{"id":12414,"date":"2013-01-28T00:00:00","date_gmt":"2013-01-28T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:21:59","modified_gmt":"2017-09-15T19:21:59","slug":"relatos-de-um-viajante-parvo-6","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/relatos-de-um-viajante-parvo-6\/","title":{"rendered":"Relatos de um viajante parvo (6)"},"content":{"rendered":"<p>Tinha boas refer\u00eancias de Aix en Provence como uma das mais ricas cidades da Proven\u00e7a no \u00e2mbito cultural, art\u00edstico e arquitet\u00f4nico. L\u00e1, inclusive, nasceu e morreu o pintor Paul C\u00e9zanne que, registre-se, tem monumento alusivo \u00e0 sua mem\u00f3ria em um dos jardins da Place de la Rotunde.<\/p>\n<p>Foi com essas perspectivas, do tal mergulho cultural, que chegamos \u00e0 cidade em uma das tardes ensolaradas de janeiro.<\/p>\n<p>A procura por um hotel razo\u00e1vel \u2013 e compat\u00edvel aos nossos bolsos \u2013 demorou mais do que imagin\u00e1vamos. At\u00e9 ajeitarmos nossos trens no Hotel Morzat \u2013 \u201colha o nome do hotel, aqui se respira cultura\u201d, me disse um amigo \u2013 foram horas perambulando pelas arredores do centro antigo.<\/p>\n<p>Nessas idas e vindas, perdemos a hora do almo\u00e7o \u2013 os restaurantes fecham \u00e0s 15 horas impreterivelmente e s\u00f3 reabrem para o jantar \u00e0s 19 &#8211; e tivemos que nos virar com uma lanchonete, especializada em comida turca e assemelhadas, t\u00e3o comum naquela \u00e1rea do sul do Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>N\u00e3o fiquei nenhum pouco chateado. <\/p>\n<p>Fui direto ao assunto assim que entrei na casa, nem me dei conta de que estava longe do Brasil:<\/p>\n<p>&#8212; Para mim, um kebab, por favor!<\/p>\n<p>Ao me ouvir, o simp\u00e1tico atendente tamb\u00e9m n\u00e3o se fez de rogado:<\/p>\n<p>&#8212; Brasiliano? Welcome, bienvenido&#8230; <\/p>\n<p>Diante da minha surpresa, e pelos risos dos que me acompanhavam, refor\u00e7ou todo o conhecimento que gostaria de demonstrar sobre o nosso Pa\u00eds:<\/p>\n<p>&#8212; Neymar, Rom\u00e1rio, Ronaldo&#8230; Futbol&#8230;<\/p>\n<p>E desandou a fazer perguntas sobre a Copa do Mundo, com vivo interesse de quem planejava estar entre n\u00f3s em 2014. N\u00e3o me perguntem o idioma que o homem atarracado e falante usava, pois n\u00e3o saberei lhes dizer. Estava entre o ingl\u00eas macarr\u00f4nico (melhor que o meu, diga-se) e o portunhol afrancesado. Eu lhes respondia na base das m\u00edmica e com abanos de cabe\u00e7a:<\/p>\n<p>&#8212; Sim, sim, n\u00e3o n\u00e3o&#8230; Oui, oui&#8230; Je ne c\u2019est pas&#8230;<\/p>\n<p>Um portugu\u00eas, ali radicado, que assistia a cena hilariante, resolveu intervir:<\/p>\n<p>&#8212; Ele quer saber se o Brasil \u00e9 seguro&#8230; A gente ouve tantas coisas por aqui. Fica sempre aquele temor&#8230;<\/p>\n<p>Outro abano de cabe\u00e7a como resposta.<\/p>\n<p>Sei l\u00e1 o que o chapeiro entendeu da minha resposta ao portuga. Mas, seja o que for, ele resolveu declarar para quem torceria, caso aqui viesse:<\/p>\n<p>&#8212; Marr\u00f4co, Marr\u00f4co, Marr\u00f4co, cantarou como se estivesse no est\u00e1dio.<\/p>\n<p>O cara era marroquino, pode?<\/p>\n<p>&#8212; Mas, e se o pa\u00eds dele n\u00e3o se classificar, para quem ele vai torcer, resolvi provocar.<\/p>\n<p>Os dois trocaram algumas palavras que, sem apertar a tecla SAP, pude entender perfeitamente.<\/p>\n<p>Ele torceria pelo Messi, \u201co melhor jogador de todos os tempos\u201d.<\/p>\n<p>Senti o golpe, e resolvi mudar de assunto:<\/p>\n<p>&#8212; Vamos falar de arte, de Paul C\u00e9zanne, por favor&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tinha boas refer\u00eancias de Aix en Provence como uma das mais ricas cidades da Proven\u00e7a no \u00e2mbito cultural, art\u00edstico e arquitet\u00f4nico. 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