{"id":12451,"date":"2013-03-11T00:00:00","date_gmt":"2013-03-11T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:21:54","modified_gmt":"2017-09-15T19:21:54","slug":"nando-fernando-ou-ferdinando-versao-3","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/nando-fernando-ou-ferdinando-versao-3\/","title":{"rendered":"Nando, Fernando ou Ferdinando. Vers\u00e3o 3"},"content":{"rendered":"<p>&#8212; Nando, Nando&#8230;<\/p>\n<p>Fazia sua habitual corrida pelas alamedas do Parque do Ibirapuera quando ouviu a voz de uma mulher a lhe chamar.<\/p>\n<p>&#8212; Nando, Nando, Nando&#8230;<\/p>\n<p>Insistia, ansiosa.<\/p>\n<p>Acontece que ningu\u00e9m o chamava assim desde tempos idos e havidos. <\/p>\n<p>Num acesso de tradicionalista convicto, o pai resolvera lhe presentear com o nome do av\u00f4 e, acreditem ou n\u00e3o, desde que se conhecia por gente, atendia pelo nome de Ferdinando.<\/p>\n<p>Ao longo dos anos, j\u00e1 se habituara \u00e0 confus\u00e3o que alguns faziam \u2013 e lhe chamavam de Fernando. De in\u00edcio, ele at\u00e9 tentava corrigir, mas depois desistia. <\/p>\n<p>Era indiferente: Ferdinando ou Fernando, tanto faz.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m ousara lhe colocar qualquer apelido. <\/p>\n<p>Se bem que \u00e0 \u00e9poca do cursinho para a S\u00e3o Francisco, uma deusa de cabelos negros, longos e lisos preferia lhe chamar de Nando.<\/p>\n<p>Era apaixonado por ela. Mas, nunca ousou declarar-se.<\/p>\n<p>Ele entrou entre os primeiros na faculdade do Largo S\u00e3o Francisco, e nunca mais teve not\u00edcias da mo\u00e7a.<\/p>\n<p>Chamava-se Sofia.<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>&#8212; Nando, Nando&#8230; Nand\u00f4\u00f4\u00f4\u00f4\u00f4&#8230;<\/p>\n<p>Ser\u00e1?<\/p>\n<p>Os gritos eram cont\u00ednuos e, mesmo \u00e0s suas costas, n\u00e3o teve mais d\u00favidas: vinham em sua dire\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Eram com ele mesmo.<\/p>\n<p>Parou, virou-se e deu de cara com a deusa mais linda de tantas quantas j\u00e1 se embrenharam por aquelas matas e trilhas.<\/p>\n<p>Sofia!<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>N\u00e3o houve tempo para qualquer pergunta.<\/p>\n<p>Visivelmente entusiasmada com o reencontro, Sofia foi logo se jogando para um abra\u00e7o fraternal e os beijinhos de costumeiros.<\/p>\n<p>&#8212; Quanto tempo? Rapaz, por onde voc\u00ea anda? O que voc\u00ea est\u00e1 fazendo. Conte-me tudo&#8230;<\/p>\n<p>Nando\/Ferdinando respirou fundo. Procurou atinar as ideias. Ela estava ainda mais linda \u2013 e a presen\u00e7a dela o deixava mudo.<\/p>\n<p>Extasiado.<\/p>\n<p>Por muitos anos esperou por esse momento.<\/p>\n<p>&#8212; J\u00e1 vi que continua o mesmo. T\u00edmido que s\u00f3.<\/p>\n<p>Ele riu da observa\u00e7\u00e3o e disse que j\u00e1 n\u00e3o era mais assim.<\/p>\n<p>Como magistrado que era, aprendeu a ser o centro das aten\u00e7\u00f5es e dar senten\u00e7as longas ou curtas, mas sempre objetivas.<\/p>\n<p>&#8212; Quer um exemplo? Voc\u00ea est\u00e1 mais linda ainda&#8230;<\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>Foi t\u00e3o natural, e espont\u00e2neo na fala que foi a vez de Sofia calar-se.<\/p>\n<p>Nando\/Ferdinando sentiu que a impressionara, e resolveu seguir no convers\u00ea.<\/p>\n<p>Falou do curso, do quanto procurou por ela nos primeiros dias de aula; depois, de suas andan\u00e7as por cidades do interior at\u00e9 assumir uma Vara aqui na Capital. Que estava feliz em v\u00ea-la. Que a partir de agora n\u00e3o mais a perderia de vista. Que vinha sempre ali exercitar-se. Que estava solteiro. Que ela estava mais linda ainda, \u201cmas isso eu j\u00e1 disse\u201d&#8230;<\/p>\n<p>V.<\/p>\n<p>Enfim, empolgou-se.<\/p>\n<p>Sequer reparou a alian\u00e7a, grossa e dourada, no dedo anelar da m\u00e3o esquerda que ela exibia, ainda que timidamente.<\/p>\n<p>N\u00e3o demorou &#8211; e um senhor de ares circunspectos se aproximou de ambos, bufando de cansa\u00e7o.<\/p>\n<p>&#8212; Ufa! Te alcancei. Isso \u00e9 o que d\u00e1 casar com uma mulher bem mais jovem que a gente.<\/p>\n<p>A explica\u00e7\u00e3o se fazia desnecess\u00e1ria. Assim como a apresenta\u00e7\u00e3o que se seguiu, com ares de total constrangimento:<\/p>\n<p>&#8212; Nando, meu marido Greg\u00f3rio. Greg\u00f3, um amigo do tempo do cursinho, o Nando&#8230;<\/p>\n<p>VI.<\/p>\n<p>Ela pensou em explicar que, anos atr\u00e1s, no mesmo Parque, conheceu Greg\u00f3rio por acaso ao confundi-lo com uma antiga e ut\u00f3pica paix\u00e3o dos tempos do cursinho, mas desistiu.<\/p>\n<p>Ficaria um clim\u00e3o \u2013 e nenhum dos tr\u00eas merecia passar por mais esta.<\/p>\n<p>Conversaram por alguns brev\u00edssimos minutos \u2013 e logo cada qual seguiu para o seu lado.<\/p>\n<p>Nando e Sofia, resignados com as nuances do destino de cada um. Greg\u00f3rio, a remoer um (in)certo desconforto que n\u00e3o sabia como explicar. Nem queria&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8212; Nando, Nando&#8230;<\/p>\n<p>Fazia sua habitual corrida pelas alamedas do Parque do Ibirapuera quando ouviu a voz de uma mulher a lhe chamar.<\/p>\n<p>&#8212; Nando, Nando, Nando&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-12451","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12451","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12451"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12451\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15556,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12451\/revisions\/15556"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12451"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12451"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12451"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}