{"id":12517,"date":"2013-05-23T00:00:00","date_gmt":"2013-05-23T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:21:11","modified_gmt":"2017-09-15T19:21:11","slug":"os-poetas-e-o-reporter","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/os-poetas-e-o-reporter\/","title":{"rendered":"Os poetas e o rep\u00f3rter"},"content":{"rendered":"<p>Dia desses, e n\u00e3o faz muito, lembrei o amigo Nasci, ent\u00e3o um veterano da Reda\u00e7\u00e3o, e o jeito bom com o qual pretendia nos iniciar na arte e no of\u00edcio do amar e do viver.<\/p>\n<p>\u201cVoc\u00eas s\u00e3o jovens e inconsequentes\u201d, dizia o Mestre e, o tralal\u00e1 do post na \u00edntegra atende pelo nome de \u201cO Amor. Na Linha do Horizonte&#8230;\u201d<\/p>\n<p>Se meus car\u00edssimos cinco ou seis leitores me derem a honra de (re)visit\u00e1-lo, ser\u00e1 oportuno; pois hoje gostaria de completar aquela narrativa.<\/p>\n<p>N\u00e3o usarei palavras minhas, e sim do poeta Carlos Drummond de Andrade que, em 14 de julho de 1979, publicou uma cr\u00f4nica em forma de carta, uma tocante homenagem a Cora Coralina, escritora brasileira que tinha 76 anos quando seu primeiro livro foi publicado.<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>O texto de Drummond \u2013 respons\u00e1vel por apresent\u00e1-la ao mercado editorial \u2013 \u00e9 um encanto. Ouso transcrev\u00ea-lo a seguir:<\/p>\n<p>Rio de Janeiro, 14 de julho de 1979<\/p>\n<p>Cora Coralina. <\/p>\n<p>N\u00e3o tendo o seu endere\u00e7o, lan\u00e7o estas palavras ao vento, na esperan\u00e7a de que ele as deposite em suas m\u00e3os. <\/p>\n<p>Admiro e amo voc\u00ea como algu\u00e9m que vive em estado de gra\u00e7a com a poesia. Seu livro \u00e9 um encanto, seu verso \u00e9 \u00e1gua corrente, seu lirismo tem a for\u00e7a e a delicadeza das coisas naturais. Ah, voc\u00ea me d\u00e1 saudades de Minas, t\u00e3o irm\u00e3 do teu Goi\u00e1s! D\u00e1 alegria na gente saber que existe bem no cora\u00e7\u00e3o do Brasil um ser chamado Cora Coralina. <\/p>\n<p>Todo o carinho, toda a admira\u00e7\u00e3o do seu&#8230; <\/p>\n<p>Carlos Drummond de Andrade<\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>\u00c9 ou n\u00e3o \u00e9 uma declara\u00e7\u00e3o de amor?<\/p>\n<p>\u00c0 veneranda poeta e contadora de causos (que tinha ent\u00e3o 90 anos)&#8230;<\/p>\n<p>\u00c0 poesia&#8230;<\/p>\n<p>E \u00e0 vida.<\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>Hoje pela manh\u00e3, o jornalista N\u00e9lson Ara\u00fajo (apresentador do Globo Rural) visitou a Universidade Metodista de S\u00e3o Paulo. Falou por mais de duas horas aos primeiros anistas do curso de jornalismo. <\/p>\n<p>Avesso \u00e0s pompas e circunst\u00e2ncias, ele preferiu n\u00e3o nominar o encontro como Aula Magna \u2013 mas, depois de tantas e tamanhas li\u00e7\u00f5es de bom jornalismo, os organizadores chegaram a conclus\u00e3o de que acabavam de inventar um novo g\u00eanero de palestras; o bate-papo magno.<\/p>\n<p>Em meio \u00e0 explana\u00e7\u00e3o, Ara\u00fajo convocou a plateia a elencar tr\u00eas coisas vitais para a vida no Planeta. <\/p>\n<p>\u00c1gua, ar e alimento, concluiu-se acertadamente.<\/p>\n<p>Ara\u00fajo permitiu-se ent\u00e3o indicar um quarto elemento.<\/p>\n<p>Tirou da mochila dois exemplares de livros de Guimar\u00e3es Rosa e, ao mostr\u00e1-los para o p\u00fablico, anunciou que n\u00e3o se vive sem poesia.<\/p>\n<p>V.<\/p>\n<p>Fiquei a matutar que verdadeiramente a poesia, tenha a forma que tiver, est\u00e1 em toda a parte. Nas palavras, no olhar, em um sorriso.<\/p>\n<p>Poesia pressup\u00f5e entrega, sentimento, sensibilidade, amor.<\/p>\n<p>Mesmo submerso em leads e subleads, em linhas finas e \u201cpir\u00e2mides invertidas\u201d, n\u00e3o se faz um bom texto jornal\u00edstico ao se prescindir dessas caracter\u00edsticas.<\/p>\n<p>Se elas nos faltarem, corremos o risco de nos transformarmos numa extens\u00e3o do computador.<\/p>\n<p>Ou seja, sem poesia, nem o jornalismo sobrevive&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dia desses, e n\u00e3o faz muito, lembrei o amigo Nasci, ent\u00e3o um veterano da Reda\u00e7\u00e3o, e o jeito bom com o qual pretendia nos iniciar na arte e no of\u00edcio do amar e do viver.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-12517","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12517","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12517"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12517\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15497,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12517\/revisions\/15497"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12517"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12517"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12517"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}