{"id":12564,"date":"2013-07-30T00:00:00","date_gmt":"2013-07-30T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:21:05","modified_gmt":"2017-09-15T19:21:05","slug":"o-jornalista-e-o-escritor-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/o-jornalista-e-o-escritor-2\/","title":{"rendered":"O jornalista e o escritor (2)"},"content":{"rendered":"<p>V.<\/p>\n<p>Aproveitei a perplexidade geral e irrestrita da rapaziada para dizer que Drummond n\u00e3o \u00e9 caso \u00fanico. Outros tantos e tamanhos &#8211; como Rubem Braga, Carlos Heitor Cony, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos, M\u00e1rio Quintana etc \u2013 tinham nos livros um instrumento de realiza\u00e7\u00e3o autoral, e pessoal.<\/p>\n<p>Escreviam por voca\u00e7\u00e3o e dom. <\/p>\n<p>Tocavam suas vidas com os trocos que recebiam como jornalistas, editores, tradutores e fun\u00e7\u00f5es correlatas. Muitos enveredaram para a academia; outros fizeram carreira no servi\u00e7o p\u00fablico; alguns trabalharam em \u00e1reas protocolares de embaixadas e consulados, e por a\u00ed foram&#8230;<\/p>\n<p>VI.<\/p>\n<p>Neste embalo, citei aos presentes a  experi\u00eancia de Sabino e Braga que chegaram a abrir uma editora \u2013 a Editora do Autor \u2013 para tocar projetos pr\u00f3prios e dos amigos, com independ\u00eancia e suposto controle de todo o processo editorial e o consequente resultado financeiro. Depois de alguns anos, entregaram os pontos, exauridos e com a certeza de que n\u00e3o eram propriamente do ramo administrativo.<\/p>\n<p>N\u00e3o era f\u00e1cil viver unicamente dos livros naqueles idos dos anos 50 e 60.<\/p>\n<p>VII.<\/p>\n<p>\u00c9 bem verdade que muita coisa mudou de l\u00e1 para c\u00e1.<\/p>\n<p>Houve uma explos\u00e3o no mundo editorial, com amplia\u00e7\u00e3o de g\u00eaneros, estilos e caracter\u00edsticas dos produtos. Mas, ao que posso perceber, por observa\u00e7\u00e3o \u2013 e tamb\u00e9m lhes disse -, a luta permanece a mesma \u2013 e, diria at\u00e9, algo ingl\u00f3ria.<\/p>\n<p>VIII.<\/p>\n<p>O rapaz da pergunta inicial desfez as minhas suspeitas. Disse que gostava de escrever \u2013 e que, por isso, pensava em cursar jornalismo e, mais adiante, tamb\u00e9m tornar-se escritor. <\/p>\n<p>N\u00e3o sei se desestimulei o jovem.<\/p>\n<p>Mas, n\u00e3o resisti e lhe falei da c\u00e9lebre frase do saudoso Armando Nogueira, considerado o melhor texto da imprensa esportiva do Pa\u00eds:<\/p>\n<p>\u201cJornalista n\u00e3o gosta de escrever. Gosta de ter escrito.\u201d<\/p>\n<p>No rala-e-rola de uma Reda\u00e7\u00e3o, a press\u00e3o \u00e9 de tal monta que a gente s\u00f3 volta \u00e0<br \/>\nvida quando v\u00ea o jornal impresso.<\/p>\n<p>A sensa\u00e7\u00e3o a\u00ed \u2013 se tudo estiver nos conformes \u2013 \u00e9 de al\u00edvio e prazer.<\/p>\n<p>IX. <\/p>\n<p>Para lhes garantir a relatividade das coisas e dos procedimentos, lembrei aos distintos a trajet\u00f3ria de Carlos Heitor Cony, jornalista e escritor. Ele ficou quase 20 anos sem escrever qualquer obra, longe dos livros. Trabalhou em jornais e revistas, em vers\u00f5es de cl\u00e1ssicos liter\u00e1rios para jovens. Mas, deu um basta na sua premiada carreira de escritor, ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o de Pilatos, em 1974.<\/p>\n<p>Quando reapareceu com Quase Mem\u00f3ria, em 1993, lhe perguntaram o motivo que o levou a ficar tanto tempo sem escrever. Ele foi lac\u00f4nico na resposta.<\/p>\n<p>&#8212; Tinha coisa melhor para fazer. <\/p>\n<p>X.<\/p>\n<p>Eu e minhas hist\u00f3rias.<\/p>\n<p>Falo demais.<\/p>\n<p>Desconfio que o jovem desistiu da voca\u00e7\u00e3o \u2013 e de comprar um exemplar do meu livro&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>V.<\/p>\n<p>Aproveitei a perplexidade geral e irrestrita da rapaziada para dizer que Drummond n\u00e3o \u00e9 caso \u00fanico. 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