{"id":12532,"date":"2013-06-12T00:00:00","date_gmt":"2013-06-12T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:21:09","modified_gmt":"2017-09-15T19:21:09","slug":"ser-palmeirense-em-1993","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/ser-palmeirense-em-1993\/","title":{"rendered":"Ser palmeirense em 1993"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o gosto nem de lembrar.  De t\u00e3o humilhante que era.<\/p>\n<p>Foi no tempo em que os est\u00e1dios eram repartidos \u2013 metade, metade, ou quase isso &#8211; pelas torcidas dos dois times que se enfrentariam. <\/p>\n<p>Ouv\u00edamos calados, impotentes o del\u00edrio vindo da banda de l\u00e1 das arquibancadas a contagem que nos corroia alma e cora\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>Um.<\/p>\n<p>Dois.<\/p>\n<p>Tr\u00eas.<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>Dezesseis&#8230;<\/p>\n<p>O mais dilacerante vinha agora, aquele corinho do\u00eddo e triste:<\/p>\n<p>Parab\u00e9ns a voc\u00ea<\/p>\n<p>Nesta data querida&#8230;<\/p>\n<p>II.<\/p>\n<p>Era assim que eles \u2013 os do lado de l\u00e1 \u2013 deliciavam-se com os anos de fila que o Palmeiras curtia, sem ganhar nenhum t\u00edtulo desde 1976.<\/p>\n<p>Diria que a zoeira que hoje nos impingem por disputarmos a segunda divis\u00e3o \u00e9 fichinha perto daquele tripudiar. <\/p>\n<p>III.<\/p>\n<p>De nada adiantava a nossa argumenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Batemos na trave tantas vezes. Por detalhes, n\u00e3o nos sagramos campe\u00f5es.<\/p>\n<p>Em 1978, o Arnaldo \u201ca regra \u00e9 clara\u201d C\u00e9zar Coelho inventou um p\u00eanalti do Le\u00e3o em Careca e quebrou o Palmeiras na final do Brasileir\u00e3o, frente ao Guarani. Ano seguinte, foi a vez do presidente V\u00edcente Matheus, daquele outro time, adiar a final do campeonato paulista para in\u00edcio de 1980, quebrando o ritmo de vit\u00f3rias e goleadas do Palmeiras, de mestre Tel\u00ea Santana. <\/p>\n<p>Em 1986, foi aquela esparrela diante da Inter de Limeira, e l\u00e1 se foi mais um Paulist\u00e3o. Tr\u00eas anos depois, a acusa\u00e7\u00e3o de dopping de M\u00e1rio S\u00e9rgio fez a maionese desandar, quando o Palmeiras, do ent\u00e3o t\u00e9cnico Le\u00e3o. No in\u00edcio dos anos 90, os embates com o S\u00e3o Paulo, sempre com resultados suspeitos, a nosso ver, claro.<\/p>\n<p>IV.<\/p>\n<p>Nada disso valia.<\/p>\n<p>Valia mesmo aquele zumbido ampliado, retumbante, dos est\u00e1dios lotados (no tempo em que os est\u00e1dios lotavam) a nos infernizar:  <\/p>\n<p>Um.<\/p>\n<p>Dois.<\/p>\n<p>Tr\u00eas.<\/p>\n<p>(&#8230;)<\/p>\n<p>Dezesseis&#8230;<\/p>\n<p>Parab\u00e9ns a voc\u00ea<\/p>\n<p>Nesta data querida&#8230;<\/p>\n<p>V.<\/p>\n<p>Pior \u00e9 que passamos anos a fio \u2013 a d\u00e9cada de 60 e quase toda a de 70 \u2013 a entoar a mesma cantilena, espezinhando as afli\u00e7\u00f5es daquele outro time que passou 23 anos na mais longa fila da hist\u00f3ria do futebol brasileiro.<\/p>\n<p>Naqueles tempos, eles eram os algozes \u2013 e n\u00f3s, as v\u00edtimas.<\/p>\n<p>N\u00e3o era f\u00e1cil.<\/p>\n<p>VI.<\/p>\n<p>Foi ent\u00e3o que aconteceu aquele 12 de junho de 1993, inesquec\u00edvel, her\u00f3ico, hist\u00f3rico. As dores se dissiparam aos p\u00e9s Evair, Edmundo, C\u00e9sar Sampaio, Tonh\u00e3o e Cia.<\/p>\n<p>Foi uma sapatada e tanto no arquirrival, aquele outro time.<\/p>\n<p>A vida voltou a nos sorrir.<\/p>\n<p>O amor \u00e9 verde, meus caros, como ensinou o grande Moacir Franco.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o gosto nem de lembrar.  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