{"id":12570,"date":"2013-08-04T00:00:00","date_gmt":"2013-08-04T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:21:04","modified_gmt":"2017-09-15T19:21:04","slug":"agostinho-dos-santos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/agostinho-dos-santos\/","title":{"rendered":"Agostinho dos Santos"},"content":{"rendered":"<p>Uma jovem rep\u00f3rter me procurou na sexta-feira para falar de Agostinho dos Santos, grande cantor brasileiro dos anos 50 e 60, que morreu em julho de 1973 em um desastre quando o avi\u00e3o em que viajava estava pousando no aeroporto de Paris. <\/p>\n<p>A jornalista est\u00e1 desenvolvendo uma pauta sobre bares tem\u00e1ticos e descobriu, meio que por acaso, na regi\u00e3o do ABC, um estabelecimento que reverencia a mem\u00f3ria do artista. Pertence a uma das filhas de Agostinho \u2013 e ela (a rep\u00f3rter) ficou intrigada com a relev\u00e2ncia da obra do cantor, ressaltada na conversa com a saudosa filha:<\/p>\n<p>&#8211; Ele era tudo isso, professor?<\/p>\n<p>Antes que eu respondesse, a jovem me disse que foi ao Google \u2013e l\u00e1 encontrou as m\u00fasicas de Agostinho e informa\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas sobre sua carreira. Que ele foi um cantor de sucesso. Umm dos primeiros a gravar m\u00fasicas de Tom Jobim e Dolores Duran, antes mesmo que estes fossem famosos e reconhecidos. Que transitou por diversos ritmos, inclusive a vers\u00e3o de boleros famosos (como \u201cAqueles Olhos Verdes\u201d e \u201cNoites de Ronda\u201d, al\u00e9m deum roquizinho esdr\u00faxulo chamado \u201cAt\u00e9<br \/>\nLogo, Jacar\u00e9\u201d \u2013 e foi um dos precursores da bossa nova.<\/p>\n<p>Tem raz\u00e3o a mo\u00e7a de n\u00e3o se satisfazer com essas breves e insossas linhas.<\/p>\n<p>N\u00e3o refletem a grandeza de Agostinho.<\/p>\n<p>Ele foi um dos respons\u00e1veis pela mudan\u00e7a de toda uma est\u00e9tica sonora da \u00e9poca. Preferia encaixar a voz, com precis\u00e3o, entre os acordes, de forma elegante e<br \/>\nsens\u00edvel ao inv\u00e9s de soltar o vozeir\u00e3o, a estourar os t\u00edmpanos dos ouvintes, como faziam os cantores da \u00e9poca. Viveu a Era de Ouro do r\u00e1dio, participou de diversos filmes (era comum cantores apresentarem seus sucessos nas produ\u00e7\u00f5es nacionais) e dos primeiros musicais da TV brasileira.<\/p>\n<p>Era figurinha f\u00e1cil nos c\u00e9lebres Clube dos Artistas e Almo\u00e7o das Estrelas,<br \/>\ncomandados por Airton e Lolita Rodrigues, na TV Tupi. Vira e mexe, emplacava a m\u00fasica campe\u00e3 da semana, no programa Astros do Disco, apresentado por Randal Juliano, na TV Record.<\/p>\n<p>Eram outros tempos, sem d\u00favida.<\/p>\n<p>Para a cr\u00edtica especializada, o grande momento de Agostinho est\u00e1 como int\u00e9rprete da trilha do filme \u201cOrfeu de Carnaval\u201d, de Marcel Camus. S\u00e3o definitivas \u2013 e impec\u00e1veis \u2013 as leituras que faz para \u201cA Felicidade\u201d (Jobim\/Vin\u00edcius) e \u201cManh\u00e3 de Carnaval\u201d (Luiz Bonf\u00e1).  Tamb\u00e9m \u00e9 bastante exaltada sua participas\u00e7\u00e3o no Festival de Bossa Nova, hist\u00f3rico, que aconteceu no Carnegie Hall, em Nova York, em 1962.<\/p>\n<p>Eu, particularmente, prefiro o Agostinho dos Santos cantor sambas-can\u00e7\u00f5es como a bel\u00edssima \u201cNossos Momentos\u201d (Haroldo Barbosa\/Luis Reis), entre outros. Gosto tamb\u00e9m de ouvir hist\u00f3rias sobre a generosidade de Agostinho como descobridor e\/ou incentivador de novos talentos \u2013 incluam-se Elis e Milton Nascimento nesse rol. E sobre as perip\u00e9cias na noite paulistana de ent\u00e3o (ele era o que se dizia \u00e0 \u00e9poca um \u2018habitu\u00ea\u2019) e de sua habilidade como zagueiro, defendendo as cores do Sereno Futebol Clube, time de v\u00e1rzea da Bela Vista.<\/p>\n<p>Falei e escrevi demais. Mesmo assim, tenho certeza, n\u00e3o fiz jus ao talento do saudoso Agostinho dos Santos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma jovem rep\u00f3rter me procurou na sexta-feira para falar de Agostinho dos Santos, grande cantor brasileiro dos anos 50 e 60, que morreu em julho de 1973 em um desastre quando o avi\u00e3o em que viajava estava pousando no aeroporto de Paris.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-12570","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12570","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12570"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12570\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15446,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12570\/revisions\/15446"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12570"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12570"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12570"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}