{"id":12429,"date":"2013-02-17T00:00:00","date_gmt":"2013-02-17T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:21:57","modified_gmt":"2017-09-15T19:21:57","slug":"a-barbearia-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/a-barbearia-2\/","title":{"rendered":"A barbearia (2)"},"content":{"rendered":"<p>III.<\/p>\n<p>Como lhes prometi, vamos \u00e0 continua\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria de ontem.<\/p>\n<p>Devo-lhes a tal anedota de sal\u00e3o.<\/p>\n<p>Antes, por\u00e9m, permita-me apresentar o gajo contador que chegou chegando \u00e0 barbearia do Milton.<\/p>\n<p>Ei-lo:<\/p>\n<p>&#8212; Posso penetrar? \u2013 pespegou o simp\u00e1tico assim que p\u00f4s as rubras faces \u00e0 porta<br \/>\nde vidro.<\/p>\n<p>Como ningu\u00e9m ousou barr\u00e1-lo, continuou cheio de gra\u00e7a:<\/p>\n<p>&#8212; Pronto. Penetrei&#8230; Ui&#8230;<\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>Era um tipo faceiro, mais para fofo. Bermud\u00e3o, chinela largona nos p\u00e9s e<br \/>\ncamiseta, tipo cheguei, estampando na frente a sugestiva frase: \u201cBreaco, pero non mucho&#8230;\u201d.<\/p>\n<p>Um tipo mais do que conhecido na ZL paulistana. De sotaque macarr\u00f4nico, com aquele singelo v\u00edcio de linguagem \u2013 suprimir a \u00faltima silabra de algumas palavras no plural.<\/p>\n<p>&#8212; Milton, meu camarada, vamo que vamo. Voltei, cara. Voltei, e sou todo seu. D\u00e1 uns tapa no telhado. Que hoje \u00e9 s\u00e1bado e a \u2018patroinha\u2019 foi visitar a santa m\u00e3ezinha e eu estou com alvara de soltura&#8230;<\/p>\n<p>V.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m lhe perguntou, mas ele continou falando&#8230;<\/p>\n<p>&#8212; Sabe o que \u00e9? Minha sogrinha anda triste que s\u00f3. Ela mora sozinha desde que o marid\u00e3o se foi dessa para a melhor. Deus o tenha! Foi ent\u00e3o que se apegou a uma papagaia que lhe apareceu no quintal j\u00e1 faz algum tempo&#8230; <\/p>\n<p>&#8212; Ent\u00e3o, a bichinha \u00e9 uma gra\u00e7a \u2013 continuou o desacanhado. Ss\u00f3 tem um problema fala muito palavr\u00e3o. Parece que foi criada \u2013 me desculpe a m\u00e1 palavra, mas n\u00e3o tem mo\u00e7a aqui \u2013 num puteiro&#8230;<\/p>\n<p>J\u00e1 imaginei onde a coisa ia parar, mas fiquei na minha e o gajo s\u00f3 \u2018ablando\u2019:<\/p>\n<p>&#8212; A velhinha morre de vergonha porque \u00e9 muito carola. Quando algu\u00e9m vai visit\u00e1-la, sai de l\u00e1 horrorizado&#8230;<\/p>\n<p>VI.<\/p>\n<p>&#8212;  (&#8230;) Foi ent\u00e3o que decidi socorrer a av\u00f3 dos meus rebentos e tive a ideia de levar a bichinha para casa de um amigo, o Alfredo.  Ele tem dois papagaios que rezam o dia todo&#8230; Precisa ver&#8230; Rezam que rezam. Achei que os louros poderiam ser um bom exemplo&#8230; Engano o meu.<\/p>\n<p>Houve uma pausa, diria, art\u00edstica e proposital por parte do narrador debochado at\u00e9 que algu\u00e9m ca\u00edsse na esparela de lhe perguntar:<\/p>\n<p>&#8212; N\u00e3o deu certo porqu\u00ea?<\/p>\n<p>VII.<\/p>\n<p>S\u00f3 a\u00ed o gozador concluiu a hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>&#8212; Assim que os papagaios viram a donzela desbocada, que adentrou a gaiola xingando e falando mil e um palavr\u00e3o, um virou para outro e abriu o bico: \u201cPode parar de rezar, o bom de bico, que o homem l\u00e1 em cima atendeu as nossas preces&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>III.<\/p>\n<p>Como lhes prometi, vamos \u00e0 continua\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria de ontem.<\/p>\n<p>Devo-lhes a tal anedota de sal\u00e3o.<\/p>\n<p>Antes, por\u00e9m, permita-me apresentar o gajo contador que chegou chegando \u00e0 barbearia do Milton.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-12429","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12429","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12429"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12429\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15578,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12429\/revisions\/15578"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12429"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12429"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12429"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}