{"id":12569,"date":"2013-08-03T00:00:00","date_gmt":"2013-08-03T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:21:04","modified_gmt":"2017-09-15T19:21:04","slug":"serena-3","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/serena-3\/","title":{"rendered":"Serena (3)"},"content":{"rendered":"<p>X.<\/p>\n<p>Dias atr\u00e1s, encontrei-me com Escova em um daqueles botecos chinfrins do Sacom\u00e3 para alguns bebericos e, inevit\u00e1vel, reverenciarmos os velhos tempos. <\/p>\n<p>N\u00e3o sei o porqu\u00ea lhe perguntei sobre a tal reportagem que, fiz quest\u00e3o de salientar, por desmazelo meu, acabei por n\u00e3o l\u00ea-la, e sequer lembro de v\u00ea-la impressa. <\/p>\n<p>Escova disse que eu estava delirando. <\/p>\n<p>Nunca fizera reportagem com tema semelhante. Quando muito colaborou, gratuitamente e a meu pedido com O Carpinteiro, jornal da Par\u00f3quia S\u00e3o Jos\u00e9, que editei ao lado do padre Brito por dois ou tr\u00eas anos. <\/p>\n<p>XI. <\/p>\n<p>O Carpinteiro foi uma gratificante experi\u00eancia jornal\u00edstica. <\/p>\n<p>O jornal mensal chegou \u00e0 tiragem de 100 mil exemplares. Era um prazer faz\u00ea-lo ao lado de amigos caros como o pr\u00f3prio Escova, o padre Brito, o Zezinho, a Fernandinha, o An\u00edsio, o Alexandre, a saudosa Rita, entre outros. Mas, n\u00e3o era sobre esse momento que me referia. <\/p>\n<p>\u201cFalo da tal reportagem sobre as tais seitas emergentes que voc\u00ea jurou existir \u00e0s dezenas na periferia de S\u00e3o Paulo, especialmente nas vilas e jardins que cercam o Ipirang\u00e3o velho de guerra\u201d, insisti.<\/p>\n<p>Escova continuou balan\u00e7ando negativamente a cabe\u00e7a em sinal de desaprova\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>At\u00e9 eu comecei a duvidar do que eu pr\u00f3prio dizia. <\/p>\n<p>XII. <\/p>\n<p>Resolvi for\u00e7ar a mem\u00f3ria do amigo, dando o contexto da hist\u00f3ria toda: <\/p>\n<p>\u201cLembra-se que voc\u00ea chegava cedo na reda\u00e7\u00e3o para adiantar as mat\u00e9rias do dia, e sa\u00eda quase todas as tardes atr\u00e1s dessa bendita pauta. Nem para as noitadas com a gente voc\u00ea ia. Ficava preparando as tais entrevistas.\u201d<\/p>\n<p>Escova continuou negando: <\/p>\n<p>&#8211; De onde voc\u00ea tirou isso, parceiro. Justo eu, o grande Dom Juan das Quebradas, o Tal e o Qual, me envolvendo com esses carolas. Sem chance. <\/p>\n<p>XIII. <\/p>\n<p>Ao ouvi-lo citar, orgulhoso, o velho codinome de guerra, me veio uma inspira\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Caiu a ficha, e resolvi jogar o \u2018verde\u2019: <\/p>\n<p>\u201cFoi no tempo da Serena, lembra? Aquela mo\u00e7a linda, toda pura, que o pessoal maldava que ela n\u00e3o transava nem com o noivo, e que pertencia a uma dessas religi\u00f5es rigoros\u00edssimas no quesito sexo antes do casamento. Lembra-se dela?\u201d <\/p>\n<p>Fez-se um sil\u00eancio comovedor. <\/p>\n<p>Tive a impress\u00e3o que todo o boteco entendeu o que de fato acontecera.<\/p>\n<p>Que pauta que nada.<\/p>\n<p>Por ela o cara madrugava na reda\u00e7\u00e3o e sa\u00eda, mais ou menos, no hor\u00e1rio que Serena tamb\u00e9m se ia. Por ela, a aus\u00eancia das nossas noites ruidosas quando sempre se bebia demais, se falava demais.  N\u00e3o havia segredos naquela roda. <\/p>\n<p>XIV. <\/p>\n<p>Escova respirou fundo. Viajou para os confins da alma. <\/p>\n<p>Nada me respondeu. <\/p>\n<p>Nem precisaria. <\/p>\n<p>Seus olhos retomaram o brilho dos tempos idos e vividos. <\/p>\n<p>Diria at\u00e9 \u2013 e convictamente &#8211; SERENA e muito bem vividos&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>X.<\/p>\n<p>Dias atr\u00e1s, encontrei-me com Escova em um daqueles botecos chinfrins do Sacom\u00e3 para alguns bebericos e, inevit\u00e1vel, reverenciarmos os velhos tempos. <\/p>\n<p>N\u00e3o sei o porqu\u00ea lhe perguntei sobre a tal reportagem que,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-12569","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12569","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12569"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12569\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15447,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12569\/revisions\/15447"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12569"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12569"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12569"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}