{"id":12648,"date":"2013-11-10T00:00:00","date_gmt":"2013-11-10T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T19:17:22","modified_gmt":"2017-09-15T19:17:22","slug":"encontro-das-aguas","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/encontro-das-aguas\/","title":{"rendered":"Encontro das \u00e1guas"},"content":{"rendered":"<p>\u00cdamos rio-adentro naquele batel\u00e3o que, em s\u00e3 consci\u00eancia, nunca me mimaginaria navegar.<\/p>\n<p>O que ser\u00e1 que me deu? Perdi a no\u00e3o do perigo ou sempre fui um h\u00e1bil marujo \u2013 e nunca me dera conta?<\/p>\n<p>Passamos o encontro das \u00e1guas, rumo aos igarap\u00e9s, um dos quais nos levaria ao lugar prometido, mais do que almejado.<\/p>\n<p>S\u00f3 eu e voc\u00ea.<\/p>\n<p>Inexplic\u00e1vel sensa\u00e7\u00e3o de juventude rediviva. Olhar penetrante, envolvente. Cabelos revoltos a emoldurar o rosto pequeno, de tra\u00e7os suaves. Fiz men\u00e7\u00e3o de lhe dizer que, desde o primeiro momento, entendi que ser\u00edamos&#8230; eternos.<\/p>\n<p>Voc\u00ea \u2013 qual seu nome mesmo? \u2013 sorriu um riso breve, convincente. Como a me dizer que o melhor estava por acontecer.<\/p>\n<p>Que eu&#8230; Bem, que eu aguardasse!<\/p>\n<p>Entendi que era hora de desligar o motor e tocar a canoa com o remo, pelo sinuoso recorte de \u00e1gua, mata a dentro.<\/p>\n<p>Voc\u00ea parecia saber o caminho. Sem dizer palavra, guiava-me apenas com o olhar e a fr\u00e1gil sedu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o me perguntem, am\u00e1veis cinco ou seis leitores de sempre, de onde tirei tanta coragem, tanta destreza de navegador experiente a manusear motores, remos e o mist\u00e9rio das \u00e1guas amaz\u00f4nicas.<\/p>\n<p>N\u00e3o me perguntem.<\/p>\n<p>N\u00e3o saberei responder.<\/p>\n<p>Nem teria tempo.<\/p>\n<p>A mochila \u00e0 minha frente, no ch\u00e3o do barco, come\u00e7a a tremer a princ\u00edpio levemente.  Depois de forma mais intensa. Chama minha aten\u00e7\u00e3o que o balan\u00e7o se estende para a embarca\u00e7\u00e3o que amea\u00e7a virar a qualquer momento. Simultaneamente, imagino ouvir uma campainha como se fosse um alarme, estridente e repetitivo.<\/p>\n<p>Estranho. Suas fei\u00e7\u00f5es continuam serenas, pl\u00e1cidas, como as \u00e1guas do rio. Como se nada estivesse acontecendo.<\/p>\n<p>Talvez n\u00e3o esteja mesmo.<\/p>\n<p>Mas, o que se passa?<\/p>\n<p>\u201cALGU\u00c9M ATENDE ESSE TELEFONE!\u201d<\/p>\n<p>Ou\u00e7o a voz familiar, incisiva e forte, que me tira do topor e, queiramos ou n\u00e3o, me tira da suposta enrascada.<\/p>\n<p>Desperto com o cora\u00e7\u00e3o acelerado, ofegante. <\/p>\n<p>Voc\u00ea n\u00e3o existe. N\u00e3o existe rio, barco, o lugar prometido&#8230;<\/p>\n<p>Existe o sof\u00e1 da sala, o telefone e a melhor das li\u00e7\u00f5es:<\/p>\n<p>Nunca se recoste em lugar algum, ap\u00f3s uma pratada de macarr\u00e3o em plena tarde de domingo.<\/p>\n<p>Seu sonho mais do que encantado pode se tornar em pesadelo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00cdamos rio-adentro naquele batel\u00e3o que, em s\u00e3 consci\u00eancia, nunca me mimaginaria navegar.<\/p>\n<p>O que ser\u00e1 que me deu? Perdi a no\u00e3o do perigo ou sempre fui um h\u00e1bil marujo \u2013 e nunca me dera conta?<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-12648","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-blog"],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12648","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12648"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12648\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15371,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12648\/revisions\/15371"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12648"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12648"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12648"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}