{"id":12413,"date":"2013-01-27T00:00:00","date_gmt":"2013-01-27T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:22:00","modified_gmt":"2017-09-15T19:22:00","slug":"relatos-de-um-viajante-parvo-5","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/relatos-de-um-viajante-parvo-5\/","title":{"rendered":"Relatos de um viajante parvo (5)"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o, n\u00e3o, meus caros&#8230;<\/p>\n<p>N\u00e3o foi o Globo Rep\u00f3rter de idos de novembro que definiu o roteiro de minhas recentes andan\u00e7as pela regi\u00e3o de Proven\u00e7a, na Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>Eu sei que \u00e9 o que andam pela a\u00ed, em tom debochado e provocador, alguns dos meus melhores amigos.<\/p>\n<p>Quem tem amigo assim, \u00e0s vezes penso, n\u00e3o precisa de inimigos, concordam?<\/p>\n<p>Nada contra as dicas que a Gl\u00f3ria Maria deu naquela sexta-feira.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 isso&#8230;<\/p>\n<p>A princ\u00edpio, minha curiosidade pela regi\u00e3o foi instigada por duas magn\u00edficas obras liter\u00e1rias, de Alphonse Daudet (1840-1897), que li em tempos distintos de minha vida \u2013 uma quando andava por volta dos quarentinha (\u201cCartas do Meu Moinho\u201d) e outra mais recentemente (Tartarin de Tarascon).<\/p>\n<p>\u00c9 bem verdade que as duas adapata\u00e7\u00f5es foram feitas por dois not\u00e1veis cronistas (de quem sou f\u00e3 de carteirinha): os saudosos Paulo Mendes Campos (1922-1991)<br \/>\ne Rubem Braga (1913-1990), respectivamente. <\/p>\n<p>Para que justi\u00e7a se lhes fa\u00e7a, transcrevo a seguir brev\u00edssimos trechos de cada uma desses livros, onde h\u00e1 a descri\u00e7\u00e3o das cidades que visitei.<\/p>\n<p>Melhor refer\u00eancia, imposs\u00edvel; concordam?<\/p>\n<p>I \u2013 Cartas do Meu Moinho<\/p>\n<p>\u201cQuem n\u00e3o conheceu Avignon do tempo em que serviu de resid\u00eancia aos papas (de 1309 a 1378), nada conheceu. Pela sua alegria, sua vida, sua anima\u00e7\u00e3o, suas festas, nunca houve cidade parecida. De manh\u00e3 at\u00e9 a noite, eram as prociss\u00f5es, as romarias, as ruas atapetadas de flores, cardeais chegando pelo rio, bandeirolas ao vento, canoas embandeiradas, soldados do Papa cantando em latim e as matracas dos frades a pedir esmola. (&#8230;) No ar, o repicar dos sinos e os tamborins sempre a ressoar do lado da ponte. Em Avignon, quando o povo est\u00e1 contente , \u00e9 preciso dan\u00e7ar; como nesse tempo as ruas da cidade eramm por demais estreitas para a dan\u00e7a proven\u00e7al, flautas e tamborins postavam-se na Ponte de Avignon, pegando o vento fresco do rio, e era dan\u00e7ar, dan\u00e7ar, dia e noite&#8230; Ah! Que tempo feliz! Que cidade feliz!\u201d<\/p>\n<p>II \u2013 Tartarim de Tarascon<\/p>\n<p>\u201cAcontece que todos os tarasconeses s\u00e3o ca\u00e7adores, do mais novo ao mais velho. A ca\u00e7a \u00e9 a paix\u00e3o de Tarascon, desde os tempos mitol\u00f3gicos em que um monstro chamado Tarasca infundia terror nos p\u00e2ntanos daquela cidade da Proven\u00e7a e os moradores organizavam batidas a sua procura. E assim, todo domingo bem cedo, os tarasconeses pegam suas armas e cruzam os muros da cidade em meio a uma algazarra de c\u00e3es, batedores, trompas e buzinas de ca\u00e7a. Um espet\u00e1culo magn\u00edfico! Infelizmente, n\u00e3o existe ca\u00e7a. Nenhuma ca\u00e7a.<\/p>\n<p>Por mais idiotas que fossem os animais, com o tempo eles acabaram ficando desconfiados. Num raio de cinco l\u00e9guas em torno de Tarascon, os campos ficaram desertos, os ninhos abandonados. Nem um s\u00f3 melro, uma codorna, uma lebre, um camundongo ousava permanecer naquelas redondezas, embora as lindas colinas tarasconesas fossem bastante tentadoras&#8230;\u201d<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Eis a\u00ed, meus caros cinco ou seis fi\u00e9is leitores, minhas sugest\u00e3o de viagem e de leitura.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o, n\u00e3o, meus caros&#8230;<\/p>\n<p>N\u00e3o foi o Globo Rep\u00f3rter de idos de novembro que definiu o roteiro de minhas recentes andan\u00e7as pela regi\u00e3o de Proven\u00e7a, na Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>Eu sei que \u00e9 o que andam pela a\u00ed,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-12413","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12413","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12413"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12413\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15594,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12413\/revisions\/15594"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12413"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12413"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12413"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}