{"id":12409,"date":"2013-01-24T00:00:00","date_gmt":"2013-01-24T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:22:00","modified_gmt":"2017-09-15T19:22:00","slug":"relatos-de-um-viajante-parvo-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/relatos-de-um-viajante-parvo-2\/","title":{"rendered":"Relatos de um viajante parvo (2)"},"content":{"rendered":"<p>O sil\u00eancio da Abadia de S\u00e3o Victor, um dos pontos  de peregrina\u00e7\u00e3o (e turismo) de Marselha, era quebrado, de minuto em minuto,  pelos gemidos e reclamos de um senhor que se ajoelhara em um dos bancos em frente ao altar-mor.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo em que grunhia palavras intelig\u00edveis, em um idioma desconhecido e, suponho, imagin\u00e1rio, estapeava o ar freneticamente, como se estivesse afastando algu\u00e9m que o molestava duramente.<\/p>\n<p>Era vis\u00edvel a afli\u00e7\u00e3o do homem de porte longil\u00edneo, de rosto sofrido, com a barba a lhe ro\u00e7ar o peito.<\/p>\n<p>Na penumbra do santu\u00e1rio, n\u00e3o dava para ter certeza quem era ele. Um turista, como a maior parte das pessoas que ali estava? Um peregrino? Um mendigo? Um desvalido, desses que andam por a\u00ed sem ter aonde chegar?<\/p>\n<p>Fosse o que fosse, a cena perturbava a calma do lugar.<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Os visitantes, turistas ou n\u00e3o, olhavam para ele com um naco de temor e outro tanto de c\u00f4moda indiferen\u00e7a.<\/p>\n<p>A Abadia de S\u00e3o Victor, situada em uma colina com vista para o sereno mar Mediterr\u00e2neo, tem como ponto alto das visita\u00e7\u00f5es a cripta onde, presume-se, repousam os esp\u00f3lios dos santos m\u00e1rtires \u2013 Victor, L\u00e1zaro e Maria Madalena. N\u00e3o h\u00e1 comprova\u00e7\u00e3o cient\u00edfica da autenticidade de tais rel\u00edquias. Foi a peregrina\u00e7\u00e3o dos fi\u00e9is, ao longo dos s\u00e9culos, que d\u00e1 sustenta\u00e7\u00e3o \u00e0 mem\u00f3ria e ao culto dos santos.<\/p>\n<p>A Igreja, como institui\u00e7\u00e3o, n\u00e3o confirma, nem autentica. Mas, n\u00e3o teve (e n\u00e3o tem) como impedir mais esta manifesta\u00e7\u00e3o de f\u00e9.<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei se quem estava ali, naqueles momentos, conhecia essa hist\u00f3ria. Sei que a tal solidariedade e ajuda fraterna passavam andavam distantes. Passava ao largo de qualquer valor crist\u00e3o e\/ou humanit\u00e1rio que a Igreja promove e recomenda.<\/p>\n<p>N\u00e3o me eximo de culpa. <\/p>\n<p>Quando vou a uma igreja, seja aqui ou em viagens, busco instantes de paz e conforto, espa\u00e7os que s\u00e3o cada vez mais raros em nossa fatigada vida cotidiana.<\/p>\n<p>A afli\u00e7\u00e3o do homem me incomodava. Confesso, por\u00e9m, que em nenhum momento pensei em me inteirar melhor do que estava acontecendo. N\u00e3o passou pela minha cabe\u00e7a e, pelo que pude perceber, de ningu\u00e9m ali presente.<\/p>\n<p>*amanh\u00e3 continua&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O sil\u00eancio da Abadia de S\u00e3o Victor, um dos pontos  de peregrina\u00e7\u00e3o (e turismo) de Marselha, era quebrado, de minuto em minuto,  pelos gemidos e reclamos de um senhor que se ajoelhara em um dos bancos em frente ao altar-mor.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-12409","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12409","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12409"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12409\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15597,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12409\/revisions\/15597"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12409"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12409"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12409"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}