{"id":12548,"date":"2013-06-28T00:00:00","date_gmt":"2013-06-28T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:21:07","modified_gmt":"2017-09-15T19:21:07","slug":"olhos-nos-olhos-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/olhos-nos-olhos-2\/","title":{"rendered":"Olhos nos olhos (2)"},"content":{"rendered":"<p>Gosto do jeito simples e direto que o amigo Nicola tem para esclarecer esses impasses existenciais. Desconfio que, mais do que os livros e a ci\u00eancia que estuda e desenvolve, ele se espelha nas experi\u00eancias de vida que recolhe ora na penumbra do consult\u00f3rio (h\u00e1 quem diga que \u00e9 \u00e0 meia-luz que as pessoas se revelam) ora nas idas-e-vindas com seu t\u00e1xi pelas ruas de Sampa.<\/p>\n<p>N\u00e3o lembro como terminou nossa conversa naquele dia. Sei que, na esteira do papo, me pus a pensar no assunto \u2013 e, pra variar, n\u00e3o cheguei a conclus\u00e3o alguma.<\/p>\n<p>Olhar nos olhos de algu\u00e9m pode ser um gesto nobre, definitivo; mas pode tamb\u00e9m ser uma intimida\u00e7\u00e3o, tipo: sabe com quem voc\u00ea est\u00e1 falando?<\/p>\n<p>Os mais antiguinhos como eu devem bem se recordar de que bastava o severo olhar do pai para nos colocar em nosso devido lugar de filhos obedientes.<\/p>\n<p>Enfim&#8230; Eram outros tempos.<\/p>\n<p>At\u00e9 porque, se me permitem, as grandes verdades, as grandes declara\u00e7\u00f5es, quando a fazemos, reparem bem, estamos olhando para dentro de n\u00f3s mesmos, da nossa alma, dos nossos sentimentos.<\/p>\n<p>J\u00e1 ouvi grandes mentiras que me foram ditas assim, na bucha, como se fossem a mais absoluta das certezas.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m j\u00e1 trombei com meias-verdades e, r\u00e9u confesso, retribui na boa e cara-a-cara.<\/p>\n<p>Particularmente, me encanta \u2013 e n\u00e3o saberia definir a intensidade \u2013 daquele exato momento quando os olhares se cruzam, assim meio que distra\u00edda e inesperadamente, sem nada querer dizer e j\u00e1 tudo dizendo. N\u00e3o com palavras, mas com sonhos, devaneios ousadias.<\/p>\n<p>\u00c9 exatamente a\u00ed, creio, e com a v\u00eania do amigo Nicola e de seus pares, que a vida recome\u00e7a.<\/p>\n<p>O inverso \u2013lamento informar \u2013 tamb\u00e9m \u00e9 real. Quando os olhares se encontram e n\u00e3o se v\u00ea mais ali, o brilho que um dia houve.<\/p>\n<p>Sabe-se ent\u00e3o que \u00e9 o fim.<\/p>\n<p>O fim que, por mais do\u00eddo que seja, incide obrigatoriamente em um novo come\u00e7o.<\/p>\n<p>\u00c9 da vida e dos amores.<\/p>\n<p>Como diria o grande Roberto, se chorei ou se sofri&#8230; (queiramos ou n\u00e3o, gostemos ou n\u00e3o das can\u00e7\u00f5es de Roberto\/Erasmo, cada um de n\u00f3s sabe bem como completar a frase.)<\/p>\n<p>(* Post de n\u00famero 1993)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gosto do jeito simples e direto que o amigo Nicola tem para esclarecer esses impasses existenciais. Desconfio que, mais do que os livros e a ci\u00eancia que estuda e desenvolve, ele se espelha nas experi\u00eancias de vida que recolhe ora na penumbra do consult\u00f3rio (h\u00e1 quem diga que \u00e9 \u00e0 meia-luz que as pessoas se revelam) ora nas idas-e-vindas com seu t\u00e1xi pelas ruas de Sampa.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-12548","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12548","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12548"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12548\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15466,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12548\/revisions\/15466"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12548"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12548"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12548"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}