ou de algu\u00e9m,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-12341","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12341","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12341"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12341\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15657,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12341\/revisions\/15657"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12341"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12341"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12341"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}