{"id":12498,"date":"2013-05-07T00:00:00","date_gmt":"2013-05-07T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:21:13","modified_gmt":"2017-09-15T19:21:13","slug":"a-vinganca","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/a-vinganca\/","title":{"rendered":"A vingan\u00e7a"},"content":{"rendered":"<p>Tales era amigo de Agostinho que amava Paulinha que amava Tales que era amigo de Agostinho, mas n\u00e3o sabia da hist\u00f3ria e se engra\u00e7ou com Paulinha. <\/p>\n<p>O novo casal fez segredo do romance at\u00e9 que resolveu anunciar o cas\u00f3rio.<\/p>\n<p>Detalhe: os tr\u00eas trabalhavam na mesma empresa.<\/p>\n<p>Quando Agostinho soube da \u2018boa\u2019 nova, perdeu o ch\u00e3o e o resto de cabelos que ainda resistia \u00e0 inexor\u00e1vel a\u00e7\u00e3o do tempo.<\/p>\n<p>Pobre Agostinho!<\/p>\n<p>O rosto de Paulinha, angelical. Olhar atrevido. O riso de Paulinha, cativante. Paulinha e o amigo Tales de m\u00e3os dadas, que cena! Jamais esqueceria. N\u00e3o poderia viver assim.<\/p>\n<p>Mudou de trabalho, de bairro, de cidade, de Estado.<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Os anos se passaram. <\/p>\n<p>Agostinho n\u00e3o esqueceu Paulinha. Mas, tamb\u00e9m, a milhas e mihas de dist\u00e2ncia, se habituara \u00e0quela desilus\u00e3o. <\/p>\n<p>No autom\u00e1tico, vivia e deixava viver.<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>At\u00e9 que um dia, algu\u00e9m bateu \u00e0 sua porta e o Senhor Agostinho, como era conhecido naqueles cafund\u00f3s, atendeu como sempre fazia: aos berros. Meio que injuriado, como se algu\u00e9m, de repente, fosse acabar com o seu sossego.<\/p>\n<p>&#8211; Se vier em nome de Deus, que seja bem-vindo. Mas, venha numa perna e v\u00e1 na outra.<\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>Era uma mo\u00e7a linda. Rosto angelical. Olhar atrevido. Riso cativante. <\/p>\n<p>Paulinha? <\/p>\n<p>O tempo tamb\u00e9m se fizera ref\u00e9m da beleza da mo\u00e7a? <\/p>\n<p>Como assim?<\/p>\n<p>Agostinho baqueou.<\/p>\n<p>Como ela me descobriu aqui &#8211; pensou. <\/p>\n<p>Sonhou alto ao perceber que Tales n\u00e3o dera sinal de vida.<\/p>\n<p>Ser\u00e1?<\/p>\n<p>V.<\/p>\n<p>&#8211; Tio Agostinho? Andr\u00e9a, muito prazer. Vim convid\u00e1-lo para as bodas de prata dos meus pais, Paula e Tales, seus amigos, lembra-se deles?<\/p>\n<p>Uma agulhada crispou o cora\u00e7\u00e3o do homem. <\/p>\n<p>Suspirou. Imaginando a vingan\u00e7a. <\/p>\n<p>Convenceu-se, ali mesmo. Conquistaria Andr\u00e9a e&#8230;<\/p>\n<p>VI.<\/p>\n<p>Nem tudo estava perdido. <\/p>\n<p>No entanto, a mo\u00e7a tinha algo mais a lhe dizer.<\/p>\n<p>&#8211; Ah, e tamb\u00e9m fa\u00e7o muito gosto que o senhor participe da cerim\u00f4nia do meu casamento. Vamos fazer uma festa s\u00f3. Vai ser lindo, inesquec\u00edvel.<\/p>\n<p>VII.<\/p>\n<p>N\u00e3o houve resposta. <\/p>\n<p>Ouviu-se apenas o baque de um corpo que tombou.<\/p>\n<p>VIII.<\/p>\n<p>Dia seguinte, no vel\u00f3rio, o falat\u00f3rio era geral. Um homem sempre tranq\u00fcilo, qual a causa do infarto que matou Agostinho naquele exato instante? <\/p>\n<p>Uns falavam da emo\u00e7\u00e3o de ter sido lembrado tantos anos depois. <\/p>\n<p>Muitos concordaram com o diagn\u00f3stico. Menos aquela senhora que jogava b\u00fazios, com ares de quem sabe das coisas, e dizia exatamente o contr\u00e1rio.<\/p>\n<p>&#8211; Morreu  foi de raiva por nunca ter esquecido&#8230;<\/p>\n<p>\u2022Trecho da cr\u00f4nica \u201cEntre Amigos\u201d, publicada no livro \u201cMeus Caros Amigos \u2013 Cr\u00f4nicas sobre jornalistas, bo\u00eamios e paix\u00f5es\u201d, lan\u00e7ado em 2010, por conta e risco do autor, este modesto blogueiro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tales era amigo de Agostinho que amava Paulinha que amava Tales que era amigo de Agostinho, mas n\u00e3o sabia da hist\u00f3ria e se engra\u00e7ou com Paulinha. <\/p>\n<p>O novo casal fez segredo do romance at\u00e9 que resolveu anunciar o cas\u00f3rio.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-12498","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12498","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12498"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12498\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15513,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12498\/revisions\/15513"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12498"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12498"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12498"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}