{"id":12499,"date":"2013-05-08T00:00:00","date_gmt":"2013-05-08T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:21:13","modified_gmt":"2017-09-15T19:21:13","slug":"a-solteirice-do-poeta","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/a-solteirice-do-poeta\/","title":{"rendered":"A solteirice do Poeta"},"content":{"rendered":"<p>Ele tem o apelido de Poeta, mas verdadeiramente nunca escreveu um livro. <\/p>\n<p>Ganhou o \u2018t\u00edtulo\u2019 quando a mo\u00e7a que amava se foi e ele se p\u00f4s a escrever versos atr\u00e1s de versos para aliviar a quentura do peito.<\/p>\n<p>\u201cServiu como terapia, tipo descarrego mesmo\u201d, explicou tempos depois.<\/p>\n<p>Foi-se a paix\u00e3o, ficou o cacoete.<\/p>\n<p>Vez ou outra ainda arrisca um tr\u00f4pego poema. \u201cMais para refletir sobre a vida e tudo que vejo ao redor do que propriamente para ver publicado um dia\u201d.<\/p>\n<p>&#8211; Faltam-me a t\u00e9cnica e a coragem para edit\u00e1-los. Quem sabe no futuro.<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Encontrei-me ontem com o amigo, ap\u00f3s uma jornada puxada na Universidade. <\/p>\n<p>Queria espairecer, jogar conversa fora, relaxar, nada de relevante deveria vir \u00e1 tona.<\/p>\n<p>S\u00f3 que o Poeta, digamos, estava inspirado.<\/p>\n<p>Queria falar de Literatura.<\/p>\n<p>De seus autores preferidos (os franceses Simone de Beauvoir e Sartre, Bauman, N\u00e9lson Rodrigues, entre outros) \u2013 e de como uma obra \u201cem sintonia com seu tempo\u201d pode ser libertadora.<\/p>\n<p>Os poetas e o Poeta t\u00eam desses arroubos.<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>Imaginei que em seguida ele fosse engatar a hist\u00f3ria do livro que um dia, talvez, quem sabe, tomara Deus, gostaria de publicar.  <\/p>\n<p>Mas, n\u00e3o.<\/p>\n<p>O Poeta cismou de que eu \u2013 este humilde escriba \u2013 deveria escrever um romance. <\/p>\n<p>Disse mais.<\/p>\n<p>O protagonista de toda a trama deveria ser o alterego de mim mesmo. Para dar densidade e vida \u00e0 narrativa.<\/p>\n<p>&#8211; Gosto do seu estilo. Mas, acho que voc\u00ea deveria perder as travas e enveredar por um texto de f\u00f4lego, mais profundo, que revele o autor e suas verdades.<\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>\u00d4 loco&#8230;<\/p>\n<p>Para quem, como eu, s\u00f3 queria dar uma arejada no fim de noite, desconfiei que a conversa estava indo longe demais,<\/p>\n<p>Desconversei.<\/p>\n<p>Falei que n\u00e3o era propriamente um escritor. Um romancista. Quem dera!<\/p>\n<p>Sempre fui um rep\u00f3rter vira-lata, do tempo em que os rep\u00f3rteres iam para a rua em busca da melhor hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>N\u00e3o havia a tal agenda setting.<\/p>\n<p>Entrevist\u00e1vamos do pipoqueiro ao l\u00edder da Oposi\u00e7\u00e3o com a mesma naturalidade e empenho.<\/p>\n<p>Valia o texto, o estilo.<\/p>\n<p>Era nossa deliciosa batalha de todo o dia.<\/p>\n<p>V.<\/p>\n<p>Depois me fiz cronista por for\u00e7a das atribui\u00e7\u00f5es que assumi como editor e, mais recentemente, virei blogueiro na onda das novas tecnologias.<\/p>\n<p>Os livros vieram como consequ\u00eancia ao reunir meus escritos em colet\u00e2neas. Inclusive neste ano penso em lan\u00e7a mais um e cousa e lousa e mariposa (que \u00e9 uma express\u00e3o cunhada pelo grande e saudoso Pl\u00ednio Marcos que eu gosto de usar).<\/p>\n<p>VI.  <\/p>\n<p>Estava nesse devaneio, a me sentir o pr\u00f3prio entrevistado do programa Roda Viva, quando notei que meu interlocutor n\u00e3o estava nem a\u00ed para a minha perora\u00e7\u00e3o &#8211; gostaram da palavra pouco usual?<\/p>\n<p>\u00c0s favas a Literatura, ele estava de olho grande na risonha e linda Fernandinha que perambulava, solta, pelas mesas do bar. Nem a\u00ed com a cobi\u00e7a generalizada da plateia de perdidos que ali se encontrava.<\/p>\n<p>Desacreditei.<\/p>\n<p>Mas, n\u00e3o lhe censurei. <\/p>\n<p>Na fase atual, de solterice aguda, o Poeta anda desesperado atr\u00e1s de uma nova musa inspiradora&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ele tem o apelido de Poeta, mas verdadeiramente nunca escreveu um livro. <\/p>\n<p>Ganhou o \u2018t\u00edtulo\u2019 quando a mo\u00e7a que amava se foi e ele se p\u00f4s a escrever versos atr\u00e1s de versos para aliviar a quentura do peito.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-12499","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12499","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12499"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12499\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15512,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12499\/revisions\/15512"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12499"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12499"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12499"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}