{"id":12581,"date":"2013-08-21T00:00:00","date_gmt":"2013-08-21T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:17:29","modified_gmt":"2017-09-15T19:17:29","slug":"sobre-jornais-de-bairro","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/sobre-jornais-de-bairro\/","title":{"rendered":"Sobre jornais de bairro&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>Recebo o honroso convite de uma ex-aluna, Ana Castro, para participar amanh\u00e3 \u00e0 noite de encontro com grupo de jovens para falar da minha experi\u00eancia em jornais de bairro, onde trabalhei durante 28 anos ou \u201cuma vida\u201d, como diz Dona Yolanda, minha m\u00e3e.<\/p>\n<p>Ela faz doutorado na Universidade de S\u00e3o Paulo e, ao que pude entender, desenvolve pesquisa na \u00e1rea de comunica\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria.<\/p>\n<p>N\u00e3o tenho acompanhado a realidade dos jornais de bairro hoje. Quando sa\u00ed da velha reda\u00e7\u00e3o de piso assoalhado em meados de 2003, eu j\u00e1 fazia severas cr\u00edticas \u00e0 aus\u00eancia de fun\u00e7\u00e3o editorial e a alguns equ\u00edvocos administrativos que aqueles novos tempos consagraram. Pelo pouco que pude ver de publica\u00e7\u00f5es recentes, essa situa\u00e7\u00e3o se agravou em raz\u00e3o de v\u00e1rios motivos e outros tantos descaminhos. A concorr\u00eancia das redes sociais, por exemplo, \u00e9 um destes. A perda de leitores dos ve\u00edculos impressos \u00e9 outro.<\/p>\n<p>Mesmo assim \u2013 e acompanhando o trabalho de alguns estudantes junto \u00e0 comunidade mais humildes e perif\u00e9ricas -, fiquei feliz ao notar que, nesses segmentos, toda e qualquer publica\u00e7\u00e3o impressa \u2013 seja mural, seja boletim, seja tabl\u00f3ides \u2013 \u00e9 sempre aplaudida com entusiasmo e muito bem-vinda.<\/p>\n<p>Eles se sentem mais representados.<\/p>\n<p>No fundo, no fundo, penso que, mesmo com todos os avan\u00e7os e as mudan\u00e7as, a ess\u00eancia do fazer jornal\u00edstico (valoriza\u00e7\u00e3o do homem e das transforma\u00e7\u00f5es sociais) permanece intacta.<\/p>\n<p>J\u00e1 escrevi sobre, mas creio que n\u00e3o seja demais repetir a breve hist\u00f3ria que bem ilustra tal ess\u00eancia. <\/p>\n<p>Numa das 1.456 sextas-feiras que cheguei \u00e0 reda\u00e7\u00e3o de Gazeta do Ipiranga \u2013 dia em que o jornal circula -, uma das rep\u00f3rteres me avisou que um senhor havia me procurado por tr\u00eas vezes. N\u00e3o deixara o nome. Dissera apenas que precisava falar com o RCM \u2013 minhas iniciais, com as quais assinei uma coluna por mais de 20 anos; uma mistura de cr\u00f4nica com o que os antigos chamavam de \u2018artigo de fundo\u2019. <\/p>\n<p>Minutos depois, ou\u00e7o uma voz embargada do senhor ao telefone. Ele me comove com o que diz: o texto que escrevi naquela jornal havia lhe emocionado porque falava de um Ipiranga e de um mundo que n\u00e3o mais existem. Tinha 91 anos e morava sozinho. De alguma forma, sentia-se abandonado pela fam\u00edlia, e tinha no jornal de bairro o companheiro que o visitava todas as sextas sem \u2018furos\u2019, nem desculpas. Coisa que os filhos n\u00e3o faziam. <\/p>\n<p>Quase sempre o esqueciam, sem cerim\u00f4nia e constrangimentos.<\/p>\n<p>Foi uma manh\u00e3 inesquec\u00edvel. Uma li\u00e7\u00e3o de vida.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recebo o honroso convite de uma ex-aluna, Ana Castro, para participar amanh\u00e3 \u00e0 noite de encontro com grupo de jovens para falar da minha experi\u00eancia em jornais de bairro, onde trabalhei durante 28 anos ou \u201cuma vida\u201d,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-12581","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12581","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12581"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12581\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15435,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12581\/revisions\/15435"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12581"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12581"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12581"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}